Free Fire foi a grande sensação do esporte eletrônico nos dois últimos sábados. Enquanto a final da terceira temporada da Pro League teve mais de 700 mil espectadores, a etapa do Mundial bateu mais de 2 milhões. As duas foram realizadas no Rio de Janeiro e tiveram o Corinthians como grande campeão.
Para comandar o show tanto para o público online quanto para o público presente na Arena Carioca, a Garena reuniu uma equipe de peso e com bastante diversidade. Analista das duas competições, Ana Xisdê acredita que essa diversidade é um modo de representar o público diverso do Free Fire.
“A diversidade no Free Fire já vem da ideia do desenvolvimento do jogo”, afirmou ela em entrevista ao ESPN Esports Brasil. “Ele foi lançado como um jogo mobile com as características que tem pra englobar um público que antes não tinha sido atingido pelo mundo dos jogos. É por isso que o FF ganhou tanta força e uma comunidade que antes não necessariamente acompanhava o cenário competitivo de outros jogos”.
“Querendo ou não você já tá englobando uma diversidade maior de pessoas no geral, e aí você engloba também uma comunidade maior de gêneros, cultura, etnias. É muito bacana e tem tudo a ver com o jogo”, complementa Ana.
A analista lembra, também, que muitos espectadores não jogam, mas gostam de se sentir representados e acolhidos. “Foi por isso que eu comecei [nos esports]. Comecei porque eu olhei um campeonato e falei: não tem nenhuma mulher? Quer saber? Eu vou ser essa mulher”, lembra.
“Hoje, eu fico muito feliz de participar uma equipe tem mais mulheres, que eu não sou a única representando como eu pensei que seria no início. Hoje eu posso compartilhar o meu trabalho com pessoas sensacionais, como é o caso da Camilota e da Tawna”, comemora.
VIDA ENTRE NÚMEROS
Vinda dos cenários de League of Legends e Overwatch, Ana conta que sempre gostou de mexer com dados e estatísticas, e confessou que esse gosto surgiu como uma forma de vencer a falta de autoconfiança. “Como eu tenho que entrar na frente da câmera e passar energia e confiança, eu me baseio em conhecimento. Quando eu tenho todo esse conhecimento que eu estudo, e estudo muito, eu ganho essa confiança. A autoconfiança que eu não tenho na minha vida, eu ganho no meu trabalho por causa desse conhecimento”, explicou.
Para apresentar informações precisas depois de longos estudos dos times da Pro League e do Mundial, Ana pensa no que ela gostaria de saber se estivesse como espectadora. “Eu também considero o que eu gosto quando eu estou assistindo a transmissão. O que eu quero aprender? Que histórias eu quero ouvir? E aí eu sempre tento passar isso nos jogos. Essa perspectiva de saber como é ser espectadora ajuda no meu trabalho”, apontou.
A analista também afirmou sobre a importância de passar terminologias simples ao público para que os novos espectadores, os que nunca jogaram, possam entender o que está acontecendo. “Eu sempre gosto de pensar na pessoa que está assistindo pela primeira vez”, comenta. “Você até pode se aprofundar, mas com terminologias simples pra que a pessoa que tá assistindo pela primeira vez possa entender o básico, a ideia por trás”.
Além disso, fala com orgulho de seu trabalho de estudo para as equipes do Mundial. “Eu estudei muito e tenho até orgulho de dizer que eu ajudei o Corinthians com as minhas análises, porque o chefe falou comigo, pediu ajuda pra eu passar pra eles o que eu estudei sobre as equipes estrangeiras, e consegui ver todo esse trabalho por trás se concretizando”, conta.
PÚBLICO RECEPTIVO
A apresentadora Camilota foi mais uma peça essencial na equipe de peso de Free Fire. Depois de dois anos no League of Legends, a carioca tomou uma decisão difícil, mas importante para sua carreira, e falou sobre como a diversidade é necessária.
“A diversidade é importante principalmente na questão de aceitação de mulheres no cenário”, comentou. “Acho que entrei no Lolzinho na época que não tinha mulher nenhuma metendo a cara a tapa. Acho que fui a primeira no Brasil que meteu a cara a tapa de apresentar e ir crescendo, evoluindo, aprendendo o jogo enquanto ia ganhando a comunidade”.
Contente, Camilota afirma que se sente fazendo história no esporte eletrônico e que colocou isso como objetivo daqui para a frente. Além disso, não deixou de falar sobre como o público de Free Fire é unido e receptivo.
“Eu acabei de chegar e o pouco que eu sinto é que a comunidade é muito unida e muito tranquila em questão de aceitação”, aponta. “Eu tive muito medo dessa questão de aceitação porque no começo no LoL foi bem difícil”.
“Eu entendo que eu vim com uma bagagem muito grande porque eu trabalhei dois anos no LoL, mas dá aquele medo”, continua. “A galera é diferente, tem um pessoal que nunca ouviu falar de LoL, e isso é muito louco. Tem a galera que começou a jogar no Free Fire mesmo, e ver esse público enorme aceitando a gente é muito gratificante. A comunidade é muito fofa, é muito aberta pra aceitar qualquer pessoa que esteja querendo falar sobre o jogo”.
