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CEO do Santos eSports garante que clube tentará 'negociar uma vaga no Circuitão'

Santos fez boa campanha na Superliga de 2018 Leonardo Sang/BBL

Tentando ingressar no circuito profissional brasileiro de League of Legends desde que ingressou na modalidade, o Santos parece ter se cansado de tentar se classificar para o Circuito Desafiante por meio das seletivas. Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o diretor executivo da empresa que gere o projeto santista, Leonardo Di Prado, afirmou que “assim como nas três etapas anteriores”, o Santos tentará adquirir uma vaga.

“Vamos tentar negociar uma vaga. Está dentro do nosso planejamento, mas é algo bem inicial. O Santos já tentou muito via seletivas e eu realmente não gostaria de disputar um novo ‘Circuitinho’. Mas se tiver que disputar, vamos fazer um projeto mais completo. Não tem problema nenhum”, completou o executivo.

O comandante da Select e-Sports deixou claro que, desde que trouxe o Santos para o League of Legends, tentou comprar uma vaga na 2ª divisão nacional. Segundo o executivo, a primeira tentativa foi comprar a vaga da T Show, válida para a segunda etapa de 2018, e as duas seguintes foram negociações com a Operation Kino (OPK), a fim de tentar participar das duas edições do Circuitão disputados neste ano.

“Para um negócio acontecer o vendedor tem que estar satisfeito, tem que ter os desejos atendidos. Antes de tentarmos comprar a vaga o Flamengo fez uma oferta de compra e nós fizemos uma proposta no mesmo valor do deles, mas os times que tinham vaga não aceitaram. Então, entendi que naquele momento era melhor usar o montante para montar um time forte e conquistar a vaga”, apontou.

Na opinião do executivo, as tentativas de comprar a vaga no Circuitão não deram certo “porque o que entendo que vale investir numa vaga não satisfez quem possuía. Um desencontro comercial, de volume financeiro. A vaga no Desafiante não vale o que muitas pessoas pedem”.

Sob o comando da Select e-Sports, o Santos começou a competir no League of Legends em 2018 e, desde então, vem tentando um lugar no Circuito Desafiante. Nas duas primeiras tentativas, no segundo semestre de 2018 e no primeiro deste ano, o Peixe parou na Série de Promoção após derrotas para WP Gaming e Havan Liberty Gaming. O alvinegro também tentou se classificar para o torneio que abrirá 2020, mas não conseguiu ir muito longe nas seletivas.

Apesar dos insucessos nos torneios oficiais, o Santos fez boas campanhas nas edições 2018 do Logitech G Challenge e Superliga. No primeiro, foi campeão em cima do time argentino Feint, enquanto na competição promovida pela Associação Brasileira de Clubes de Esports (ABCDE) foi até a semifinal, na qual acabou perdendo para a paiN Gaming por 3 a 2.

A pedido do ESPN Esports Brasil, Leonardo Di Prado fez um balanço da trajetória do Santos na modalidade até o momento: “Não é positivo em termos esportivos porque não conseguimos acesso, Tiveram coisas boas, mas se passar a régua é negativo. Precisávamos de mais resultados. Não é terra arrasada, como se nada que fizemos não prestasse".

Na visão do diretor executivo da Select, "as coisas positivas foram as oportunidades que demos para os atletas se projetarem e a campanha na Superliga". Ainda sobre o torneio da ABCDE, Leonardo Di Prado falou ainda sobre o impacto da torcida, "que mexeu com as outras. A presença da torcida do Santos fez todos se movimentarem porque desde a 3ª rodada a gente estava fazendo muito barulho lá na BBL".

O executivo explicou que, no League of Legends, o Santos usou três estratégias: “a primeira foi com um elenco formado por cinco jovens promissores, que acabaram dando certo na Superliga. Depois trouxe certa experiência com o Baiano para compor com quatro jovens. Para o terceiro time trouxemos mais dois jogadores experientes. Acabou que não tivemos sucesso com nenhum dos três formatos”.

Leonardo Di Prado acredita que “faltou um pouco de estrutura em termos de comissão técnica, dar mais suporte aos jogadores nesse sentido e parte psicológica. Os atletas eram muito bons, mas psicologicamente falharam nas decisões. São os dois principais pontos que queremos melhorar para a sequência, além de trabalhar na lógica da organização e sair um pouco do que o cenário está acostumado a fazer ao implantar nossas ideias”.

Na opinião do diretor executivo da Select, o formato que envolve a 3ª divisão do League of Legends brasileiro prejudicou o Santos: “Em outro formato de competição já estaríamos no Desafiante”. Leonardo explica ainda que o cronograma do clube na modalidade acontece de “outubro a janeiro para tentar, em março e abril, ter apresentações impecáveis, ser imbatível, para conquistar a vaga”.

O Santos ainda tem doiscompromisso a cumpir no League of Legends neste ano. Campeão da seletiva brasileira, o Peixe disputará a edição deste ano do Logitech G Challenge, que será disputado no México a partir do dia 25 deste mês. O executivo garante a participação do alvinegro, afirmando que jogadores que conquistaram a vaga jogarão a final latino-americana como Tyrin, Atlanta e Baiano. O outro torneio será a Superliga.

Quanto ao elenco que pretende montar para a próxima temporada, o executivo do Santos aponta que o clube está "criando um metódo de scouting" e revela que a ideia é "ter um time com dez atletas, sendo que cinco vamos selecionar por meio de uma peneira".

OUTRAS MODALIDADES

Sob a tutela da Select, o Santos retornou aos esportes eletrônicos em março do ano passado. Atualmente, além do League of Legends, o clube está presente no Counter-Strike: Global Offensive com um time masculino e também no Pro Clubs do Fifa. Contudo, o alvinegro já contou no passado recente com uma formação no Rainbow Six e uma equipe feminina de CS:GO.

As modalidades citadas acima são aquelas que, de acordo com Leonardo Di Prado, o Santos quer "estruturar antes de expandir". O executivo, contudo, aponta que o Free Fire está na mira do alvinegro "porque está nos chamando bastante atenção. Estamos buscando um modo de entrar porque o jogo atropelou nosso planejamento”.

“Não fazia parte dos nossos planos expandir, mas ignorar o Free Fire seria uma burrice de nossa parte. Estamos estudando", finalizou.