Novidade na seleção brasileira do técnico Carlo Ancelotti, o zagueiro Roger Ibañez tem seu nome envolvido há anos em um processo milionário movido pelo PSR, clube que o formou, contra o Fluminense.
Desde 2020, o Players RS Futebol Clube, da 3ª divisão do futebol gaúcho, cobra na Justiça o pagamento de parte da segunda parcela da venda do defensor à Atalanta, da Itália, em 2019. Hoje, no cálculo do time do Rio Grande do Sul, a dívida está avaliada em R$ 5 milhões.
A ESPN teve acesso ao processo que corre na 39ª Vara Cível do Rio de Janeiro.
Tudo começou em 2019, o quando o Tricolor vendeu Ibañez à Atalanta por 4 milhões de euros (R$ 17,2 milhões na cotação da época). Na ocasião, o clube carioca tinha dívida com o PRS pela aquisição de 70% dos direitos econômicos do jogador, em 2018.
Com a negociação com o clube europeu, o Fluminense fez um acordo para pagar uma quantia total de 700 mil euros ao PRS, referente à dívida anterior e também ao repasse devido pela própria venda. Tal valor seria quitado em duas parcelas: a primeira de 400 mil euros e outra de 300 mil euros.
O Tricolor pagou os 400 mil euros em setembro de 2019, e a Justiça arquivou o processo a pedido do PRS, que esperava que, com a posterior venda do jogador para a Roma, os cariocas repassariam o valor devido. O pagamento, no entanto, nunca aconteceu.
Foi então que o Players RS moveu uma nova ação contra o Fluminense para cobrar os 300 mil euros restantes. Hoje, a dívida está em quase R$ 5 milhões, segundo cálculos do PSR, incluindo correções monetárias, juros e honorários advocatícios.
Em entrevista exclusiva à ESPN, Edmilson Silva, dono do Players RS e técnico que revelou Ibañez, fez um apelo para que débito seja pago, uma vez que o Fluminense segue ativo no mercado e disputando grandes competições.
''Eles nunca foram corretos em nenhuma parte. É algo que não sou só eu que sofro, vários clubes já passaram por isso, mas é tão ruim, porque se o dinheiro do Ibañez entra, todos os meus parceiros teriam recebido. O PRS teria uma parte para poder trabalhar mais 2, 3 anos atrás de um outro atleta. Então, a gente fica assim hoje, joga um ano e o outro não pode jogar, tenta juntar dinheiro... É uma sensação ruim, porque por mais que tenha colocado na Justiça, está lá há quatro anos e ninguém fala nada. O presidente da época falou que não ia pagar e não pagou mesmo. Ele já saiu, entrou um outro e eu realmente não sei aonde isso vai parar, como vai ser, se um dia eu vou receber'', afirmou Edmilson.
''A gente vai ter que dar a volta por cima. Um dia esse dinheiro vai vir, não sei quando. O Fluminense está aí ganhando competições, foi para o Mundial, ganhou muito dinheiro e não pode chegar para um clube como o PRS e falar: ‘Está aqui o teu dinheiro, tenta fazer mais um jogador para mim’? Para o Fluminense eu não boto mais um jogador. É triste, porque eles não precisaram ter feito isso, é muito dinheiro que eles têm para não pagar um valor que poderia mudar a minha vida e a das pessoas que são nossos parceiros aqui, a vida de novos atletas'', completou.
No processo, o Fluminense alega ''ausência de comprovação do preenchimento das condições para pagamento da segunda parcela'', '' discussão quanto à força obrigatória das cláusulas contratuais'' e, por fim ''alegação de excesso no valor cobrado pelo PRS''.
O clube carioca chegou a solicitar segredo de Justiça, mas teve seu pedido indeferido pelo Juiz.
''Se eu pudesse pedir para alguém do Fluminense, que pudesse olhar com carinho, porque nós somos muito pequenininhos e esse dinheiro muda a nossa vida'', clamou Edmilson.
A ESPN procurou o Fluminense, mas ainda não houve resposta. A reportagem será atualizada em caso de manifestação.
