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Para o bem e para o mal: a breve história de Ancelotti no futebol da França que envolve dois brasileiros

O italiano Carlo Ancelotti viverá uma nova experiência em meio à longa e vitoriosa carreira: no comando do Brasil desde julho de 2025, enfrentará pela primeira vez uma seleção da Europa. O amistoso contra a França acontece nesta quinta-feira (26), em Boston, nos Estados Unidos, e vale como preparação para a Copa do Mundo daqui três meses.

A ligação não é apenas pelo continente, mas também pelo país. Único técnico da história a ser campeão nas cinco principais ligas europeias (Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha e França), Ancelotti foi treinador do PSG entre dezembro de 2011 e maio de 2013, em uma história que rendeu somente um título (a Ligue 1 de 2012/13) e histórias com dois brasileiros.

Pouco após ser demitido do Chelsea, Carletto foi levado a Paris por Leonardo, craque com passagens por Flamengo, São Paulo e seleção brasileira, a quem conhecia desde os tempos de Milan. Na época diretor da equipe parisiense, o ex-meia apostou na figura de Ancelotti para dar força a um projeto que apenas engatinhava no futebol europeu.

O técnico assumiu no meio da temporada 2011/12 e tocou a campanha até o final para depois começar a impor seu estilo. Na janela de transferências do verão, buscou nomes pesados como Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva, zagueiro brasileiro que havia indicado ao Milan e que agora via como um futuro pilar de seu trabalho na França.

"Ele é um jogador fantástico. Todos sabem que é um dos melhores jogadores do mundo e estou muito feliz. Ele vai melhorar a qualidade da equipe. O clube fez um trabalho fantástico, porque não é fácil contratar um jogador como ele", declarou o italiano, orgulhoso da aquisição.

Só que Ancelotti e Thiago Silva trabalharam apenas uma temporada juntos, por conta de um desgaste nos bastidores que fez Carlo perder a confiança na direção - e em Leonardo, como mais tarde retratou em seu livro, entitulado "Liderança Tranquila".

"Se você não vencer este jogo, estará demitido", teria dito o dirigente brasileiro a Ancelotti, às vésperas de uma partida contra o Porto, pela fase de grupos da Uefa Champions League. "Não estamos satisfeitos. Estamos olhando para o projeto, não apenas para o resultado. Decidimos que, se você não ganhar este jogo, estará demitido".

O PSG venceu aquela partida, gols de Thiago Silva e do argentino Ezequiel Lavezzi. Ancelotti foi mantido no cargo, ganhou o título francês meses depois, mas já havia decidido que aquilo marcaria o fim de sua passagem pela França.

"Tudo havia mudado para mim. Não tinha mais a confiança do clube, o que tornava minha posição insustentável, principalmente em um projeto a longo prazo como aquele. Disse a Leonardo que, ao término da temporada, deixaria o clube", escreveu Ancelotti em sua autobiografia.

"Leonardo era meu amigo, ou assim eu pensava, e não me deu um motivo concreto para me tratar daquela maneira. Você é o chefe, então é óbvio que tem o direito de demitir quem quiser, mas faça isso como uma pessoa adulta".

Ancelotti se foi, mas deixou o legado. Thiago Silva se consolidou como o capitão do Paris-Saint Germain, posição que manteve até julho de 2020, quando não teve o contrato renovado e transferiu-se para o Chelsea. O técnico, por sua vez, acabou no Real Madrid, onde conquistou a sonhada Liga dos Campeões, que só foi desembarcar em Paris mais de dez anos depois, em 2025.

Próximos jogos da seleção:

  • França (N) - 26/03, 17h - Amistoso

  • Croácia (N) - 31/03, 21h - Amistoso

  • Panamá (N) - 31/05, horário indefinido - Amistoso