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Joelinton foi vendedor de pastel na infância e precisou 'revolucionar' seu futebol até gol na estreia pela seleção

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Pintura! Joelinton anota golaço em treino da seleção brasileira; VEJA (0:26)

Seleção Brasileira enfrenta Guiné em amistoso (0:26)

Autor do gol que abriu o placar em amistoso da seleção brasileira contra Guiné, Joelinton precisou se reinventar para conseguir brilhar na Premier League. Depois de se destacar pelo Hoffenheim, o jogador chegou em 2019 ao Newcastle como uma esperança de gols e o peso de ser a maior compra da história do clube inglês.

O brasileiro recebeu a camisa 9 da lenda Alan Shearer, um dos maiores artilheiros de todos os tempos da Inglaterra. Nas primeiras temporadas, porém, não conseguiu deslanchar no St. James' Park. A situação começou a mudar com a chegada do técnico Eddie Howie na temporada passada, que mudou seu posicionamento para volante.

Apesar de nunca ter jogado antes na função, o brasileiro se destacou fazendo dupla com Bruno Guimarães e ajudou na ótima arrancada que tirou o clube da zona de rebaixamento no Inglês. Eleito o melhor jogador do Newcastle na última temporada, ele demonstrou versatilidade ao ser usado em outras posições, como meia mais avançado e ponta.

Na atual temporada, Joelinton foi um dos pilares da ótima campanha do Newcastle, que conseguiu uma vaga na Champions League após 20 anos. Com isso, entrou no radar do Brasil e acabou recebendo sua primeira chance na convocação para os amistosos de junho.

"Com certeza, sonhando no quarto, imaginando esse momento. Meu primeiro jogo, orgulho grande, sonhando com o tempo de criança, na peneira antes do Sport, caminho até aqui, passou um filme na cabeça. É um sonho, alegria muito grande", disse à TV Globo.

Vizinho de engenho

Joelinton Cassio Apolinário de Lira nasceu na cidade de Aliança-PE e morava ao lado dos engenhos e da usina de cana-de-açúcar. Seu pai trabalhava na Paraíba e passava somente os finais de semana com a família.

"Meu pai nunca deixou faltar nada para gente. Com meus 12 anos eu vendia cachorro-quente e pastel com a minha tia. Nunca precisei fazer outras coisas e gostava muito de jogar futebol", afirmou ao ESPN.com.br.

O jovem fez uma peneira no Sport e foi morar no alojamento do clube. O atacante subiu aos profissionais em 2013, mas só estreou no ano seguinte.

"Foi uma emoção enorme e a realização de um sonho. Estreei em um clássico na semifinal na Copa do Nordeste no estádio do Arruda. Estava bom para gente, estávamos ganhando e com um jogador a mais. Atuei uns 10 minutos na partida. Fomos para a final e depois viramos campeões", contou.

Ele ainda voltou aos juniores depois disso e só se firmou de vez na equipe principal nas últimas sete rodadas do Campeonato Brasileiro.

"Meu primeiro gol foi no jogo contra o Fluminense na Arena Pernambuco, era meu terceiro jogo no Brasileiro. Empatamos por 2 a 2 e joguei bem. Nem sei te explicar a sensação de ter balançado as redes", recordou.

"Fiz alguns bons jogos, mas oscilei bastante por ser jovem. O [técnico] Eduardo Baptista sempre falava para ter calma que iria passar por aquilo. Ele me ajudou demais. Tenho muito carinho e sou grato ao Sport que me abriu as portas", agradeceu.

Após fazer apenas cinco partidas, o jogador foi vendido ao Hoffenheim, da Alemanha, em uma transação que rendeu R$ 7 milhões.

"Eu tive algumas sondagens de clubes no Brasil, mas nunca chegou nada concreto. Quando veio a chance de ir para Alemanha eu pensei muito se era a hora certa. Mas sempre gostei de desafios e resolvi encarar. Era o melhor para mim e minha família", explicou.

Auxílio de Firmino

Antes de decidir seu destino, Joelinton teve uma conversa importante com Roberto Firmino, que foi destaque na equipe alemã antes de se mudar para o Liverpool.

"Ele me falou que era um grande clube com estrutura boa e que o começo foi difícil para ele por causa do clima e idioma. Mas com o tempo eu ia superar se trabalhasse forte", disse o atleta.

Por atuar na frente e pela nacionalidade, o atacante sofreu um pouco com as comparações. "Às vezes falavam que era o ‘novo Firmino' por causa disso, mas tinha que explicar que ele tinha feito a história dele e jogado muito bem, não tinha nada a ver. Disse que minhas características são diferentes das dele dentro de campo e que iria batalhar por meu espaço", analisou.

A primeira temporada no futebol alemão foi difícil para o centroavante, que atuou em apenas uma partida. "Foi um ano mais de adaptação. Joguei só cinco minutos contra o Schalke 04. Aprendi muito, foi bom também", garantiu.

Fora de campo, ele sofria um pouco para conseguir fazer as atividades de um cidadão comum. "Para comer era bem difícil, pedia uma coisa e vinha outra (risos). Depois aprendi umas palavras e deu certo", relatou.

"Eu ia cortar o cabelo tive que ir a três cabeleireiros diferentes. Eu e o Vargas [ex-atacante do Grêmio e atualmente no Atlético-MG] não conseguíamos cortar do jeito que gostávamos. Daí, não ficava bom e éramos zoados pela galera", riu.

Como teve pouco espaço no Hoffenheim, Joelinton foi emprestado por uma temporada ao Rapid Viena para pegar mais experiência, chegando à Europa League.

“Acho que os dois anos que passei atuando no Rapid Viena foram importantes para que eu evoluísse tanto como profissional, como pessoa também. Amadureci muito e aprendi muito taticamente tendo essa experiência para que pudesse voltar ao Hoffenheim com uma bagagem e uma melhor noção do que é o futebol europeu”, contou.

O brasileiro usou a experiência adquirida no período para se firmar como titular e virar destaque na Alemanha. “Foi um momento especial e uma sensação de que o trabalho na Áustria foi realizado com sucesso”, disse.

Além de voltar mais maduro, Joelinton conseguiu quebrar a barreira da comunicação, que o atrapalhou na primeira passagem pelo país. Isso o ajudou a deslanchar na Bundesliga e a se destacar na temporada 208/2019, com 11 gols em 35 partidas.