Brasil enfrenta a Suíça no Estádio 974, que foi feito com contêineres e será desmontado após Copa do Mundo do Qatar
O Brasil entra em campo nesta quinta-feira, às 13h (horário de Brasília), contra a Suíça em uma das arenas mais curiosas da Copa do Mundo do Qatar. O Estádio 974 foi construído com contêineres e será todo desmontado após o Mundial, possibilitando sua reutilização em outros lugares do mundo.
Mas há outra curiosidade para a seleção brasileira: o 974 fica em uma zona portuária de Doha, à beira mar, e a poucos quilômetros dele está ancorado um dos luxuosos navios que hospedam também vários familiares de jogadores durante o período da Copa – ao todo, a mesma empresa ainda tem outros dois cruzeiros no mesmo porto para receber torcedores.
Do Brasil, são três famílias de atletas no "MSC World Europa", que pode ser visto de uma das entradas laterais do estádio: a do zagueiro e capitão Thiago Silva, a do meio-campista Fred e a do lateral Alex Telles (com exceção de sua esposa, grávida, que está em um hotel).
Em 2022, a CBF não cuidou das logísticas das famílias dos jogadores e apenas apresentou opções através de uma agência de viagens. Coube aos familiares, então, escolherem o melhor lugar para ficar no Qatar de acordo com suas necessidades e também arcar com os custos da hospedagem.
Para quem optou pelo navio, a diária mais barata era de 1.240 rials (R$ 1.842 na cotação atual). Os quartos mais luxuosos do cruzeiro, porém, saiam por 9.240 rials (equivalente a R$ 13.729).
O navio é novo e foi inaugurado uma semana antes do início da Copa do Mundo, já ancorado em Doha. É uma das opções oficiais de acomodação da organização para o Mundial, assim como um segundo navio da companhia – o terceiro também está na região, mas não teve pacotes comercializados pelo Qatar, mas sim diretamente pela empresa.
O cruzeiro com familiares tem impressionantes 2.633 cabines, com capacidade para 6.762 passageiros, além de uma equipe a bordo com 2.138 pessoas. Para o lazer durante a Copa, há seis piscinas, 33 restaurantes e bares, teatros, um parque de diversões e ainda um tobogã com 75 metros de altura na área interna da embarcação.
Para os jogos da Copa, há também telões espalhados pelo navio, o principal deles próximo à piscina, onde os torcedores têm se reunido para assistir às partidas – na derrota da Argentina para a Arábia Saudita, por exemplo, houve muita provocação de brasileiros (incluindo os familiares de Thiago Silva), mas, depois contra o México, foram os argentinos que "tomaram" o local com suas bandeiras.
Na Copa em que há restrições para a compra de bebidas alcóolicas, no navio, elas também são liberadas – desde que se pague (caro) por isso. É possível adquirir pacotes já com uma quantidade inclusa, por exemplo, ou comprar de maneira avulsa em alguns dos restaurantes ou bares. Um copo de cerveja custa 16 dólares (mais de R$ 80, cerca de R$ 5 acima do preço da Fan Fest no Qatar).
Não são apenas as famílias de jogadores do Brasil que escolheram o luxuoso navio para passarem o período do Mundial. Na Inglaterra, por exemplo, as esposas, namoradas e outros familiares dos zagueiros Harry Maguire e Conor Coady, do goleiro Jordan Pickford, dos laterais Luke Shaw e Kyle Walker e do meia Jack Grealish também estão hospedadas nele.
Já o "vizinho" 974, palco de Brasil x Suíça, ganhou esse nome pelo número exato de contêineres usado em sua construção. O número é também o código internacional de telefone do Qatar. Sua capacidade é para 44.089 pessoas.
Será o primeiro estádio na história da Copa do Mundo da Fifa que poderá ser totalmente desmontado após o torneio. É também o único dos oito do Qatar que não tem ar condicionado, já que foi projetado de maneira a possibilitar a ventilação natural.
Um dos possíveis destinos já apontados para a estrutura do Estádio 974, após ele ser desmontado, é que parte vá para o Uruguai, caso prospere a candidatura conjunta do país com Argentina, Chile e Paraguai para receber a Copa do Mundo de 2030.
