Como Rodrygo virou '10' no Real Madrid, gostou e agora pode resolver problema de Tite sem Neymar

Rodrygo começou a carreira profissional como atacante pelos lados do campo, mas tem se adaptado no Real Madrid


Desde que chegou ao Real Madrid, Rodrygo vem encantando quem o acompanha no dia a dia. Na Espanha, nunca houve dúvida sobre seu talento, mas a comissão técnica de Carlo Ancelotti teve uma percepção para esta temporada: para realmente explodir, o jovem deveria atuar centralizado, como só havia feito nas categorias de base no Santos. É nessa posição que ele tem grande chance de ser titular da seleção brasileira na Copa do Mundo com a ausência de Neymar.

Quando surgiu entre os profissionais no Brasil com apenas 16 anos, Rodrygo atuava principalmente como ponta-esquerda. Brilhou tanto que o Real pagou 45 milhões de euros (quase R$ 200 milhões de euros na cotação da época) para contratá-lo em 2018 e recebê-lo em Madri no ano seguinte.

Logo de cara, Rodrygo apresentou suas credenciais ao se tornar o primeiro nascido no século 21 (ele é de 2001) a marcar pelo Real. Conseguiu também um hat-trick na Champions League logo depois. Mas, como era de se esperar, as primeiras temporadas foram muito mais de adaptação do que de protagonismo, algo que começou a mudar em 2021/22 e ainda mais em 2022/23.

Na última temporada, por exemplo, Rodrygo foi decisivo em momentos cruciais da campanha do título da Champions, com o ápice nos dois gols que iniciaram a virada nos minutos finais contra o Manchester City na semifinal – ele já havia marcado também nas quartas contra o Chelsea.

"Sempre foi um cara que iluminou meus olhos. Quando toca na bola, é um prazer ver jogando. Pode chamar de craque. São poucos que Deus deu o dom, são poucos que, quando tocam na bola, é bonito de assistir. Para quem gosta de futebol, é um prazer ver jogar", se derreteu Casemiro, que foi companheiro de Rodrygo no Real Madrid e hoje está no Manchester United.

Coincidiu com a evolução de Rodrygo a chegada de Ancelotti ao comando técnico, em 2021, substituindo Zinedine Zidane. O italiano, que é também uma das inspirações de Tite como treinador, não se cansa de elogiar o jovem brasileiro e não tem dúvidas: ele não deve ser um ponta.

"Creio que o Rodrygo tem uma grande projeção como centroavante ou por trás do 9, mais do que como ponta, que não é sua melhor posição, porque é muito forte para se desmarcar, buscar o drible em espaços reduzidos. O vejo mais como meia ou atacante do que como ponta no futuro”, disse ele, em entrevista concedida no último mês de novembro, antes de contra o Rayo Vallecano, em LaLiga.

Foi um mês antes dessa fala que Rodrygo teve uma de suas melhores atuações sendo algo mais próximo de um camisa 10 no Real, em vitória sobre o Shakhtar Donetsk, por 2 a 1, na Champions. O brasileiro fez um gol e deu uma assistência, saindo de campo como destaque da partida.

"Agora jogo em todas as posições do ataque. E me adapto bem. Só quero ser titular sempre que possível. Agora jogo de 9, atuando como 10 e gosto muito de estar ali. Tenho mais liberdades de movimentos, posso estar entre linhas e piso mais na área para buscar o gol. Prefiro jogar por dentro, porque pelos lados estou mais longe do gol, embora também goste de buscar o fundo, um cruzamento. Mas o que mais gosto é jogar de 10", disse ele, em entrevista recente ao "As".

O contexto do Real Madrid também ajudou para essa mudança de posicionamento. Vinicius Jr. se consolidou pela esquerda, inicialmente no lugar que poderia ser de Rodrygo. Pela direita, onde ele também chegou a jogar, foi Fede Valverde quem virou "dono" da posição.

Nesta temporada, Rodrygo é o líder em assistências do Real Madrid, com 5, e criou o mesmo número de chances, por exemplo, do que Luka Modric, com 24. Fora isso, já foram 7 gols marcados.

Na seleção, Rodrygo chegou a dizer que seria difícil jogar como 10 pela presença de Neymar. Mesmo antes da lesão do craque do PSG, porém, ele fez diversos trabalhos táticos sob o comando de Tite fazendo justamente essa função. São credenciais que o põem como favorito para iniciar contra a Suíça, na próxima segunda-feira (28), mantendo a estrutura do time que venceu a Sérvia – Fred é o outro concorrente mais forte por um lugar entre os 11.

Na estreia no Qatar, quando Neymar se lesionou, Rodrygo já estava em campo, atuando como ponta. Antony entrou no lugar do camisa 10, e o jovem do Real foi centralizado. A definição se será ele mesmo o titular contra a Suíça deve acontecer neste domingo, quando o Brasil faz seu último treino antes de ir a campo na segunda, no Estádio 974, às 13h (horário de Brasília).