OPINIÃO: De mais admirado a piada; falta de democracia mata com crueldade o São Paulo

Veja trecho de texto publicado em abril de 1982, no jornal O Estado de S. Paulo.

“José Douglas Dallora foi eleito ontem à noite o presidente do São Paulo numa reunião onde praticamente tudo já estava programado. Primeiro, o Conselho Deliberativo do clube escolheu seu presidente, João Brasil Vita. A seguir, Dallora como candidato único foi empossado no novo cargo”.

Agora pule para 2023, em texto do ESPN.com.br.

“Julio Casares foi reeleito presidente do São Paulo na noite desta sexta-feira. A votação foi uma mera formalidade, uma vez que o atual mandatário tricolor não enfrentou um concorrente pelo cargo – a oposição não lançou um candidato. Olten Ayres de Abreu Jr, atual presidente do Conselho Deliberativo, também se reelegeu”.

O São Paulo, o clube que eu tinha um misto de inveja e admiração e tinha tudo o que eu queria que meu time fosse, virou uma piada, e até o orgulho de nunca ser rebaixado corre risco.

E os trechos de textos publicado há mais de 40 anos e há dois anos ajudam e explicar a mais dolorosa derrocada de um clube brasileiro.

O mundo mudou. O Brasil mudou.

Em 1982, o país não tinha eleições diretas para presidente. Hoje, apesar de tantos problemas, é um exemplo de democracia com eleições livres e limpas.

Mas o São Paulo continua elegendo seus presidentes como uma ditadura de quinta categoria.

Não que outros clubes do país sejam grandes exemplos, mas na maioria esmagadora deles pelo menos os sócios votam.

Não é assim no São Paulo. Apenas 260 conselheiros escolhem o presidente. E nada menos do que 160 deles são vitalícios. Eles podem formar maioria e "matar" qualquer chance de novidade no Morumbis.

O São Paulo já foi vanguarda.

Se transformou no atraso, no paraíso da pequenez política que transforma Festa Junina em palco para conchavos dos que sempre mandaram, mandam e vão mandar no clube.

Se você acha que democracia de verdade é bobagem, veja o que acontece no São Paulo.