As ruas pouco movimentadas e a simpatia da população são traços típicos do interior de São Paulo. Mas a tranquilidade de Novo Horizonte, de apenas 38 mil habitantes, está com os dias contados.
Domingo (08), às 20h30 (de Brasília), a cidade vai receber o maior jogo de sua história: a decisão do Campeonato Paulista entre Novorizontino e Palmeiras.
A reportagem da ESPN está em Novo Horizonte para acompanhar a movimentação. O clima é de otimismo entre os torcedores, mesmo com a derrota por 1 a 0 na ida.
“A gente está vibrante e confiante. Ainda mais depois da primeira partida. Temos certeza (do título)”, disse a torcedora Larissa Correa.
A final mexe também com o comércio local, principalmente no setor de alimentação. Dagoberto é torcedor do Novorizontino e dono de uma famosa loja de salgados perto do Estádio Jorge Ismael de Biasi.
“Nas partidas grandes a gente tem um movimento muito maior”, comemorou.
O prefeito de Novo Horizonte, Fabiano Belentani, destacou a importância no futebol para a cidade.
“A renda da cidade aumenta por causa do turismo. As pessoas consomem aqui em bares, restaurantes e hotelaria. É muito importante para nós”.
As principais atividades econômicas de Novo Horizonte, fundada em 1917, são as usinas de cana-de-açúcar e a pecuária, fontes de renda da família Biasi, dona da SAF do Novorizontino. No entanto, foi o sucesso do clube que deixou a cidade famosa.
“O time é especial e leva o nosso nome pelo Brasil. As pessoas visitam a nossa cidade por causa do clube e conseguimos atrair novos investidores. É a nossa joia”, afirmou o prefeito.
Nos últimos anos, não foi apenas o futebol que deu orgulho aos moradores. Os alunos da rede municipal faturaram diversas medalhas em olimpíadas escolares. Além disso, a cidade abriga muitos cavalos de rodeio que já foram premiados em competições importantes no país.
Logística e moradia
Novo Horizonte é o oposto das grandes metrópoles urbanas, onde ficam os principais times do Brasil. Distante 410 km da capital, ela não tem shoppings centers, cinemas e baladas. São apenas quatro prédios, oito semáforos e uma linha de ônibus circular (gratuito) que funciona nos horários de maior movimento.
A logística para os jogos fora de casa é uma das principais preocupações. O aeroporto mais próximo fica em São José do Rio Preto (93 km de distância), que tem uma quantidade de voos limitados por dia. Além disso, muitas vezes é necessário fazer escalas em outros locais.
Por isso, convencer jogadores a defender a equipe não foi fácil no começo. Mas o trabalho sério, indo na contramão de muitos outros clubes no país, foi fundamental para a equipe crescer com o passar dos anos.
"Já foi uma dificuldade no passado, mas melhoramos a estrutura e as condições de trabalho. Todos moram em casas muito boas na cidade ou na região próxima. Eles ficam bem acomodados. Antes de se mudarem, mandamos as fotos das casas e as esposas vão muito conscientes do que vai ser entregue. O clube tem sido um atrativo porque é bem pago e bem cuidado numa equipe vencedora. Saem jogadores daqui para o mundo todo", comentou o presidente do Novorizontino, Genilson Rocha.
A qualidade de vida hoje virou um grande aliado para as famílias dos atletas. O clube paga os salários em dia e a pressão da torcida é muito menor se comparada com os clubes de massa.
Tomar sorvete, caminhar na Praça da Fonte - antigamente um tradicional local de paquera para os jovens - ou comer em algum restaurante são os passeios mais comuns.
“A cidade é um pouco isolada porque fica no meio dos canaviais, mas é muito acolhedora. Ela é muito boa para se morar e vive o Novorizontino. Quando queremos fazer algo diferente vamos para Rio Preto. De vez em quando também fazemos churrascos nas casas dos companheiros de time”, contou o volante Léo Naldi.
História no esporte
Além do Jorge de Biasi, inaugurado em 1987, Novo Horizonte tem outro estádio: o antigo Josué Quirino, que recebia as partidas profissionais e atualmente é palco de jogos amadores.
Apaixonada por futebol, a cidade já teve anteriormente outros dois times profissionais: o Clube Atlético Novo Horizonte e o Grêmio Esportivo Novorizontino, que foi vice-campeão paulista em 1990 e encerrou as atividades em 1999. O hiato de 11 anos sem clubes até a fundação do atual Grêmio Novorizontino doeu no coração dos torcedores.
“Foi um período muito complicado porque acabou a nossa alegria, mas voltamos com força total! Agora a gente está vivendo de novo essa felicidade de estar numa final”, enalteceu o torcedor Frank Juviniano.
“Muitas pessoas foram torcer para outros times, mas depois da volta do Grêmio (Novorizontino) estamos todos de preto e amarelo”, reforçou Larissa.
A cidade, que bateu na trave 36 anos atrás, quer finalmente sentir o gosto de ser campeã.
