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Final caipira? O que mudou em Bragantino e Novorizontino 34 anos após decisão histórica no Paulista

Pedro Caixinha e Eduardo Baptista, técnicos de Red Bull Bragantino e Novorizontino Montagem/Thiago Ribeiro/Jefferson Aguiar

O Campeonato Paulista de 2024 começa a conhecer seus finalistas nesta quarta-feira (27). Palmeiras e Santos, donos das melhores campanhas, entram na semifinal como inegáveis favoritos, mas uma coincidência do passado pode acabar em uma decisão entre dois times do interior – mas não exatamente os mesmos de 34 anos atrás.

Em 1990, Bragantino e Novorizontino disputaram a famosa "final caipira" do estadual mais rico do Brasil. Com dois empates por 1 a 1, o time de Bragança Paulista levou a melhor e ficou com o título, o terceiro da carreira de Vanderlei Luxemburgo, que bateu o "rival" Nelsinho Baptista, treinador do vice-campeão.

Muita coisa mudou de lá para cá. O Novorizontino encerrou as atividades em 1999 para dar lugar ao Grêmio Novorizontino, fundado 11 anos depois. Por outro lado, o Bragantino não acabou, mas foi comprado pela Red Bull em 2019, que repaginou o distintivo, os uniformes e o estádio em troca de uma injeção financeira que recolocou o clube em evidência no país.

Mas as mudanças não apagam a história escrita no passado, que revelou treinadores que fariam muito sucesso nas décadas seguintes e também deu espaço a jogadores com carreiras importantes.

"O Vanderlei tem uma grande parcela desse título", contou o ex-volante Pintado, que deixou o Bragantino da época para ser campeão do mundo pelo São Paulo em 1992.

"Foi ele quem selecionou os jogadores, definiu o sistema de jogo, conseguiu tirar o melhor de cada um. Talvez tenha sido o melhor momento da carreira de todos nós, e os resultados não aconteceram por acaso. Em Bragança nós éramos uma equipe praticamente imbatível", completou.

No Novorizontino, existe um elo entre o time de 1990 e o atual. Eduardo Baptista, atual comandante do Tigre, é filho de Nelsinho, de quem foi preparador físico antes de iniciar carreira solo. O pai acompanha o sucesso de perto e só tem elogios.

"Tenho acompanhado os jogos do Paulistão, principalmente do Novorizontino. Acho que o Eduardo está bem seguro, os jogadores estão acreditando no trabalho", destacou Nelsinho à ESPN, para depois apontar diferenças entre as épocas.

"O que melhorou bastante é que os clubes estão se planejando para disputar o Paulista, principalmente com calendário o ano todo. Antes os clubes montavam um grupo apenas para disputar o Paulista, hoje a maioria tem um calendário durante o ano todo. Isso ajuda na contratação de atletas".

Além do Paulistão, o Red Bull Bragantino vai disputar o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a CONMEBOL Sul-Americana, enquanto o Novorizontino tem pela frente a Série B. Os times da década de 1990 não possuíam calendário assim.

"Naquela época só tínhamos o Estadual. É uma situação que não existe mais. Hoje temos calendário e é importante para que a gente mantenha a regularidade", afirmou Luís Carlos Goiano, volante na campanha do vice-campeonato e hoje coordenador técnico do Novorizontino.

Para que a "final caipira" volte a acontecer, o Red Bull Bragantino precisa eliminar o Santos nesta quarta-feira (27), às 20h30, na Neo Química Arena, e o Novorizontino passar pelo Palmeiras na quinta (28), às 21h34, no Allianz Parque.

A última vez que o Paulistão foi decidido sem a presença de um grande - Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos - foi em 2004, quando São Caetano e Paulista de Jundiaí fizeram a final. O Azulão levou a melhor e ficou com o título.