Diretor do Palmeiras diz que STJD usa figura de Abel de 'forma arbitrária' e cobra: 'Que possam ter a mesma postura com todos'

Abel Ferreira durante jogo entre Bahia e Palmeiras, pelo Brasileirão Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15), logo após o julgamento do técnico Abel Ferreira no Tribunal Pleno do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), o diretor de futebol do Palmeiras, Anderson Barros, criticou a decisão tomada pelos auditores.

O resultado do julgamento foi que Abel teve sua suspensão diminuída de oito para sete partidas. No entanto, o português ainda terá que ficar fora de mais quatro duelos, já que cumpriu três (dois automáticos pelos vermelhos e um de gancho contra o Corinthians, pelo Brasileirão). Como o Pleno é a última instância da Justiça desportiva, não cabem mais recursos.

Dessa forma, o comandante perderá as partidas contra Athletico-PR, Red Bull Bragantino e Santos, pela Série A, e Jacuipense, pela Copa do Brasil.

Barros descreveu a decisão do tribunal como "extremamente equivocada e arbitrária" e salientou que nunca a Justiça desportiva havia aplicado pena similar para o artigo em que Abel foi denunciado.

O dirigente ressaltou que o Alviverde "respeitará a decisão" da corte, mas pediu que o STJD também seja rígido em outros casos similares.

"Eu acho que o mais importante agora é, primeiro, cobrar sempre do STJD e das Comissões Disciplinares a mesma postura que eles tiveram com o Abel. Não concordamos, achamos extremamente equivocada e arbitrária, mas esperamos que eles possam ter agora o mesmo tipo de postura com todos os que cometerem qualquer tipo de infração, seja contra arbitragem, entidades ou quem quer que seja", apontou.

"Eles precisam ter sempre esse tipo de postura. Estão usando a figura do Abel para uma mudança, mas é importante registrar que é uma postura extremamente arbitrária, até pelo fato que ocorreu no jogo e não tinha necessidade desse tipo de pena", seguiu.

"Acho que estão equivocados. Mas vamos respeitar, como sempre fizemos. Não concordamos com o tipo de postura adotada, principalmente do STJD. Nesse jogo que ele foi julgado [São Paulo x Palmeiras], ele levou dois amarelos e usou a expressão 'cagão'. Não houve ofensa à honra de nenhum profissional, de nenhum árbitro, e não havia necessidade de ter um julgamento dessa forma, como sustentamos em nossa defesa", reforçou.

"Não existe nenhum precedente na história da Justiça desportiva de uma punição dessa forma. Isso foi dito até mesmo por um dos auditores. O que a gente espera é que eles repitam isso com todos, mas, como vimos hoje em outros casos, eles não usaram as mesmas medidas", criticou.

"Repito: hoje, o STJD foi extremamente arbitrário, como já havia sido a 2ª Comissão Disciplinar. Espero que possam continuar com esse tipo de postura. Estive presente em todo o julgamento e em nenhum dos outros casos eles tiveram a mesma conduta que tiveram com Abel Ferreira. O Palmeiras é um clube extremamente responsável, vai aceitar esse tipo de punição e vai dar seguimento ao trabalho, como tem feito nos últimos anos", concluiu.

Como foi o julgamento de Abel

Abel foi julgado duas vezes nesta quarta: uma pela expulsão contra o Fluminense, que gerou originalmente uma pena de duas partidas, e outra pelo vermelho contra o São Paulo, que levou ao gancho de seis duelos.

Na primeira avaliação, o treinador teve o recurso parcialmente aprovado por maioria dos votantes, com sua pena sendo reduzida para um jogo. Veja os votos:

  • Marcelo Augusto Bellizze (auditor) - reduzir suspensão para uma partida, sem conversão para advertência

  • Marco Aurélio Choy (auditor) - reduzir suspensão para uma partida, sem conversão para advertência

  • Luiz Felipe Bulos (auditor) - reduzir suspensão para uma partida, sem conversão para advertência

  • Mariana Barreiras (auditora) - manter suspensão em duas partidas

  • Luís Otávio Veríssimo (presidente) - manter suspensão em duas partidas

Já na segunda, o português teve recurso negado por maioria dos votantaes, com a pena sendo mantida em seis partidas. Veja os votos:

  • Mariana Barreiras (auditora) - manter suspensão em seis partidas

  • Luiz Felipe Bulos (auditor) - reduzir suspensão para duas partidas

  • Marco Aurélio Choy (auditor) - manter suspensão em seis partidas

  • Antonieta da Silva (auditora) - manter suspensão em seis partidas

  • Marcelo Augusto Bellizze (auditor) - reduzir suspensão para quatro partidas

  • Luís Otávio Veríssimo (presidente) - manter suspensão em seis partidas

Vale lembrar que os julgamentos do STJD só têm validade para partidas nacionais - ou seja, mesmo com os ganchos, Abel segue liberado para estar em campo em compromissos da CONMEBOL Libertadores.

Próximos jogos do Palmeiras: