O brasileiro Zé Ricardo tem vivido uma experiência nova na trajetória como treinador: ele assumiu, no último dia 3, o comando do Sporting Cristal, do Peru, que vai enfrentar o Palmeiras pela segunda rodada da fase de grupos da CONMEBOL Libertadores nesta quinta-feira (16), às 19h (de Brasília), na casa alviverde.
E foi justamente no agora antigo Allianz Parque, que ainda vai receber um novo nome após acordo da WTorre com o Nubank para os naming rights do estádio, que o técnico viveu a primeira grande decisão da carreira. Foi há uma década, em 2016, no mesmo ano em que se tornou técnico do time principal do Flamengo.
Naquela temporada, Zé Ricardo era comandante da equipe sub-20 do Rubro-Negro. Em maio, após a saída de Muricy Ramalho, ele foi para o time principal, como interino, até ser efetivado em julho, tendo a primeira experiência na função que exerce até os dias de hoje.
Em setembro daquele ano, em confronto direto contra o Palmeiras na briga pelo título do Campeonato Brasileiro, o então novato foi obrigado a tomar uma decisão difícil, mas que rendeu moral com o grupo flamenguista.
À ocasião, o Alviverde liderava a competição com 48 pontos. O Flamengo, com 47, era o vice-líder. O confronto no estádio do Palmeiras se desenhou ainda mais complicado para os cariocas logo no primeiro tempo, aos 39 minutos, quando Márcio Araújo foi expulso.
Zé Ricardo, na tentativa de reconstruir o meio-campo da equipe, optou por substituir Diego Ribas, estrela da equipe, por Cuellar. Ele poderia ter mexido em nomes menos badalados, como Gabriel, Everton e Leandro Damião, mas não se intimidou e tirou a estrela da companhia. Mesmo com um a menos, o Flamengo abriu o placar aos 17 minutos do segundo tempo, com Alan Patrick, e só levou o empate aos 37, saindo com um ponto.
"Foi um momento em que, apesar de toda a polêmica, de tirar um ídolo, um craque como o Diego, ele foi muito generoso. Lógico que ele ficou chateado, porque era um jogo que poderia nos dar a liderança naquele momento se a gente vence. O Palmeiras, do Felipão, do Gabriel Jesus, do Mina, era uma grande equipe", disse Zé Ricardo, em entrevista exclusiva à ESPN.
"É uma lembrança bem positiva e que certamente marcou a minha carreira, porque foi uma decisão polêmica, mas embasada de muito critério na parte tática. O Diego estava vindo de uma pequena lesão e, naquele momento, precisávamos fechar o lado esquerdo do campo, e o Diego não teria aquela capacidade toda de fechar fisicamente ali o lado do campo. Ele entendeu, depois a gente conversou", contou.
"Me lembro que um dos primeiros jogadores que me receberam no vestiário quando o jogo acabou foi o próprio Diego. Ele me deu um abraço. Nós nos falamos até hoje. É uma pessoa que tem um nível muito acima e certamente saiu chateado, porque queria jogar um grande jogo, mas entendeu que, além da questão da relação treinador e atleta, aquilo foi importante para a equipe", completou.
O Flamengo terminou a competição em terceiro lugar, com 71 pontos, atrás do Santos, com os mesmos 71, e do Palmeiras, que foi campeão, com 80. Mesmo sem o título, aquele jogo seguiu marcante para o ex-técnico do Rubro-Negro.
"O treinador tem que tomar decisões o tempo todo. Nós somos tomadores de decisões, às vezes em um espaço de tempo muito curto, mas ali foi de forma bem criteriosa. Foi, taticamente, para a gente organizar melhor a equipe, se defender bem, mas sem abrir mão do ataque. Foi a melhor maneira, foi a melhor decisão a tomar. Logicamente que o Diego poderia, em uma bola, também nos ajudar e definir, mas a gente não vai entrar no caso de suposições", analisou Zé Ricardo.
"A equipe ali era muito comprometida também, mesmo quando eu era um treinador ainda interino. Todos entenderam muito bem, compraram a ideia, como a gente fala na gíria. E certamente é um grupo especial, que eu guardo com muito carinho, não só por ser o primeiro, mas por ter sido recebido".
"Foi uma competição muito desgastante para a gente. A gente não tinha o Maracanã, só tivemos o Maracanã perto do fim (por conta das Olimpíadas). Viajamos muito durante aquele ano todo, um desgaste que acabou apagando o seu preço na reta final da competição. Mas certamente foi um início de uma era diferente para o Flamengo. A partir daquele ano, o Flamengo nunca mais deixou de participar de uma Libertadores e se tornou a potência que a gente sabia que podia se tornar, que estava no caminho e que é até hoje", finalizou.
Próximos jogos do Flamengo:
Independiente Medellín (C) - 16/04, 21h30 (de Brasília) - CONMEBOL Libertadores - Transmissão no plano premium do Disney+
Bahia (C) - 19/04, 19h30 (de Brasília) - Brasileirão
Vitória (C) - 22/04, 21h30 (de Brasília) - Copa do Brasil
Próximos jogos do Palmeiras:
Sporting Cristal (C) - 16/04, 19h (de Brasília) - CONMEBOL Libertadores
Athletico-PR (C) – 19/04, 18h30 (de Brasília) – Brasileirão
Jacuipense (C) - 23/04, 19h30 (de Brasília) - Copa do Brasil
