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Do 'Italiano é ridículo' a 'atletas que não jogam nem Série B': as marcas (e mágoas) que a Itália deixou em Renato antes de Inter x Fluminense

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Mundial de Clubes: O que o Fluminense pode fazer para superar a Inter de Milão nas oitavas? Veja análise (1:23)

Inter de Milão e Fluminense se enfrentam na segunda-feira (30), às 16h (Brasília), pelas oitavas do Mundial (1:23)

Nesta segunda-feira (30), o Fluminense encara a Inter de Milão pelas oitavas de final do Mundial de Clubes, em duelo que pode ser visto no Disney+ com transmissão ao vivo da Cazé TV e sem custo adicional.

O confronto traz à tona lembranças, a maioria delas não tão boa do técnico do Tricolor, Renato Gaúcho, que teve uma passagem pelo futebol italiano repleta de expectativa, polêmica e ressentimento com a camisa da Roma.

Renato desembarcou na Itália em junho de 1988, vindo do Flamengo, com pompa de super astro e a missão de substituir Zbigniew Boniek, ídolo da torcida romanista. À época, a Serie A era considerada o campeonato mais competitivo e técnico do planeta. E a chegada do brasileiro foi cinematográfica: pouso de helicóptero, com jeans branco, óculos escuros e a camisa da Roma no peito.

"Quando o vimos aterrissar, pensamos: aqui chegou um fenômeno", lembrou Bruno Conti, jogador do clube à época, em entrevista à Rai Sport. "Todo mundo dizia: é o craque que vai carregar a Roma."

Dois mil torcedores estavam presentes no CT para recepcioná-lo, cantando: "Com Renato Portaluppi, acabaram-se os tempos sombrios!"

O entusiasmo não era apenas da torcida. O então presidente do clube, Dino Viola, rasgava elogios e chegou a fazer comparações com astros de outras equipes:

"É a pedra fundamental de um novo estilo de jogo. Renato é pura classe. Ele será para a Roma o que Gullit é para o Milan — com a diferença de que é tão bom quanto Maradona."

Já o técnico Nils Liedholm foi mais direto: "É o Gullit branco."

Renato retribuiu o otimismo:

"Todos dizem que é preciso ter medo do Milan, mas eu não tenho medo de ninguém. Respeito todos os meus adversários, mas estou acostumado a vencer e a superar obstáculos — e é isso que quero fazer em Roma. Vou jogar em um time que briga pelo Scudetto, porque sei que terei companheiros muito fortes. O Napoli tem Careca e Alemão, mas eu não temo nomes, assim como não ligo para os comentários sobre mim."

Mas o conto de fadas virou filme de terror. A passagem de Renato pela Roma durou apenas 23 jogos, com cinco gols, até que decidiu retornar ao Flamengo.

Na época, ele não escondia as mágoas pela experiência que teve na capital italiana: "A Serie A é um campeonato ridículo", disse em entrevista para a Placar em uma pergunta sobre Juventus e Inter. "Roma? Melhor nem tocar no assunto."

Anos depois, Renato Gaúcho acusou dois companheiros — Giuseppe Giannini e Daniele Massaro — de boicotarem sua passagem por Roma, ao supostamente evitarem lhe passar a bola.

"Giannini me arruinou na Roma. Ele foi contra mim. Na Série A, há jogadores que, tecnicamente, nem jogariam na Série B do Brasil. Por que o verdadeiro Renato não foi visto na Itália? Pergunte ao Massaro e ao Giannini, que nunca me passaram a bola. Como eu poderia me destacar se fosse excluído do jogo? A esses dois elementos, eu acrescentaria o presidente Viola, que nunca me defendeu."

A frase teve consequências, e a resposta de Giannini foi dura, em entrevista à Gazzetta dello Sport:

"Nunca tive problemas com Renato. Só houve um episódio em campo, quando num dérbi, levamos um gol de Di Canio (ex-atacante da Lazio) e eu reclamei por ele não ter voltado para ajudar a defesa. Ele me respondeu: 'Sou atacante, não tenho que voltar para ajudar a defesa", iniciou o ex-meia.

"Ele era um cara legal, às vezes não era muito educado, mas não quero criar inimizade. Joguei 16 anos na Roma, e acho que ele foi o único jogador durante toda a minha carreira que vi chegar bêbado aos treinos matinais. Em muitas ocasiões, (Nils) Liedholm (treinador da Roma) o levava para o vestiário para pingar colírio em seus olhos", contou.

"Tenho muito respeito por Renato, que agora é treinador e está fazendo grandes coisas, mas acho que ele exagerou (ao dizer que não recebia a bola de Giannini e Massaro). Fico triste, porque naqueles tempos difíceis de Roma, eu foi um dos poucos que lhe deu apoio. Como capitão, era a coisa certa a fazer", finalizou.

Onde assistir a Inter de Milão x Fluminense?

Inter de Milão e Fluminense se enfrentam nesta segunda-feira (30), às 16h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela CazéTV, disponível sem custo adicional no Disney+.