De R$ 65 milhões em luvas a 'geladeira': como clubes da Europa frearam gastança e agora querem barrar 'gananciosos'

Nova realidade financeira mundial transformada pela pandemia da COVID-19 e o aumento no custo de vida atingiram alguns jogadores no momento de negociarem contratos


O nome não será revelado nesta reportagem, mas há um jogador da Premier League sem contrato e ainda à espera de uma oferta de 10 milhões de libras (R$ 65 milhões) antes de acertar com um novo clube. Porém, faltando um pouco mais de duas semanas para o começo da nova temporada, ainda não existem interessados.

O argentino, Paulo Dybala, nesse meio tempo, acabou de completar sua transferência para a Roma de José Mourinho depois que seu contrato com a Juventus chegou ao fim.

Pessoas próximas ao argentino disseram que ele esperava por uma oferta da Premier League ou LaLiga, mas colocou seu preço muito acima do que o mercado avaliava e teve que se contentar em deixar o quarto colocado na última edição do Italiano, com Champions League, para se juntar ao sexto melhor time da última Serie A, que terá pela frente a Europa League. Paul Pogba pelo menos garantiu que irá disputar a Champions League ao deixar o Manchester United, sexto colocado na última temporada da Premier League, para vestir as cores da Juventus. Mas foi pouco quando pensamos que o francês queria mesmo ir para o Real Madrid, retornando para uma Vecchia Signora em declínio, seis anos após deixar o time em uma transferência de 89 milhões de libras.

É um exemplo ruim de 'se dar bem' estando livre no mercado.

Desde o ‘Caso Bosman’, em 1995, quando Jean-Marc Bosman venceu um processo para revogar o direito de um clube manter o controle sobre a carreira de um jogador mesmo depois do fim de contrato, existe um grande número em atletas livres no mercado de transferência.

Os clubes podem contratar craques sem ter que pagar altos valores, enquanto o jogador pode negociar um salário maior com uma nova equipe, uma vez que sua contratação não impactará tanto nos cofres.

Mas ao contrário do que o nome indica, contratações gratuitas não são de graça. O motivo? As exigências altas e salários inflacionados.

A tendência é que nesta janela, financeiramente, aconteça uma correção no mercado.

“Empresários e jogadores estão ficando gananciosos”, disse um executivo da Premier League à ESPN. “Sabemos de um jogador sem contrato que está pedindo 10 milhões de libras para assinar, mas nenhum clube está interessado em chegar nesse valor”.

“Os clubes estão tentando pagar menos em transferências, mas também estão querendo diminuir sua folha salarial, então os dias de jogadores livres negociando grandes valores para assinar contratos acabaram. Só os grandes craques conseguirão fazer isso”.

“Existem vários jogadores livres no mercado, mas todos querem quantias exorbitantes. É por isso que você provavelmente verá alguns grandes nomes indo para a Arábia Saudita ou Qatar no mês que vem”.

Alguns jogadores já completaram suas transferências nesta pré-temporada. Dybala e Pogba são dois dos mais conhecidos, mas Gareth Bale (LAFC), Christian Eriksen (Manchester United), Angel Di Maria (Juventus) e Antonio Rudiger (Real Madrid) também foram para outros clubes. Alexandre Lacazette (Lyon), Nemanja Matic (Roma), Divock Origi (Milan), Andreas Christensen e Franck Kessié (ambos do Barcelona) também vão vestir novas cores.

Desses jogadores mencionados, apenas Eriksen e Rudiger podem dizer que subiram de nível. O restante...

...ou trocaram 'seis por meia dúzia', ou deram um passo atrás. Mas pelo menos encontraram um novo clube.

Juan Mata, Edinson Cavani, Isco, Andrea Belotti, Adnan Januzaj e outros estão buscando um novo clube desde 30 de junho sem sucesso até agora.

Talvez não seja surpresa que Mata e Cavani, que está em conversas com o Villarreal, ainda não tenham encontrado um novo destino por conta de seus pomposos salários no United.

Deixar Old Trafford por um clube não tão rico vai exigir uma diminuição substancial em suas expectativas salariais, e o mesmo vale para e Isco (Real Madrid).

Por outro lado, Ousmane Dembelé, que ficou sem contrato com o Barcelona, escolheu evitar esse nível de incerteza ao assinar um novo contrato de dois anos no Camp Nou, mesmo com salário reduzido.

Talvez a nova realidade financeira mundial transformada pela pandemia da COVID-19 e o aumento no custo de vida estejam começando a atingir alguns jogadores.

Aquele atleta que está esperando por 10 milhões de libras queria quatro anos de contrato e um salário de 180 mil libras (R$ 1,1 milhão) por semana - totalizando 47,4 milhões de libras (R$ 312 milhões) até o fim do contrato - mas já aceita “apenas” 150 mil libras (R$ 988 mil) por semana.

Isso ainda equivale a 41,2 milhões de libras (R$ 271 milhões) após quatro anos, mas o novo clube em potencial estaria poupando 6 milhões de libras. A diminuição na pedida ainda não teve muito efeito até agora, afinal, o jogador em questão segue desempregado.

Com a janela de transferência ainda aberta por mais seis semanas, é provável que a maioria desses jogadores encontre um clube antes do dia 31 de agosto.

Os jogadores começam a entrar em pânico conforme os clubes começam a preencher as 25 vagas em seus elencos, deixando pouco ou nenhum espaço para nomes livres depois que a janela fechar.

Todos que ainda aguardam um recomeço vão perceber que não dão as cartas como antes, e estar sem um contrato não é um bilhete premiado que muitos acreditavam ser.