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Guardiola cobra ação drástica de LaLiga após racismo contra Vini Jr. e dispara: 'Temos que pedir perdão'

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Guardiola cobra medida drástica de LaLiga após racismo contra Vinicius Jr.: 'Temos que pedir perdão' (3:55)

Técnico do Manchester City concedeu entrevista exclusiva ao repórter João Castelo-Branco (3:55)

Pep Guardiola não vê a Espanha mudando na luta contra o racismo dentro do futebol. Em entrevista exclusiva à ESPN, o treinador do Manchester City não poupou críticas à forma como o país lida com o preconceito e explicou o motivo que lhe faz ter essa descrença.

“Porque acontece em todo lugar. Este mundo é racista. Somos criados ouvindo que somos melhores, e os outros que estão ao lado são um desastre. A Espanha é um país com uma diversidade cultural tão rica, um país de quatro línguas, mas parece que só existe castelhano. Basco, galego, catalão (faz gesto de afastamento com as mãos)", disse o espanhol de 52 anos nascido em Santpedor, cidade que fica na região da Catalunha.

"Então, se partirmos desta base (o não respeito aos demais idiomas na Espanha), temos feminismo, machismo, racismo pela cor da pele. Todos nós viemos de nossos ancestrais, que tiveram que emigrar, que foram acolhidos por diferentes países, para poder constituir família, para poder voltar”, completou.

Ao falar sobre o caso mais recente de ofensas racistas envolvendo Vinicius Jr., Pep mostrou apoio ao atacante do Real Madrid e disse que este seria o momento certo para uma mudança. E até defendeu medidas drásticas de LaLiga, se necessárias. Questionado sobre ter esperança em mudanças na Espanha, lembrou a história e também falou da Inglaterra.

“Sim, claro (é um momento para mudança). Porque na Inglaterra tomam as medidas, quando se vê na televisão [quem praticou ato racista], não entra mais [nos estádios]. Na Espanha, ainda há manifestações fascistas. Há manifestações ligadas ao ditador [Francisco] Franco e não acontece nada. Se isso pode acontecer, imagine... Eu admiro o Vinicius neste caso por ter dado um passo para todos [na luta contra o racismo]. Temos muito que pedir perdão aos negros pelo que a humanidade lhes fez durante séculos", afirmou o técnico.

"A escravidão estava aqui não faz muito tempo. É uma questão cultural, nas escolas, com os pais, educar e pensar que não somos melhores nem piores que os outros. Nós somos iguais. Já estive muito por aí – morei na Catalunha, na Itália, no México, nos Emirados Árabes, aqui na Inglaterra, na Alemanha. Somos iguais. Pais, mães, pessoas. Somos iguais em todos os lugares. Não sou melhor porque minha língua é o catalão ou porque fui criado de uma certa maneira. Tenho meus medos, minhas inseguranças, minhas coisas boas, minhas coisas ruins. Não quero ser exemplo de ninguém nem de nada. Eu apenas tento viver como eu mesmo e nada mais", continuou.

Após dizer que não acredita em mudança no combate ao racismo na Espanha, Guardiola ao menos ponderou desejar que o país ande um pouco nesta questão e foi além, colocando que o problema se dá no mundo inteiro. Citando a região do Mediterrâneo, falou até em “cemitério” no mar homônimo que passa por Europa, África e Ásia, por conta das repetidas tentativas de cidadãos africanos, especialmente, que tentam entrar e começar uma nova vida no chamado Velho Continente.

"Espero que a Espanha possa dar um passo à frente. O mundo inteiro, não apenas a Espanha. O mundo inteiro tem um grande problema. Veja o que acontece no Mediterrâneo. O que acontece com os refugiados nos botes que entram, que vêm de outros países, que querem atracar na Espanha, na Itália, na Grécia, que dizem não, não, não e os jogam de volta ao mar. Onde está essa generosidade sobre o racismo, onde está? O Mar Mediterrâneo é um cemitério. Você sabe por que eles saem de seus países? Eles querem deixar seu país? E como os tratamos? Damos-lhes a oportunidade de atracar? Nem isso, nem isso podemos [fazer]. Ter fé nisso? Para ter fé, precisamos agir. Todos nós, como cidadãos, pagamos nossos impostos para que nossos governantes possam resolver nossos problemas”, colocou.

Por fim, o técnico recém-campeão da Premier League com o City falou o que LaLiga deve fazer para tentar de forma mais enfática agir de fato contra o racismo no futebol espanhol.

“Se a liga espanhola tiver que tomar medidas drásticas, que as tome”.