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Das vaias à idolatria: como Raphael Veiga virou no Athletico-PR o craque que o Palmeiras tanto precisava

Hoje destaque e ídolo do Palmeiras, Raphael Veiga teve ótima passagem por empréstimo pelo Athletico-PR, em 2018


Nesta terça-feira (30), Athletico-PR e Palmeiras fazem o jogo de ida da semifinal da Conmebol Libertadores, às 21h30 (de Brasília), na Arena da Baixada. O fã de esporte acompanha a melhor repercussão no Linha de Passe, logo após a partida, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Uma das grandes esperanças do Verdão para conquistar um bom resultado em Curitiba é o meia Raphael Veiga, autor de 21 gols e 7 assistências na atual temporada, sendo 6 tentos na Libertadores.

Bicampeão da competição continental em 2020 e 2021 pelo Alviverde, Veiga é um dos principais ídolos atuais da torcida palestrina. No Paraná, o atleta também conta com grande apreço dos fãs do Furacão.

Isso porque Raphael teve excelente passagem pelo Athletico-PR em 2018, quando passou a temporada emprestado pelo Palmeiras.

Durante aquele ano, o meio-campista disputou 48 partidas, fazendo 9 gols e dando 8 passes decisivos, além de ser um dos principais artífices da conquista da Copa Sul-Americana.

O empréstimo ao clube rubro-negro foi essencial para Veiga se firmar na carreira, já que ele vinha em baixa após não conseguir se destacar pelo Verdão em 2017.

Em entrevista à ESPN, o hoje ídolo palmeirense ressaltou a importância da passagem pelo Furacão para sua vida.

"Conheço bem como é o Athletico, como é a Arena da Baixada. Em todas as entrevistas que já dei, sempre deixei claro que o Athletico é muito importante na minha carreira, porque lá eu tive sequência e evoluí como jogador. Então, sou muito grato por tudo o que vivi no Athletico", salientou.

Raphael, porém, também brincou e disse que sofrerá de "amnésia" temporária nos confrontos contra o Furacão pela semifinal da Libertadores.

"Tenho um carinho enorme por todos lá, jogadores, comissão técnica... Mas, nos próximos dois jogos contra eles, vai dar uma amnésia em mim. Não vou lembrar nada e vou querer ganhar (risos)", divertiu-se.

Nesta temporada, inclusive, Veiga já "castigou" a equipe de Curitiba na disputa da Recopa Sul-Americana, fazendo o último gol alviverde no empate por 2 a 2 com o Athletico, no jogo de ida.

Na volta, o Palestra ganhou por 2 a 0, no Allianz Parque, e faturou a taça internacional.

"Veiga chegou a ser vaiado, mas teve resiliência"

O 1º semestre de Raphael Veiga pelo Athletico-PR em 2018 foi de altos e baixos.

Apesar de ter sido titular em diversos jogos por Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Campeonato Brasileiro, ele só conseguiu contribuir com uma assistência em seus primeiros seis meses.

Tudo mudou, porém, depois que Fernando Diniz foi demitido pelo Furacão e Tiago Nunes, então comandante do elenco sub-23, assumiu o plantel principal de forma interina.

Sob o comando de Nunes, o futebol de Veiga floresceu, e, de julho em diante, o meio-campista simplesmente arrebentou: em 34 jogos, foram 9 gols e 7 assistências.

Com isso, o meia acabou sendo um dos grandes destaques do futebol nacional no 2º semestre de 2018, levando o Furacão ao título da Sul-Americana e ao 7º lugar no Brasileiro.

Em entrevista ao ESPN.com.br, Tiago Nunes lembrou que o início de Raphael sob sua gestão foi trepidante.

"Não era um momento fácil para ele, pois o Veiga vinha de empréstimo do Palmeiras e tinha uma identidade forte com o Coritiba. Chegou a ser vaiado em alguns jogos, aliás. Lembro principalmente de um contra o Peñarol, pela Copa Sul-Americana, em que ele perdeu um pênalti logo no início e, depois, era vaiado toda vez que tocava na bola", recordou Nunes.

De acordo com o treinador, o meio-campista cresceu muito em campo a partir do momento em que o esquema passou a lhe favorecer, fazendo com que a bola passasse várias vezes por ele.

"Treinar o Veiga em 2018 foi um grande aprendizado. Eu assumi o Athletico em um momento delicado. A equipe vinha em situação complicada na tabela, na penúltima colocação do Brasileiro. O Raphael vinha sendo titular, alternando posições como ala, 2º volante... Nessa mudança estrutural desde a minha chegada, eu coloquei o Raphael para ser um dos jogadores de referência do time, no que diz respeito à criação e à capacidade técnica, tentando gerar uma estrutura em que a bola pudesse passar mais vezes por ele", lembrou.

"Eu sempre enxerguei no Veiga um grande potencial técnico, com controle de bola muito bom, e uma qualidade de batida na bola, seja parada ou em movimento, absurda. Um jogador que tinha excelente visão de jogo para pegar a bola mais vezes de frente do que de costas. Então, construímos uma mecânica de jogo em 2018 para que ele pudesse vir pegar a bola numa condição de iniciar as jogadas próximo à linha dos volantes e laterais, e depois entrar lançado no espaço dos meio-campistas, atrás da linha de volantes, e também chegando como 2º atacante de trás", explicou.

"Ele se adaptou muito bem a isso, e acabamos crescendo juntos. Com o passar do tempo, ele conseguiu apresentar todo o seu futebol na sequência, tendo capacidade de resiliência emocional e mental, além de entendimento coletivo do jogo. Tudo isso fez com que ele fosse um dos expoentes daquele time", exaltou.

Ainda segundo Tiago, o futebol de Veiga encaixou muito bem com o de outros membros daquele plantel rubro-negro.

"A importância do Veiga no crescimento do time foi fundamental. Ele foi um dos artilheiros da equipe na minha passagem, teve um número significativo de gols e assistências. A ideia principal era colocar o Raphael numa condição em que ele pudesse tocar muitas vezes na bola, sendo tanto um organizador como um 2º atacante. Lógico que teve também uma combinação coletiva com outros jogadores, que tinham suas contribuições", citou.

"Nós jogávamos com um atleta bem avançado, o (atacante) Pablo, que era o jogador de referência, mas que gerava também muitos espaços para quem vinha atrás dele, e essa foi uma combinação muito boa. Também completava com Nikão, Marcelo Cirino, Lucho González, caras que chegavam de trás e davam contribuição ofensiva e volume muito bons", pontuou.

"Foi um processo de construção coletiva, mas que, pela capacidade de entendimento dos espaços e da inteligência tática dele, além da capacidade técnica individual, que fez com quem o Veiga fosse um dos expoentes do Brasileirão e um dos pilares da equipe campeã da Copa Sul-Americana de 2018", finalizou.