Crise interna da Juventus começou com a demissão de todo o conselho administrativo após as acusações de fraude fiscal e manipulações em balanços financeiros.
Dias depois de todo o conselho de administração da Juventus pedir demissão, a Uefa abriu uma investigação contra o clube italiano por possíveis violações nos regulamentos de Licenciamento de Clubes e Fair Play Financeiro.
Em nota, caso sejam comprovadas as fraudes, a Primeira Câmara do Órgão de Controle Financeiro de Clubes (CFCB) irá rescindir o acordo assinado em agosto de 2022 com a Velha Senhora e irá aplicar as medidas disciplinares legais.
Veja abaixo:
A Primeira Câmara do CFCB abriu hoje uma investigação formal contra o Juventus FC por possíveis violações dos regulamentos de Licenciamento de Clubes e Fair Play Financeiro.
A investigação da Primeira Câmara do CFCB se concentrará nas supostas violações financeiras que foram recentemente tornadas públicas como resultado do processo conduzido pela Comissão Italiana de Empresas e Câmbio (CONSOB) e pelo Ministério Público em Turim.
Em 23 de agosto de 2022, a Primeira Câmara do CFCB concluiu um acordo de liquidação com o Juventus FC. Este acordo de liquidação foi celebrado com base nas informações financeiras anteriormente apresentadas pelo clube relativas aos exercícios sociais encerrados em 2018, 2019, 2020, 2021 e 2022.
Caso, após a conclusão desta investigação, a situação financeira do clube fosse significativamente diferente daquela avaliada pela Primeira Câmara do CFCB à época da celebração do acordo de liquidação, ou se surgissem ou fossem conhecidos fatos novos e relevantes, a Primeira Câmara do CFCB reserva-se o direito de rescindir o acordo, tomar qualquer medida legal que considere apropriada e impor medidas disciplinares de acordo com as Regras de Procedimento CFCB da UEFA aplicáveis.
A Primeira Câmara do CFCB cooperará com as autoridades nacionais e não fará mais comentários sobre o assunto enquanto a investigação estiver em andamento.
O caso
No último dia 28 de novembro, todo o conselho de administração da Juventus pediu demissão após acusações de fraude fiscal e manipulações em balanços financeiros. Dentre os nomes que saíram estavam o presidente Andrea Agnelli e o ídolo Pavel Nedved.
Dois dias depois, o jornal A Bola divulgou que um acordo com Cristiano Ronaldo foi o auge da crise interna.
De acordo com o veículo português, a Guardia di Finanza, polícia italiana especializada no mercado financeiro, encontrou nos escritórios do clube documentos assinandos pelo português em que a Juve se comprometia a pagar o valor dos primeiros quatro meses de contrato durante a pandemia da COVID-19.
Oficialmente, a Juventus disse que os jogadores abriram mão de receberem esses valores, mas, segundo a Gazzetta Dello Sport, os pagamentos foram feitos "por baixo da mesa".
Recentemente, o clube divulgou que a temporada 2021/22 registrou perdas financeiras recordes, com um débito negativo na casa de 220 milhões de euros (R$ 1,22 bilhão). Após descobrir os documentos confidenciais envolvendo Cristiano Ronaldo, a polícia italiana acelerou a investigação sobre o clube e, com provas da manipulação em balanços financeiros, acarretou na saída de Laurence Debroux, Massimo Della Ragione, Kathryn Fink, Daniela Marilungo, Francesco Roncaglio, Giorgio Tacchia, Suzanne Heywood, além de Agnelli e Nedved.
