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Eleições do Fluminense: Mattheus Montenegro defende continuidade e promete negociar oferta da SAF

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Candidato da situação no Fluminense, Mattheus Montenegro lembra passado de arquibancada e defende continuidade no clube (0:55)

Mattheus Montenegro falou em entrevista exclusiva à ESPN (0:55)

Os torcedores do Fluminense irão conhecer, neste sábado (29), o novo presidente do clube para o triênio de 2026 a 2028. Candidato da situação, Mattheus Montenegro encabeça a chapa 'Vamos por mais' ao lado de seu vice, Ricardo Tenório.

Advogado especializado em direito tributário, Mattheus tem 39 anos. Dentro do Tricolor, o candidato passou a trabalhar na atual gestão comandada por Mário Bittencourt em 2020, colaborando com o jurídico em um caso dentro de sua área.

Desde 2022, é o vice-presidente do clube, depois do pleito vencido pelo atual presidente Mário Bittencourt. Seu vice, Ricardo Tenório, esteve na chapa com o atual mandatário nas eleições de 2016, vencidas por Pedro Abad, e foi candidato à presidência em 2019.

Confira a entrevista completa com Mattheus Montenegro:

  • Por que você merece ser o presidente do Fluminense?

Estou aqui pela continuidade da gestão que a gente vem fazendo. O Fluminense conseguiu melhorar, em todos os índices que se analisa, a sua gestão. Na parte das dívidas, a gente conseguiu equacionar e não deixou que a dívida subisse muito, apesar da alta taxa de juros Selic, que é vinculado a um fator que atualiza nossas dívidas. E agora, em 2025, por conta especialmente da premiação do Mundial, a gente vai conseguir ter uma redução nominal da dívida. Então, é considerando a melhora que a gente vem fazendo no clube, é pelo projeto da continuidade. A gente já fez muita coisa, mas acho que ainda tem bastante coisa a ser feita. É por isso que o slogan da nossa campanha é 'vamos por mais', é manter é o que deu certo, corrigir algumas coisas e continuar nesse processo de melhorar o Fluminense como um todo.

  • Se eleito, qual será sua primeira ação como presidente?

Acho que a primeira ação a ser tomada é o planejamento do elenco de 2026. A gente ainda não está cuidando desse assunto em respeito ao pleito eleitoral do dia 29 de novembro. Mas depois disso, se a gente ganhar a eleição, o primeiro movimento vai ser o planejamento do elenco para o ano que vem.

  • O que pensa e como pensa a possível SAF do Fluminense?

Desde que eu entrei no Fluminense, a gente tinha dois objetivos: primeiro ganhar a Libertadores e o segundo era resolver a dívida do clube. O primeiro, felizmente, a gente conseguiu em 2023 e agora estamos na luta para classificar mais uma vez para a Libertadores. Temos duas oportunidades, no Campeonato Brasileiro e uma outra na Copa do Brasil, em que estamos na semifinal. Em relação à parte financeira, a gente conseguiu equacionar a dívida desde a entrada do RCE em 2022 e agora, em 2025, a gente vai efetivamente reduzir essa dívida de forma considerável. Mas eu entendo que, para a gente poder ser mais competitivo e, ao mesmo tempo, quitar essa dívida, a proposta da SAF, uma proposta muito boa de transformação em SAF, que a gente consegue um aporte relevante, a obrigação de investimento, e o investidor assume também essa dívida do clube. E foi por isso que, depois de três anos de trabalho, a gente levou uma proposta ao Conselho Deliberativo para que fosse dado conhecimento e ciência a todos os sócios e torcedores do Fluminense. E logo em seguida a gente entrou nessa campanha eleitoral, preferiu não misturar os assuntos. Então, desde a apresentação da proposta, nada mais andou. E o nosso objetivo é, ganhando a eleição, voltar para a mesa. A gente acha que é uma proposta que alguns pontos têm que ser ajustados ainda, como, por exemplo, o aporte. É uma questão que tem que voltar para negociar. Uma segunda coisa relevante é que o investidor fez uma previsão de gasto no futebol. Se isso não acontecer, a consequência é a suspensão do recebimento de dividendos. Eu acho que isso é uma coisa que a gente também tem que mexer um pouco, assim como outras coisas da proposta, algumas que a gente já sabe e outras que a gente vai ver ao longo do tempo, porque não teve ainda uma negociação. Foi só apresentada a proposta e a gente parou com isso para que não houvesse nenhuma mistura com o processo eleitoral. Então, se a gente ganhar a eleição, a gente vai voltar para a mesa. E o mais importante é o torcedor saber que o processo vai ser tocado como vem sendo feito até aqui, com a maior transparência possível. A proposta está no Portal da Transparência do clube e o próprio investidor veio ao Conselho Deliberativo e explicou a proposta a todos os sócios e todo e qualquer novo passo, como criação de uma comissão interna, como a criação de uma comissão externa, os pareceres, os documentos, vai ser tudo apresentado no Conselho Deliberativo para que o torcedor possa exercer o seu direito de voto em relação à transformação ou não em SAF, conhecendo nos mínimos detalhes o que essa proposta significa e como ficaria o clube num cenário de SAF.

  • Quais são as expectativas para o futebol masculino profissional do Fluminense?

A expectativa é sempre ganhar mais. A despeito de críticas referentes a algumas contratações, o fato é que quando se olha o mandato como um todo, a gente teve resultados muito melhores no futebol do que se tinha antes dessa gestão. Nós disputamos seis campeonatos cariocas e cinco finais. Desses seis, fomos campeões em duas oportunidades. A gente quer continuar sendo competitivo, mas agora ganhando mais. Na Libertadores, nós nos classificamos para quatro Libertadores na nossa gestão. O Fluminense tem dez participações na sua história. Estão brigando agora para disputar a Libertadores pela quinta vez, no que seria o total de 11 do clube, cinco na nossa gestão. No Campeonato Brasileiro, nos cinco anos anteriores à nossa gestão, o Fluminense ficou em todos eles na segunda parte da tabela. E durante a nossa gestão, à exceção do ano de 2024, que foi um ano muito ruim nosso de desempenho esportivo, nós ganhamos a Recopa e depois o time não performou durante o ano inteiro. Mas, tirando 2024, nós chegamos ali em sétimo, em terceiro, em quinto, em algumas oportunidades no Campeonato Brasileiro. E nós disputamos uma semifinal de Copa do Brasil, estamos agora indo para a segunda. E o objetivo que a gente tem é de continuar investindo no futebol e de ser mais cauteloso nas contratações para que a gente tenha um índice de acerto maior do que o que a gente teve na nossa gestão. Eu entendo que o Fluminense hoje já é competitivo. Pelo menos é muito mais competitivo do que era no período anterior à nossa gestão. E agora a gente quer continuar sendo competitivo e acertar mais nas contratações e efetivamente buscar mais títulos.

  • Como planeja o futebol feminino e as outras modalidades?

Acho que o vôlei, especialmente o feminino, é o exemplo a ser seguido no Fluminense. É uma modalidade que a gente conseguiu evoluir bastante nessa gestão e que o time vem muito bem. Conseguimos fazer jogo, inclusive, no Maracanãzinho. Também no vôlei, nós conquistamos um título masculino, algo que não acontecia há mais de 40 anos. Mas queremos manter esse bom desempenho no feminino, espelhar isso para o masculino. Em relação às outras modalidades, a natação a gente conquistou bastante título aqui na nossa gestão. Queremos continuar, assim como no Pólo aquático. O Fluminense tem muita tradição nessas modalidades e o objetivo é continuar com o investimento. E temos também um projeto novo, que é o do basquete, especificamente, de fazer um time de basquete para disputar o NBB. Tudo isso, é objetivo a gente conseguir financiamento via lei de incentivo ao esporte. Agora que o Fluminense está com a casa mais organizada, com as suas CND's, conseguir essa captação. Nós pretendemos também montar uma área comercial especificamente vinculada aos esportes olímpicos. Nossa área comercial toca o clube inteiro. Queremos ter um departamento específico dos esportes olímpicos para ajudar nessa captação de recursos e a gente poder manter o que vem dando certo e desenvolver aquelas modalidade que a gente precisa melhorar. Sobre o futebol feminino, nós temos dois projetos que são relevantes. O primeiro é de efetivamente seguir com a profissionalização das nossas atletas. Hoje, o Fluminense ainda não é um clube em que as atletas são profissionais, tem contratos amadores. Nós queremos profissionalizar logo no começo da gestão. E o segundo projeto é um projeto que a gente vai terminar agora nessa gestão, que é a alteração da infraestrutura. Ou seja, estamos saindo de ter treinamento em Xerém e indo para o CEPHAN, da Marinha. Vai ter muito mais estrutura ali. E nós estamos observando também que está começando o movimento mundial de compra e venda de atletas do futebol feminino, o que não era normal. E o nosso movimento de profissionalização vem exatamente nesse momento em que a gente tem as negociações acontecendo, em que o mercado está sendo alterado. Então entendemos que é a hora certa de a gente profissionalizar, ter mais estrutura e estar preparado para esse novo mercado que está surgindo.

  • O que você pensa para a sede das Laranjeiras?

Nós estamos em discussão com a Prefeitura do Rio e com a Câmara dos Vereadores sobre o projeto do potencial construtivo E por meio desse projeto, o Fluminense vai conseguir captar um dinheiro relevante, um dinheiro carimbado que só pode ser utilizado em infraestrutura e no município do Rio de Janeiro. Então, nós temos dois projetos para utilizar esse dinheiro. O primeiro projeto, o de Laranjeiras, em que seria feito uma reforma do estádio, para que a gente possa voltar a disputar jogos da base, jogos do feminino e alguns jogos de futebol profissional, especialmente no Carioca, quando a gente faz a manutenção do gramado do Maracanã e nos últimos anos utilizou do estádio da Portuguesa, Moça Bonita e alguns outros. O objetivo é deixar o estádio das Laranjeiras preparado para fazer esses jogos. E, ao mesmo tempo, em Laranjeiras, também fazer uma arena de shows, porque a gente tem uma capacidade muito boa. Teria capacidade para 14 mil pessoas para os shows, considerando o gramado também, e por volta de 8 a 9 mil e para os jogos. É um projeto que daria uma receita relevante para o clube. E, além disso, tem a reforma de todo o clube social. É uma reforma completa, em que se a gente faria um clube novo e, sem dúvida, o Fluminense seria o melhor clube do Brasil. O segundo projeto é um projeto referente ao CT, nós já temos toda a estrutura pronta do CT e tudo aquilo que se refere a campo e academia, Departamento de Fisiologia, fisioterapia e medicina. Temos todos os equipamentos que os atletas usam a nível mundial, mas ainda falta uma parte relevante da obra, que é a hotelaria. O que falta para o CT do Fluminense ficar completo é a hotelaria. E também por meio do potencial construtivo, a gente pretende usar uma parte desse dinheiro na infraestrutura do CT, que é finalizando essa obra de hotelaria e aí sim ficaria um centro de treinamento completo.