Os torcedores do Fluminense irão conhecer, neste sábado (29), o novo presidente do clube para o triênio de 2026 a 2028. Liderando a oposição, Ademar Arrais encabeça a chapa 'O Fluminense tem Pressa', que tem como candidato a vice Adyr Tourinho.
Advogado nas áreas de direito público, civil e trabalhista, Ademar tem 54 anos e é sócio do clube desde 1996. O candidato concorre à presidência do clube pela primeira vez nesta eleição.
Além de Adyr Tourinho, a chapa ainda tem o apoio de outras lideranças da oposição no Fluminense, como Luís Monteagudo e Ricardo Mazzella, que abriram mão de suas pré-candidaturas, e Rafael Rolim, candidato em 2022 e que chegou a se lançar como vice-presidente na chapa 'O Flu é dos Tricolores', antes encabeçada por Celso Barros, que faleceu no último dia 15 de novembro.
Confira a entrevista completa com o candidato Ademar Arrais:
Por que você merece ser o presidente do Fluminense?
O Fluminense precisa se profissionalizar. Ele precisa de uma outra governança, uma governança moderna. Ele precisa de uma auditoria de grande porte diante de uma reforma estatutária urgente. Precisa parar de mentir para a sua torcida e para os associados, nós precisamos dizer a real situação do clube e para isso nós precisamos ter a noção da real situação do clube. E hoje não se tem. Tudo é escondido. Precisamos de um plano de prevenção de novos passivos. A gente devia estar amortizando a dívida e equacionando o clube como um todo. Ao invés disso, a gente continua rasgando dinheiro. A gente continua fazendo contratações absurdas, continua vendendo a preço vil os jogadores de Xerém. Dinheiro não aceita desaforo. Então não tem como o Fluminense dar certo e sendo administrada dessa forma, com esse tipo de gestão temerária. Isso sem falar na diferença abissal que existe entre o Fluminense e alguns clubes. O que vem fazendo, inclusive, com que o presidente do Fluminense e a própria torcida praticamente abdique da disputa de título do Brasileiro, por exemplo. Por que a gente tem que abdicar de título ou da disputa do título brasileiro para outros clubes? Porque eles se organizaram, porque eles têm mais recursos. Porque eles fizeram o dever de casa deles. E nós temos que fazer o nosso. Nós precisamos arrumar a nossa casa para dar voos mais altos. Não é você ganhar uma Libertadores aqui e depois daqui a dez anos ganhar o outro. Eu quero ser o presidente que vá preparar o clube para as próximas gerações, para a gente disputar tudo para vencer nas próximas gerações, inclusive formando as próximas gerações. Só que para isso precisa de responsabilidade. Precisa mudar a gestão do clube por completo. Precisamos estabelecer normas de compliance, normas de planejamento estratégico. Precisamos mudar todo o sistema político eleitoral do clube para acabar com esse negócio, inclusive do presidente do clube escolher o Conselho Fiscal e o Conselho Deliberativo. Eu serei o último presidente amador no Fluminense, porque eu irei defender incondicionalmente os interesses do clube.
Se eleito, qual será sua primeira ação como presidente?
Um conjunto de medidas, a começar: procurar a união do clube como um todo. O clube não pode viver todo desunido como ele é e como ele anda. E isso tem um responsável que tem nome e sobrenome. Chama se Mário Bittencourt, que concentrou tudo nas mãos dele. Isso tem que acabar. Eu, como presidente do clube, vou cuidar das questões macro do clube. Eu vou cuidar para que a defesa institucional do clube seja cumprida nas suas mais diferentes esferas. E outra coisa as pessoas vão passar a respeitar o torcedor do Fluminense. O torcedor do Fluminense tem sido desrespeitado, reiteradamente, em diversas oportunidades. Nós queremos a implantação imediata do voto online, para que o torcedor participe diretamente da gestão. Ele vai escolher modelo de camisa. Ele vai tomar algumas decisões através do voto online. Ele vai, inclusive, assistir às reuniões do Conselho Deliberativo de forma online. A gente precisa também fazer o planejamento estratégico com ações de curto, médio e longo prazo. Nós precisamos fazer separar imediatamente o futebol do social e do Olímpico. Os gestores do Olímpico e do Social serão eleitos diretamente pelos frequentadores de Laranjeiras. O futebol tem que trabalhar dentro da sua realidade. Agora, precisamos melhorar essa realidade. Como é que a gente faz isso? Aumentando a receita e diminuindo a despesa. Não tem milagre para isso. Quais são os caminhos? Plano de prevenção de novos passivos para não ficar alimentando a fábrica de dívidas. Nós precisamos é fazer uma repactuação da dívida e pagar a dívida efetivamente. Muita gente acha que os problemas do Fluminense estão focados diretamente no futebol, mas não estão. Muitas vezes o futebol é apenas consequência dos outros problemas. O Fluminense tem que ter um objetivo só disputar vitórias e conquistar títulos. Só que para isso a gente precisa trabalhar seriamente. A gente não pode continuar com esse tipo de gestão que a gente tem.
O que pensa e como pensa a possível SAF do Fluminense?
Eu sou favorável à SAF, mas eu sou favorável à SAF porque ela é indutora do profissionalismo, porque através da SAF você pode mais rapidamente afastar as cracas que grudam no amadorismo do clube para se aproveitar do DNA, dos contratos, das benesses, dos empregos, enfim, de inúmeras situações. Não bastasse isso, através da SAF, você também faz com que o investidor aporte recursos de uma maneira mais imediata para ele obter recursos e a tendência é que ele melhore a gestão. E aí é que está o grande problema. E a SAF, apesar de eu ser favorável, não é a panaceia de nada, não é a mera mudança da natureza jurídica do clube que vai transformar o clube num clube de sucesso ou num clube fracassado. O que vai mudar realmente a estrutura do clube é a sua governança e a sua ação, as suas práticas e o seu nível de profissionalismo. E eu pergunto a você: existe alguma proibição de no modelo associativo você ter toda a estrutura profissionalizada? Essa proposta de SAF que foi apresentada não interessa ao Fluminense. Não foi feito nenhum estudo do Fluminense para verificação do valor, para verificação do valor de Xerém. A dívida não é de 800 e poucos milhões. Isso é uma mentira. A dívida ultrapassa 1 bilhão (de reais). Porque o próprio clube publicou no seu portal da transparência, mas depois retirou. Não adianta as pessoas se iludirem imaginando que é só aprovar a SAP e ir para casa que acabou. Ledo engano. Quem decide se nós vamos ter SAF ou não é a Assembleia Geral que eu irei respeitar a decisão da Assembleia Geral. Agora, na hora que ela for decidir isso, nós vamos realizar todos os estudos necessários e vamos ampliar o debate e vamos apresentar para a Assembleia Geral deliberar de forma qualificada, de forma tranquila. O Fluminense existe para ganhar títulos. O Fluminense não existe para as outras pessoas ganharem dinheiro. Elas podem ganhar dinheiro como consequência. Mas, para dar certo, todas as cautelas precisam ser tomadas. Uma coisa o torcedor pode ter certeza absoluta. O clube será completamente profissionalizado.
Quais são as expectativas para o futebol masculino profissional do Fluminense?
A expectativa é de preparar o clube como um todo para as próximas gerações, para as próximas gestões. Nós vamos planejar o clube sempre pensando no curto, médio e longo prazo. É claro que existem ações de curto prazo que precisam ser tomadas de imediato, mas vai existir planejamento no Fluminense. As contratações no Fluminense estarão baseadas em elementos técnicos ditados pelos profissionais contratados e gabaritados, experts em cada área e que vão indicar os jogadores que nós podemos contratar, dentro, evidentemente, das nossas possibilidades e dentro das nossas necessidades. Porque, se nós temos jogadores de Xerém para determinada posição, nós não temos que ir ao mercado. A gente tem que administrar o clube como se fosse o nosso dinheiro. Nós precisamos ter responsabilidade na gestão do clube. Eu quero diminuir a distância abissal que existe do Fluminense para outros clubes, como, por exemplo, o nosso rival. Eu quero ganhar tudo deles. Só que, para eu ganhar tudo deles, eu preciso trabalhar os meus bastidores. Eu preciso mudar a minha gestão financeira. Eu preciso mudar a minha gestão como um todo. Ninguém está prometendo milagre. Ninguém está prometendo soluções instantâneas. E a gente vai passar por um processo de reestruturação do clube como um todo. Só que esse processo de estruturação, ele pode ser feito com competitividade, até porque não tem outro caminho. Porque aonde o Fluminense tiver, ele tem que competir para vencer.
Como planeja o futebol feminino e as outras modalidades?
Logo de cara, eu acho que a gente tem que abraçar o futebol feminino, procurar parceiros para aumentar o investimento no futebol feminino. E precisamos aproximar o futebol feminino do associado e do torcedor para que ele ganhe, inclusive, uma repercussão com relação aos esportes. No esporte olímpico, a questão é a seguinte: primeiro, não se faz esporte olímpico no Brasil sem projetos incentivados. Para você ter projetos incentivados, aprovados e, sobretudo, a captação de recursos, você precisa de defesa institucional. Você precisa utilizar a marca Fluminense para que você obtenha esses recursos. É por isso que o presidente tem que estar cuidando das questões macro no clube. E eu cuidarei. Você precisa ter CND. Para você ter CND, você precisa de uma gestão financeira responsável. Nós temos o apoio do Ary Graça no vôlei, que é uma pessoa ligada ao vôlei, que vai poder melhorar e muito. Nós temos várias pessoas do tênis, da natação, do tiro esportivo participando da nossa chapa, o que muito nos orgulha, porque veja o Fluminense Football Club. Mas nós queremos um Fluminense forte, campeão. Nós queremos o esporte olímpico forte, campeão e um social digno das nossas tradições. Mas separadamente, cada um com o seu orçamento, cada um com os seus anseios, suas possibilidades. E nós vamos trabalhar para isso. O esporte olímpico do Fluminense voltará a ser de ponta. Nós vamos trabalhar na construção de um ginásio, porque o ginásio do Fluminense, que está completamente obsoleto. Nós queremos ter um ginásio moderno no Fluminense e nós trabalharemos para isso. O Fluminense tem todas as condições de ser um clube de primeira linha no campo social.
O que você pensa para a sede das Laranjeiras?
O Fluminense está num nível de abandono tão grande, um nível de desleixo tão grande, que é até perigoso você ter torcedor nas arquibancadas do clube. Tem material de obra para todo lugar. A primeira coisa que tem que fazer é chamar profissionais gabaritados que tenham condições de fazer pareceres sobre a questão estrutural da arquibancada. A questão estrutural do clube como um todo e, com isso, iniciar o processo de revitalização do clube. Depois ir num processo de revitalização gradativo, trazendo o futebol feminino, depois trazendo jogos das divisões de base e depois trazendo treinos recreativos pontuais. Não tem problema nenhum isso. O time profissional vai continuar treinando no CT. Não vejo nada demais nisso. Pelo contrário, cria uma atmosfera benéfica para o clube e para o time. Aproxima o torcedor. E, por fim, jogos no Carioca. Mas aí, já num momento onde o processo de revitalização estiver num âmbito mais avançado. Eu irei apoiar todo projeto que for de engrandecimento do Fluminense. Laranjeiras 21 é um projeto bem interessante, bem legal e eu acho que as pessoas que não conhecem poderiam conhecer. Uma coisa é certa: Laranjeiras não continuará abandonada. Isso é um desrespeito à nossa história, à história, inclusive, do futebol brasileiro. Nós vamos vencer essa eleição e vamos mudar o Fluminense. Vamos profissionalizar por completo o clube.
