Como mãe de Samuel Lino foi 'escudo' e ao mesmo tempo sincerona para filho superar críticas e se firmar com Jardim no Flamengo: 'Tem que melhorar...'

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Como mãe de Samuel Lino foi importante para filho superar críticas e se firmar no Flamengo: 'A gente veio de baixo e não pode esquecer' (1:10)

Vânia Dias falou com exclusividade à ESPN (1:10)

Até a chegada de Lucas Paquetá neste ano, Samuel Lino era a contratação mais cara da história do Flamengo, com um custo de 22 milhões de euros (R$ 127,9 milhões), além de bônus. E o jogador sofreu com o peso até a afirmação com Leonardo Jardim.

Ainda sob o comando de Filipe Luís, em 2025, o camisa 16 teve um início meteórico no clube carioca. No entanto, na mesma proporção do sucesso das primeiras partidas, conviveu com uma fase ruim e acabou martelado pelas críticas.

Apesar de ter sido titular na final da CONMEBOL Libertadores e ter feito o gol do título do Brasileirão no jogo diante do Ceará, Lino ainda não havia emplacado. Tímido em campo, se destacava mais pela parte tática do que pelos dribles que encantaram nas primeiras partidas. Até mesmo a mãe do atleta reconheceu que ele esteve abaixo do que podia entregar e foi sincerona para ajudar o filho a superar críticas.

"Ele sofreu, sim [com críticas]. Ele não é de reclamar. Eu ligava, perguntava como estava, e ele dizia que estava bem. Ele fala que não olha muito as redes sociais. Eu, quando olhava, ficava muito chateada. Parei de olhar comentários. Eu conversava com ele, falava para olhar para frente, não olhar para as críticas. 'Você sabe quem é você, sabe seu potencial, mas tem de dar uma melhorada, porque deu uma caída mesmo'. Aí ele entendia", contou Vânia Dias, em entrevista à ESPN.

"Tem os amigos que falam, dão apoio, críticas construtivas e mostram em que precisa melhorar. A gente, de fora, vê onde estão os erros. Ele, dentro de campo, pode pensar que está tudo certo. E torcida é torcida. No Brasil, a torcida pega bastante no pé, em qualquer clube. Na Europa, a torcida critica, mas não nessa proporção", completou.

A mãe do jogador também revelou que ficou com medo da expectativa criada pelos flamenguistas com a contratação do atleta. Em um mês com a camisa do Rubro-Negro, ele foi convocado por Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira.

"Eu fiquei com um pouquinho de medo, de receio de ele não responder em campo o que as pessoas esperavam dele. As pessoas criam uma expectativa para a maior contratação que pode frustrar lá na frente. Às vezes a pessoa cai um pouco de rendimento por causa da expectativa. Ninguém é melhor que ninguém, todos trabalham igual, ninguém é insubstituível", disse.

"Ele foi [contratado] por esse valor porque o Atlético de Madrid não venderia por menos. Se o clube comprou, é porque achou que valeria. Quando ele chegou [ao Flamengo], que passou o vídeo na televisão, meu sobrinho mandou, aquilo me deu uma aflição, uma angústia, porque eu pensei: 'Meu Deus, se ele não alcançar a expectativa que esse povo quer dele, meu pai eterno...'. Tanto que ele deu uma queda de rendimento. Mas agora com o Jardim ele está melhorando um pouco, está voltando a jogar o futebol que a gente conhece", acrescentou.

Samuel Lino terá mais uma chance para mostrar qualidade para a torcida flamenguista nesta terça-feira (26). O Rubro-Negro vai encarar o Cusco-PER, no Maracanã, pela última rodada da fase de grupos da CONMEBOL Libertadores. O duelo, que começará às 21h30 (de Brasília), terá transmissão ao vivo no plano premium do Disney+.

'Puxão de orelha'

Há uma década, o atacante Samuel Lino jogava no campo de terra do Sansil, clube de várzea de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, sem saber se seria um atleta de futebol profissional. Em 2022, foi contratado pelo Atlético de Madrid e disputou jogos de Champions League. Em 2025, chegou ao Flamengo. A trajetória ascedente mexeu com a cabeça do jogador, hoje com 26 anos, de acordo com a própria mãe, que precisou dar alguns importantes "puxões de orelha" para ele "voltar à realidade".

"Mexe, sim, mexe bastante, não é pouco, não, ainda mais porque ele é jovem. Eu dei uma puxada para ele. Falei: 'Olha, desce. Desce porque o negócio é aqui embaixo, não é em cima, não'. A gente tem de estar sempre alertando, porque somos seres humanos, somos falhos. Se não há alguém ao lado para cutucar e falar: 'Você está passando um pouquinho, diminui, porque, do mesmo jeito que você tem hoje, amanhã pode não ter mais'...", disse.

"Ele tinha mudado um pouco, ficado um pouco elevado, com o ego um pouco inflado. Mas, assim, para ele, não estava, mas para mim, que sou mãe, estava. Às vezes eu mandava mensagem, ele não respondia. Eu falava: 'Você está com uma visita?'. Ele: 'Não'. Eu: 'E por que não me respondou?'. Ele: 'Ah, esqueci'. Aí você vê, no meio das conversas, que a pessoa está meio com o ego inflado. Eu mesmo sou uma pessoa que chamo atenção: 'Olha, dá uma abaixada, porque as coisas não são assim. A gente veio de baixo e você não pode esquecer disso'. Aí ele diminui", concluiu.

A 'comandante' do Instituto Samuel Lino

Vânia Dias assumiu, em São Bernardo do Campo, o comando do Instituto Samuel Lino, criado pelo jogador do Flamengo, que ajuda as crianças da região em que cresceu. Em menos de três meses de projeto, já são mais 300 jovens inscritos para aulas de futebol, vôlei, basquete e judô.

"Era um projeto que tinha no coração dele. Quando ele falou que queria fazer [o instituto], nem sabia que eu administraria. Estou aqui com minha família, que me ajuda, os amigos dele de infância. O objetivo é tirar as crianças do sedentarismo, das ruas, do celular. Tentamos fazer nossa parte. É o que o Samuel quer para as crianças do bairro em que ele viveu", disse.

O instituto fica no bairro Alto Industrial e, de acordo com Vânia Dias, é 100% custeado pelo jogador do Rubro-Negro. "Todo mundo aqui [no bairro] conhece ele. Quando vem de férias, ele anda por aqui em todos os lugares. É uma referência de 'vou conseguir, sou capaz'. Ele passa isso para as crianças".

Assista a Flamengo x Cusco, nesta terça-feira (26), às 21h30 (de Brasília), com transmissão ao vivo no plano premium do Disney+.

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