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Qual a multa rescisória que Flamengo tem que pagar se demitir José Boto

Segundo apurou a ESPN, o Flamengo terá que pagar uma multa rescisória de optar por demitir José Boto antes do final de seu contrato, que se encerra em dezembro de 2026.

De acordo com fontes, o Rubro-Negro deverá pagar quatro salários ao dirigente português caso decida interromper o trabalho - um cenário cada vez mais provável, segundo mostrou a reportagem na última quinta-feira (5).

Segundo várias pessoas ouvidas, existe também a possibilidade do cartola pedir demissão em meio ao processo de "fritura" que vem sofrendo na Gávea.

Se isso acontecer, porém, será só dentro de algumas semanas, já que a prioridade de Boto no momento é não atrapalhar o início de trabalho do técnico Leonardo Jardim, de quem é muito próximo.

Justamente por isso, o executivo de futebol só irá reavaliar esse cenário dentro de algumas semanas, depois que Jardim tiver conseguido se "aclimatar" ao Ninho do Urubu.

Pela cabeça de Boto, passa também a ideia de que seria melhor pedir demissão do que ser demitido pelo Fla, já que isso ajudaria em uma futura recolocação no mercado.

Bap planeja mudanças

Diante de sua maior crise interna desde que chegou ao Brasil, Boto não sabe até quando ostentará o título de diretor de futebol do Flamengo.

Ainda que o clube não fale abertamente sobre a crise instalada no departamento e com ecos nos vestiários e campos do Ninho do Urubu, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estuda nomes para uma mudança na estrutura de comando do futebol rubro-negro.

Silenciosamente, assim como fez nas negociações com Leonardo Jardim para substituir Filipe Luís como treinador, Bap foi ao mercado nas últimas semanas. O mandatário conversa com possíveis substitutos e desenha cenários para uma troca diretiva que possa estancar a crise nos bastidores do Ninho.

Duas são as opções: um diretor com perfil mais "boleiro" ou um diretor com caráter mais executivo que possa trabalhar em conjunto com um supervisor de maior entrada no vestiário. Há um diagnóstico de que a comunicação entre direção e lideranças do elenco do Flamengo inexiste neste momento.

De acordo com pessoas ouvidas pela reportagem, a decisão pela saída de José Boto, cada vez mais desgastado no Ninho do Urubu e na Gávea (junto à alta cúpula) só não foi sacramentada pela ausência de um acerto com um substituto imediato. Bap e seus pares não querem possibilitar um hiato de comando no CT em um momento de crise escancarada e chegada de novo treinador após a questionada demissão de Filipe Luís.

No outro lado da crise, Boto no momento se cala. O dirigente português já sabe do risco de perder o emprego e adota no momento uma postura de composição com o presidente. Prova disso aconteceu nesta quinta-feira (5), ao chamar a palavra antes da apresentação de Leonardo Jardim e dizer que a demissão de Filipe partiu de si, não apenas de Bap.

"Quando me convidaram para o Flamengo, o presidente deu uma série de atribuições. Uma era fazer diagnósticos e encontrar soluções. Eu fiz, dei a solução e o presidente aceitou, bateu o martelo. Razões (para demissões) são sempre muitas, dependendo do contexto, não compete a nós expor", disse o português.

Críticas a comportamento

Não é de hoje que José Boto tem desagradado algumas alas no Flamengo. Segundo apurou a ESPN, atletas e funcionários reclamam de vaidade, pouca comunicação e até a necessidade de prestar serviços particulares para o português, que também é apontado como grosseiro e inflexível no dia-a-dia.

O dirigente, por exemplo, exige que a cada duas semanas funcionários se dirijam à sua residência na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, para realizar serviços de limpeza e organização.

Com o elenco, Boto possui relação distante. Isso piorou depois da reunião de terça-feira no CT, após a demissão de Filipe Luís. Na ocasião, o dirigente destacou o papel dos atletas no processo que ocasionou na saída de Filipe. Os jogadores absorveram e saíram em silêncio. É notada entre o elenco a postura extremamente vaidosa do executivo.

Após vitórias, o português entra em campo e cumprimenta os atletas. Diante da derrota contra o Corinthians, na Supercopa do Brasil, em Brasília, Boto permaneceu no túnel que dava acesso ao campo, fumando, e não entrou de imediato. A postura e a demora causaram burburinho.

"Ué, cadê o chefe? Agora não aparece?", chegou a dizer um dos líderes do elenco.

A vaidade do lusitano é sempre ressaltada no dia a dia do Ninho. O desejo de aparecer em imagens de divulgação do clube é classificado como "acima do normal", sempre ao se posicionar em frente às câmeras apontadas ao gramado.

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