Diante de sua maior crise interna desde que chegou ao Brasil, José Boto não sabe até quando ostentará o título de diretor de futebol do Flamengo.
Ainda que o clube não fale abertamente sobre a crise instalada no departamento e com ecos nos vestiários e campos do Ninho do Urubu, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, estuda nomes para uma mudança na estrutura de comando do futebol rubro-negro.
Silenciosamente, assim como fez nas negociações com Leonardo Jardim para substituir Filipe Luís como treinador, Bap foi ao mercado nas últimas semanas. O mandatário conversa com possíveis substitutos e desenha cenários para uma troca diretiva que possa estancar a crise nos bastidores do Ninho.
Duas são as opções: um diretor com perfil mais "boleiro" ou um diretor com caráter mais executivo que possa trabalhar em conjunto com um supervisor de maior entrada no vestiário. Há um diagnóstico de que a comunicação entre direção e lideranças do elenco do Flamengo inexiste neste momento.
De acordo com pessoas ouvidas pela reportagem, a decisão pela saída de José Boto, cada vez mais desgastado no Ninho do Urubu e na Gávea (junto à alta cúpula) só não foi sacramentada pela ausência de um acerto com um substituto imediato. Bap e seus pares não querem possibilitar um hiato de comando no CT em um momento de crise escancarada e chegada de novo treinador após a questionada demissão de Filipe Luís.
No outro lado da crise, Boto no momento se cala. O dirigente português já sabe do risco de perder o emprego e adota no momento uma postura de composição com o presidente. Prova disso aconteceu nesta quinta-feira (5), ao chamar a palavra antes da apresentação de Leonardo Jardim e dizer que a demissão de Filipe partiu de si, não apenas de Bap.
"Quando me convidaram para o Flamengo, o presidente deu uma série de atribuições. Uma era fazer diagnósticos e encontrar soluções. Eu fiz, dei a solução e o presidente aceitou, bateu o martelo. Razões (para demissões) são sempre muitas, dependendo do contexto, não compete a nós expor", disse o português.
Críticas a comportamento
Não é de hoje que José Boto tem desagradado algumas alas no Flamengo. Segundo apurou a ESPN, atletas e funcionários reclamam de vaidade, pouca comunicação e até a necessidade de prestar serviços particulares para o português, que também é apontado como grosseiro e inflexível no dia-a-dia.
O dirigente, por exemplo, exige que a cada duas semanas funcionários se dirijam à sua residência na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, para realizar serviços de limpeza e organização.
Com o elenco, Boto possui relação distante. Isso piorou depois da reunião de terça-feira no CT, após a demissão de Filipe Luís. Na ocasião, o dirigente destacou o papel dos atletas no processo que ocasionou na saída de Filipe. Os jogadores absorveram e saíram em silêncio. É notada entre o elenco a postura extremamente vaidosa do executivo.
Após vitórias, o português entra em campo e cumprimenta os atletas. Diante da derrota contra o Corinthians, na Supercopa do Brasil, em Brasília, Boto permaneceu no túnel que dava acesso ao campo, fumando, e não entrou de imediato. A postura e a demora causaram burburinho.
"Ué, cadê o chefe? Agora não aparece?", chegou a dizer um dos líderes do elenco.
A vaidade do lusitano é sempre ressaltada no dia a dia do Ninho. O desejo de aparecer em imagens de divulgação do clube é classificado como "acima do normal", sempre ao se posicionar em frente às câmeras apontadas ao gramado.
Próximos jogos do Flamengo:
Fluminense (N) - 08/03, a definir - Campeonato Carioca (final)
Cruzeiro (C) - 11/03, 21h30 (de Brasília) - Brasileirão
Botafogo (F) - 14/03, 20h30 (de Brasília) - Brasileirão
