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Paquetá abre o jogo à ESPN: 'tristeza' com o Lyon, 'solidão' no Milan e a conversa com Thiago Silva para ir ao Chelsea

Lucas Paquetá, que tem compromisso com o West Ham nesta quinta-feira, com transmissão no Star+, concedeu entrevista exclusiva à ESPN na Inglaterra


Em busca do seu primeiro gol com a camisa do West Ham, o meia Lucas Paquetá volta a campo nesta quinta-feira (6), para compromisso fora de casa contra o Anderlecht (BEL), pela terceira rodada do grupo B da Uefa Conference League. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ a partir das 13h45 (horário de Brasília).

Em entrevista exclusiva à ESPN, o meia revelado nas categorias de base do Flamengo abriu o jogo sobre a carreira. Desde a sua chegada à Europa em 2019, para jogar pelo Milan, à decisão de deixar o Lyon rumo à Premier League, na última janela de transferências do Velho Continente.

Perto de completar quatro anos na Europa, Paquetá já passou de tudo no exterior. E sua primeira experiência na Itália, que durou um ano e meio, teve mais baixos do que altos, uma vez que não conseguiu se firmar no time titular rossonero, mas ainda assim o brasileiro conseguiu tirar lições positivas de tudo o que passou.

"Acho que praticamente tudo que eu evolui eu devo muito ao Milan. Muito se fala: 'Ah, você não deu certo no Milan'. Na minha cabeça não é assim. Eu acho que deu muito certo, eu aprendi muito, sabe? Talvez se eu não passasse por aquilo ali eu não estaria no West Ham e nem na seleção", disse.

"Então foi um clube que me ajudou muito a viver novas experiências, porque eu era um moleque quando saí do Flamengo e fui para um clube novo, com expectativas e com uma pressão diferente. E hoje aprendi a trabalhar diferente, me comportar diferente... Chegar mais cedo, fazer meus treinamentos a parte, descansar, me alimentar... Vi que eu precisava para estar em um nível de Europa. Hoje, graças ao Milan, eu me tornei um jogador melhor, um ser humano melhor, então sou muito grato ao Milan também", começou por dizer.

Apesar de todo o aspecto positivo que tirou da ida para a Bota, Paquetá também admitiu que foi um período complicado, sobretudo por conta da solidão que passou na Itália. E ele explicou.

"Foi um período complicado sim. Porque... (o) Leonardo me levou e depois de quatro meses saiu. Daí eu me senti, não vou mentir, sozinho. Porque realmente não tinha brasileiros, nem portugueses. Não tinha ninguém. Depois o Rafael Leão chegou, e foi onde as coisas começaram. Porque nós, brasileiros, gostamos deste contato, desta troca de energia. Se eu tenho um amigo do meu lado, me sinto mais forte. Eu sou uma pessoa que costumo me comportar assim. E eu aprendi que eu não posso só me comportar dessa maneira, entendeu?", afirmou o meia.

"Mas foi um período complicado sim, de adaptação, língua e cultura. Não só para mim, mas para minha esposa também. Ela sofreu bastante em casa. A gente se ajudou muito e acho que foi dali a nossa maior força. Depois veio o primeiro filho... Então nada é por acaso, né? A gente precisava viver aquele momento ali para evoluir como pessoa, como profissional e como eu disse: sou muito grato e fui muito grato pelo Milan por tudo", disse.

Logo em seguida, Paquetá foi contratado pelo Lyon, onde passou mais duas temporadas. Na França, conseguiu se destacar e ser um dos principais nomes do time, que chegou às quartas de final da última Europa League. Em 80 jogos, foram 21 gols marcados e 14 assistências.

A única ressalva em relação à passagem pela elite do futebol francês foi em sua saída, ainda no início da atual temporada.

"Deixando bem claro, eu sou muito grato ao Lyon e aos torcedores. A minha fase no Lyon, meu momento no Lyon foi algo, sabe, único que eu vou levar com o meu coração. Eu nunca falei disso, mas eu fico até um pouco triste da forma que aconteceu minha saída, mas são coisas que não vêm ao caso. Mas, o West Ham foi um clube que demonstrou me querer no projeto, sabe? Me incluir no projeto. Isso agrada qualquer jogador. Não só jogador, mas você ser reconhecido né, ter o reconhecimento do seu trabalho e de seu esforço. E o West Ham demonstrou isso desde a primeira conversa. Sem contar o apoio que eles demonstraram naquele jogo contra nós, com um a menos e eles lutaram e seguraram um resultado que talvez foi o diferencial na nossa eliminação. E a história do clube, né... tudo o que envolve... Acho que foi um pouco disso tudo", disse.

"Sou muito grato ao Lyon pela oportunidade e pelo que o Juninho (Pernambucano) fez por mim, foi único. O presidente sempre me deu muita moral e me apoiou muito desde o início, desde quando eu vim, né, um pouco desacreditado do Milan e eu conquistei a confiança de todos colocando meu futebol para fora. Os torcedores, eu nem tenho o que falar, eles são únicos para mim e para a minha família. Só a gente sabe o quanto eles foram importantes neste processo de reconquistar, né, a minha alegria de jogar, de conquistar confiança", explicou Paquetá.

"Por outro lado, nestes últimos tempos, eu fiquei um pouco triste, porque por parte de alguns eu não senti que eles me queriam ainda lá, sabe? E foi triste, porque eu sempre demonstrei dentro de campo e fora também o meu amor pelo clube. O quanto eu me dedicava nos jogos e nos treinos, eu sempre me comportei muito bem e sempre busquei fazer meu melhor. E a partir de um momento eu não senti, né? Este retorno, porque, como eu disse, se hoje eu estou aqui, é porque o West Ham demonstrou que me queria aqui, que quisesse que eu fizesse parte deste processo, desse projeto. Então eu não pensei duas vezes, porque eu me sinto bem onde as pessoas me querem. Então acho que, por isso, eu fiquei um pouco triste com a saída do Lyon. Por tudo que vivi ali e por tudo que passei. Vários momentos felizes juntos com a torcida, minha família também. Mas sou muito grato", complementou.

Paquetá ainda revelou que, antes de se transferir para a Inglaterra, conversou com alguns de seus companheiros da seleção brasileira, entre eles Bruno Guimarães, ex-parceiro de Lyon, que atualmente está no Newcastle, além do zagueiro Thiago Silva, do Chelsea, que inclusive tentou convencê-lo a ir para o Stamford Bridge.

"Conversei bastante na seleção. A gente já falava muito. Outros jogadores vieram para a Premier League e foi muito se falado nisso, porque é um campeonato de um nível elevado que vai nos ajudar a evoluir, nos desafiar. Para gente chegar numa Copa do Mundo num grau ainda mais elevado, seria bom. E o Bruno me falou super bem da Premier League, que estava gostando muito. Falou bem do West Ham. Então... Estou muito feliz de estar aqui. Espero encontrá-lo logo dentro de campo e que vença o West Ham", disse o meia.

"A gente conversou na seleção sobre isso. O Thiago é um grande jogador, um exemplo para mim e para todos os jogadores jovens que assistem futebol. Nós brasileiros temos ele como ídolo. Eu fiquei feliz pela indicação dele. É claro que a gente quer jogar com grandes jogadores e eu fiquei feliz dele querer que eu jogasse ao lado dele também no seu clube. Mas envolve muita coisa e estou feliz de estar no West Ham. Foi uma escolha que fiz pensando muito no projeto que o projeto que o West Ham me ofereceu, no clube e na minha família. Todos estão muito felizes com esta decisão", revelou.

Por último, Paquetá ainda voltou a falar sobre os motivos que o fizeram escolher o West Ham, lembrando que sua intenção não é usar a equipe londrina como uma espécie de "trampolim", com o intuito de se destacar e depois ter a chance em uma equipe maior na Europa, e também falou sobre a sua adaptação.

"Na minha carreira eu sempre priorizei aquelas pessoas e clubes que valorizam o meu trabalho, que me querem por perto. Eu acho que muitas pessoas querem usar outros clubes como trampolim e não é esse meu objetivo em vir para o West Ham, porque quero fazer minha história aqui, eu quero crescer, evoluir. Estou em uma liga de um nível mais elevado, então eu sei que isso tudo vai agregar para mim como jogador e como pessoa. Eu tenho uma Copa do Mundo para disputar, então estou muito feliz com a minha decisão. Espero que o West Ham encontre o caminho da vitória e seja uma temporada incrível", disse, antes de concluir, citando o momento dos Hammers.

"Eu tenho certeza que aos poucos a gente vai se adaptando uns aos outros e as vitórias vão aparecer."

Veja outros trechos da entrevista de Paquetá: