Família de Flora anuncia saída de joia de 12 anos do Corinthians e dispara contra o clube: 'Erros que se repetem'

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Um dos nomes mais badalados das categorias de base do Corinthians, Lucas Flora está saindo do clube.

Em carta enviada à ESPN, o pai do garoto de 12 anos, Flávio Flora, detalhou que decisão passa por desgastes envolvendo a falta de atuação, indefinições internas e o que foi entendido pelo lado do atleta como descaso do clube em relação ao planejamento e à contratação do jogador.

“Em 2026, Flora não foi relacionado para nenhuma competição de sua categoria e também não foi inscrito no Campeonato Paulista, principal torneio das categorias de base do país, em nenhuma categoria do clube”, cita o texto.

“Em reunião, fomos informados de que a ausência de registro teria ocorrido por falhas internas e problemas de comunicação envolvendo os responsáveis pela documentação das categorias de base. Publicamente, porém, foi apresentada outra versão: a de que o atleta só seria registrado caso a família abrisse mão do contrato de imagem vigente para, então, assinar um contrato de formação, sob a alegação de que o clube não teria condições de cumprir o acordo anterior”.

Segundo apurou a ESPN com fontes ligadas ao atleta, o Corinthians foi notificado sobre a decisão dos pais de Flora sobre a saída das categorias de base.

O garoto ficou perto de deixar o clube em 2024 e teve, inclusive, o nome ligado ao Palmeiras. Após reviravolta, no entanto, a família decidiu manter o filho no clube.

Lucas Flora defendia o Corinthians desde 2021.

Veja abaixo, na íntegra, a carta de despedida do pai, Flávio Flora:

“Ficamos em silêncio durante todo esse período por respeito ao nosso filho e também ao momento vivido pelo clube. No entanto, diante dos inúmeros questionamentos da torcida e da circulação de informações que não refletem a realidade dos fatos, entendemos ser necessário esclarecer a situação com transparência e respeito.

Em 2026, Flora não foi relacionado para nenhuma competição de sua categoria e também não foi inscrito no Campeonato Paulista, principal torneio das categorias de base do país, em nenhuma categoria do clube.

Além disso, verificamos que, desde dezembro do ano passado, o atleta não possui vínculo ativo junto à CBF e à Federação Paulista de Futebol pelo Corinthians. Mesmo com toda a documentação tendo sido entregue no prazo, o registro do atleta não foi renovado, deixando-o sem vínculo esportivo formal com o clube.

Em reunião, fomos informados de que a ausência de registro teria ocorrido por falhas internas e problemas de comunicação envolvendo os responsáveis pela documentação das categorias de base.

Publicamente, porém, foi apresentada outra versão: a de que o atleta só seria registrado caso a família abrisse mão do contrato de imagem vigente para, então, assinar um contrato de formação, sob a alegação de que o clube não teria condições de cumprir o acordo anterior.

É importante esclarecer que já existia um entendimento entre as partes de que qualquer tratativa envolvendo contrato de formação ou questões financeiras ocorreria apenas quando Flora completasse 14 anos, em 2028, e não agora, aos 12 anos de idade.

Também não corresponde à realidade a informação de que a família teria exigido participação do atleta em campanhas de lançamento de camisas. Até porque o contrato de imagem foi oferecido pelo próprio clube, que enxergou potencial no uso da imagem do atleta, que, inclusive, é patrocinado pela mesma fornecedora de material esportivo do Corinthians.

Mesmo diante da ausência de registro e das dificuldades enfrentadas no processo, a família manteve todos os seus compromissos, levando Flora diariamente aos treinos e às demais atividades do clube, sempre acreditando no processo de formação e no sonho do seu filho.

Ao longo desses anos, sempre priorizamos os desejos e as escolhas do nosso filho, deixando de lado outras possibilidades que poderiam ser mais vantajosas para sua carreira. Ainda assim, o clube volta a cometer falhas no processo de formação dele.

Não podemos permitir que um período tão importante da vida de uma criança seja perdido em meio a erros que se repetem.

Antes de ser jogador do Corinthians, Flora precisa ter garantido o direito de ser jogador de futebol. E hoje, infelizmente, esse direito vem sendo comprometido pela ausência das condições mínimas necessárias para que ele possa fazer o que mais ama: jogar bola.

Esperamos que os responsáveis tenham mais consciência sobre o impacto de situações como essa, que não apenas afetam sonhos de crianças e famílias, mas também comprometem a formação de possíveis ativos para o próprio clube.

Sabemos que, diante da grandeza do Corinthians, qualquer posicionamento ou justificativa dos responsáveis terá naturalmente mais força do que a palavra de uma família. Ainda assim, acreditamos ser importante esclarecer os fatos com respeito e honestidade.

Também esperamos sinceramente que a decisão da família de seguir, até aqui, sem empresários conduzindo a carreira do Flora, não tenha influenciado, de nenhuma forma, na condução dessa situação.

Foram seis anos honrando essa camisa com orgulho. Infelizmente, essa história não seguiu o caminho que o nosso pequeno sonhava, mas seguimos acreditando que a vida ainda pode reservar novos caminhos e novas oportunidades no futuro. Quem sabe!

Independentemente de toda essa situação, somos gratos ao Corinthians como instituição, à sua história e à sua fiel torcida de milhões de apaixonados, assim como nós, que o clube representa. Seguimos torcendo para que o mesmo supere este momento e volte a viver dias melhores, porque o Corinthians sempre será patrimônio do povo.

Ninguém é maior que o clube. Assim como ninguém é maior que o amor de um pai e de uma mãe por um filho.

Te amamos, Flora. Vai dar tudo certo”.