O Ministério Público de São Paulo solicitou intervenção judicial no Corinthians. Desta vez, o promotor Cassio Roberto Conserino alegou nulidade na aprovação das contas de 2025, apontou para gestão temerária e pediu responsabilização dos dirigentes e conselheiros.
No documento enviado à Justiça, como antecipou o ge e confirmou a ESPN, Conserino elencou uma série de fatos para sustentar o que chama de “necessidade impostergável” de intervenção no Timão.
O primeiro fundamento levantado pelo promotor aponta para gestão temerária, no que se diz respeito à aprovação do balanço financeiro de 2025 do clube. Conserino cita que o Conselho Fiscal do Corinthians “não se aprofundou” nas ressalvas da auditoria independente realizada pela empresa Parker Russel.
“A aprovação com 'ressalva' vira vício quando encobre grave irregularidade e existe indícios de fraude, maquiagem contábil e gestão temerária no relatório da auditoria independente”, diz trecho do documento.
Em seguida, é apontada ilegalidade na presença de Haroldo José Dantas da Silva, presidente do Conselho Fiscal, na reunião que aprovou as contas. Advogado das empresas do presidente Osmar Stabile, Dantas estava formalmente afastado de suas funções por conflitos de interesse.
“Não podendo, obviamente, participar do ato e, mesmo assim, compareceu à reunião, presidiu-a e se absteve de votar no momento oportuno; mas assinou a ata juntamente com os demais integrantes, Cláudio Luiz Senise e Paulo Schimidt Pimentel, gerando, por conseguinte, nulidade do presente ato administrativo”, escreve o promotor.
Em cima disso, Conserino aponta falha de governança do CORI (Conselho de Orientação) ao não constatar a ilegalidade na participação do cartola e “desalinhamento com a função fiscalizatória”.
O promotor alega que os órgãos fiscalizadores do Corinthians “orquestraram um simulacro de controle” ao aprovarem as contas com as ressalvas da auditoria e não se debruçarem sobre como resolvê-las.
“Iniludivelmente estamos assistindo uma ineficácia sistêmica e institucionalizada dos órgãos de controle do SPORT CLUB CORÍNTHIANS PAULISTA que demanda urgente intervenção judicial. Houve uma violação direta da governança exigida pela Lei Geral do Esporte. Enfim, um cenário administrativo caótico e que piora em progressão geométrica”, diz o documento.
O pedido de instauração de inquérito civil visando intervenção judicial no Corinthians se sustenta em quatro denúncias: “Vícios na aprovação de contas, ineficiência dos órgãos de controle interno, gestão temerária, infringência a Lei Geral do Esporte”.
As contas de 2025 aprovadas no Corinthians
No dia 27 de abril, o Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou as contas referentes ao ano fiscal de 2025. O placar final da votação foi de 106 pela aprovação e 68 pela reprovação.
O déficit líquido do ano foi de R$ 143,4 milhões. A receira operacional líquida foi de R$ 810 milhões, contra R$ 885 milhões em despesas operacionais.
Próximos jogos do Corinthians:
Santa Fe (F) - 06/05, 21h30 (de Brasília) - CONMEBOL Libertadores
São Paulo (C) - 10/05, 18h30 (de Brasília) - Campeonato Brasileiro
Barra (C) - 14/05, 19h30 (de Brasília) - Copa do Brasil
