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Bastidores: conselheiros se movimentam por rejeição integral das contas do Corinthians em 2025

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Corinthians pode ter inflado patrimônio líquido no balanço de 2025; Entenda o caso (1:30)

Diego Garcia, repóter da ESPN, traz informações sobre balanço financeiro do Alvinegro (1:30)

O Conselho Deliberativo do Corinthians analisará na noite desta segunda-feira (27) o balanço de 2025 em reunião no Parque São Jorge. Como a ESPN detalhou na última semana, a dívida bruta do clube atingiu o patamar de R$ 2,7 bilhões em dezembro.

O déficit líquido do ano foi de R$ 143,4 milhões, contabilizando amortizações, operacional e depreciação. A receita operacional líquida foi de R$ 810 milhões, contra R$ 885 milhões em despesas operacionais.

Após aprovação com ressalvas por membros do Conselho de Orientação (CORI) e do Conselho Fiscal, as contas do último ano serão analisadas agora pelo Conselho Deliberativo.

Nos bastidores, há movimentação de conselheiros desde o último fim de semana pela rejeição integral do balanço de 2025.

Em documento que trata do cenário financeiro alvinegro como “insolvência crônica” e ao qual a ESPN teve acesso, membros do órgão detalham fundamentação que será levada ao plenário para a rejeição integral das demonstrações financeiras de 2025 com base em quatro pontos:

  • Divulgação Intempestiva: As demonstrações foram disponibilizadas apenas em 23 de abril de 2026.

  • Estouro Orçamentário: Estouro em R$ 60.000.000,00 além do teto estabelecido na revisão orçamentária de outubro de 2025.

  • Ajustes Retroativos Relevantes: O reconhecimento de R$ 205.500.000,00 em ajustes de exercícios anteriores.

  • Violação do Princípio da Competência (PGFN): O reconhecimento antecipado da Transação celebrada com a PGFN – tal “ato” infla artificialmente o resultado do exercício findo.

“A análise detalhada dos documentos apresentados revela inconsistências materiais, violações de princípios contábeis fundamentais e descumprimento de prazos legais e estatutários que comprometem a fidedignidade da situação patrimonial e financeira da entidade. A posição aqui exposta visa resguardar a instituição de riscos jurídicos e garantir a transparência devida aos associados e órgãos de controle”, detalha o documento que, além da rejeição das contas, requer “apuração da responsabilidade civil, criminal e estatutária dos gestores envolvidos nas irregularidades apontadas e dos gestores/conselheiros que eventualmente aprovem as contas”.

O relatório que será apresentado pela gestão Stabile conta ainda com auditoria independente que colocou em dúvida a continuidade operacional do clube, definindo esse quesito como uma “incerteza relevante”.

Citou, além do patrimônio líquido negativo, déficits acumulados recorrentes de R$ 1,2 bilhão, capital de giro negativo de R$ 542 milhões e geração de caixa operacional de R$ 74 milhões.

A auditoria destacou que o Corinthians depende de medidas bem-sucedidas de rentabilidade, o retorno ao patrimônio líquido positivo e incremento da geração de caixa das atividades operacionais, de modo a mitigas o risco de descontinuidade.

“Essas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional do clube”, apontou o relatório.

Também foram relatados diversos pontos com inconsistências, como insuficiência de informações para avaliação e divulgação nas demonstrações financeiras no que envolve a Neo Química Arena.

Ainda destacou que não existem controles e mensuração contábil adequados das rubricas de caixa, fornecedores a pagar, exploração de direitos de imagem e adiantamentos diversos.

Corinthians pode ter 'inflado' resultados em R$ 593 milhões

A mesma auditoria independente indicou que o clube pode ter inflado seu patrimônio líquido do período em R$ 593,3 milhões ao contabilizar um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para reestruturar seus débitos tributários e previdenciários.

Isso porque o acordo foi assinado apenas no início de 2026, apesar de ter sido encaminhado no fim do ano.

A Parker Russel, que auditou o balanço de 2025, então, definiu que essa operação, ao ser colocada nas demonstrações financeiras passadas, superavaliou o resultado do exercício.

"O clube obteve a aprovação, pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, do referido acordo, em 2 de fevereiro de 2026, data de sua efetiva assinatura, com efeitos a partir dessa data. Consequentemente, em 31 de dezembro de 2025, o saldo de impostos parcelados no passivo encontra-se subavaliado, e o patrimônio líquido e o resultado do exercício encontram-se superavaliados, no montante de R$ 593,3 milhões", disse a auditoria.

No relatório de gestão, o clube havia destacado o acordo como um dos principais avanços financeiros do exercício passado, o que gerou a controvérsia. O clube não assinou a reestruturação com a PGFN no fim do ano por falta de expediente, mas mesmo assim determinou o reconhecimento da operação nas contas de 2025.

"Em dezembro de 2025, o clube concretizou acordo de reestruturação junto à PGFN para quitação à vista de débitos tributários e previdenciários no valor aproximado de R$ 679 milhões, referentes a uma dívida original de R$ 1,2 bilhão. A operação gerou descontos de R$ 217,4 milhões sobre juros e multas, reduziu significativamente o passivo tributário e restaurou a regularidade fiscal do Corinthians perante os órgãos federais", disse o Corinthians em seu balanço.

O clube se baseia também em um parecer do escritório Costa Pereira e Di Pietro Advogados, responsável pela condução integral da transação, emitido em 27 de março deste ano.

"Todas as condições econômicas substanciais do acordo, incluindo os percentuais de desconto, as modalidades de pagamento, os débitos abrangidos e as garantias, já estavam definidas e aceitas bilateralmente em dezembro de 2025. Em 30/12/2025, a PGFN emitiu o relatório definitivo de consolidação de débitos com o valor final de R$ 678,9 milhões, e o clube manifestou formalmente o seu "de acordo" na mesma data, após revisão pelo Departamento Fiscal", disse o clube na demonstração.

"A assinatura do Termo em 02/01/2026 constituiu ato executório de termos já integralmente definidos, configurando evento subsequente ajustável nos termos do CPC 24. O Termo não foi assinado em dezembro exclusivamente por ausência de expediente na PGFN", continuou o Corinthians - vale ressaltar que existe aí no documento uma distinção entre a data apontada pela auditoria, 2 de fevereiro, e a manifestada pelo clube, 2 de janeiro.

Essas dívidas eram originárias de programas de refinanciamento fiscal promovidos pelo governo federal, como Perse e Profut. Também entram na conta dívidas de contribuições ao INSS e impostos como IRRF, Cofins, CSLL e PIS. Além disso, o clube também reajustou débitos de FGTS.

Na prática, a divergência não altera o caixa imediato do clube, mas muda significativamente a fotografia contábil de 2025, ao impactar diretamente o resultado do exercício e o patrimônio líquido. A discussão ocorre em um momento de guerra política interna pela aprovação ou reprovação das contas.

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