Uma auditoria independente realizada nas contas de 2025 do Corinthians indicou que o clube pode ter inflado seu patrimônio líquido do período em R$ 593,3 milhões ao contabilizar um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para reestruturar seus débitos tributários e previdenciários.
Isso porque o acordo foi assinado apenas no início de 2026, apesar de ter sido encaminhado no fim do ano. A Parker Russel, que auditou o balanço de 2025, então, definiu que essa operação, ao ser colocada nas demonstrações financeiras passadas, superavaliou o resultado do exercício.
"O clube obteve a aprovação, pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, do referido acordo, em 2 de fevereiro de 2026, data de sua efetiva assinatura, com efeitos a partir dessa data. Consequentemente, em 31 de dezembro de 2025, o saldo de impostos parcelados no passivo encontra-se subavaliado, e o patrimônio líquido e o resultado do exercício encontram-se superavaliados, no montante de R$ 593,3 milhões", disse a auditoria.
No relatório de gestão, o clube havia destacado o acordo como um dos principais avanços financeiros do exercício passado, o que gerou a controvérsia. O clube não assinou a reestruturação com a PGFN no fim do ano por falta de expediente, mas mesmo assim determinou o reconhecimento da operação nas contas de 2025.
"Em dezembro de 2025, o clube concretizou acordo de reestruturação junto à PGFN para quitação à vista de débitos tributários e previdenciários no valor aproximado de R$ 679 milhões, referentes a uma dívida original de R$ 1,2 bilhão. A operação gerou descontos de R$ 217,4 milhões sobre juros e multas, reduziu significativamente o passivo tributário e restaurou a regularidade fiscal do Corinthians perante os órgãos federais", disse o Corinthians em seu balanço.
O clube se baseia também em um parecer do escritório Costa Pereira e Di Pietro Advogados, responsável pela condução integral da transação, emitido em 27 de março deste ano.
"Todas as condições econômicas substanciais do acordo, incluindo os percentuais de desconto, as modalidades de pagamento, os débitos abrangidos e as garantias, já estavam definidas e aceitas bilateralmente em dezembro de 2025. Em 30/12/2025, a PGFN emitiu o relatório definitivo de consolidação de débitos com o valor final de R$ 678,9 milhões, e o clube manifestou formalmente o seu "de acordo" na mesma data, após revisão pelo Departamento Fiscal", disse o clube na demonstração.
"A assinatura do Termo em 02/01/2026 constituiu ato executório de termos já integralmente definidos, configurando evento subsequente ajustável nos termos do CPC 24. O Termo não foi assinado em dezembro exclusivamente por ausência de expediente na PGFN", continuou o Corinthians - vale ressaltar que existe aí no documento uma distinção entre a data apontada pela auditoria, 2 de fevereiro, e a manifestada pelo clube, 2 de janeiro.
Essas dívidas eram originárias de programas de refinanciamento fiscal promovidos pelo governo federal, como Perse e Profut. Também entram na conta dívidas de contribuições ao INSS e impostos como IRRF, Cofins, CSLL e PIS. Além disso, o clube também reajustou débitos de FGTS.
Na prática, a divergência não altera o caixa imediato do clube, mas muda significativamente a fotografia contábil de 2025, ao impactar diretamente o resultado do exercício e o patrimônio líquido. A discussão ocorre em um momento de guerra política interna pela aprovação ou reprovação das contas.
Os conselheiros se reúnem na próxima segunda-feira, no Parque São Jorge, para tratar do assunto.
O Corinthians fechou 2025, segundo seu balanço, com déficit de R$ 143,4 milhões. Os R$ 593,3 milhões, embora lançados como receita, não têm impacto nesse resultado, já que entram em linha de “itens que não afetam o caixa”.
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