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Por que Caixa recusou proposta do Corinthians para quitar Neo Química Arena?

Vista aérea da Neo Química Arena, estádio do Corinthians, antes de partida contra o Internacional no Brasileirão de 2023 Getty

A Caixa recusou a proposta do Corinthians para quitar a Neo Química Arena por considerar "inviável" o planejamento feito pelo clube ao estruturar a origem dos recursos que seriam usados para o pagamento. A intenção alvinegra era de quitar um total de R$ 531,51 milhões ao banco.

A ESPN teve acesso ao documento da negativa da Caixa, datado de 9 de fevereiro de 2024. Foi a resposta a uma proposta apresentada em novembro de 2023, às vésperas da eleição presidencial no Corinthians, ainda na gestão de Duílio Monteiro Alves – hoje sucedido por Augusto Melo no cargo.

O plano corintiano previa o pagamento da dívida com a Caixa em duas frentes: a primeira com repasse do dinheiro recebido da Hypera Pharma no contrato de naming rights da Arena; a segunda com créditos que seriam adquiridos em contratos de FCVS.

FCVS é a sigla para Fundo de Compensação de Variações Salariais. Na prática, são dívidas do Governo, do Tesouro Nacional, que pertencem a um fundo gerido pela Caixa. O Corinthians "compraria" junto a duas empresas e repassaria ao banco, em tese, anulando o valor que seria devido inicialmente.

A análise da Caixa, porém, apontou que as duas alternativas propostas pelo Corinthians eram "inviáveis", rejeitando assim a proposta de quitação por inteiro.

Em relação ao dinheiro dos naming rights da Arena, a Caixa pontua que o crédito não pertence formalmente ao Corinthians, mas sim ao "Arena Fundo de Investimentos", que é hoje de propriedade do clube e é o responsável pelo pagamento do estádio.

E complementa que, ainda que a oferta do crédito fosse feita pelo Arena Fundo, o dinheiro não poderia ser usado para esse fim com base em um entendimento prévio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula os fundos de investimentos no Brasil.

O cálculo do Corinthians era abater com os valores recebidos da Hypera exatos R$ 356.510.697,00 da dívida com a Caixa pela Arena.

Já em relação aos créditos FCVS, segundo a Caixa, também "não são aptos aos fins pretendidos na Proposta de Quitação", segundo descrito no documento obtido pela ESPN. A tentativa do Corinthians era abater R$ 175 milhões da dívida com esses papeis.

A notícia de que o Corinthians negociava com a Caixa a quitação da Arena gerou bastante repercussão às vésperas da eleição presidencial do clube, que acabou vencida pelo candidato da oposição ao grupo de Duílio, Augusto Melo.

A nova diretoria corintiana, inclusive, deve procurar a Caixa nos próximos dias para retomar as conversas e avaliar as possibilidades para a quitação da dívida.

Vale lembrar que, desde 2022, Corinthians e Caixa tem assinada uma renegociação para o pagamento da dívida pelo financiamento do estádio, que foi inaugurado em 2014 para a Copa do Mundo. Sem o aceite do banco da quitação, os moldes do acordo seguem vigentes.

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