<
>

Bíceps femoral: entenda a lesão que assombra estrelas às vésperas da Copa do Mundo

Não há nada mais temido em um ano de Copa do Mundo do que as lesões. A história traz inúmeros exemplos de craques que perderam a principal competição entre seleções por problemas físicos.

Em 2026, chama atenção uma quantidade grande de jogadores de peso tendo uma lesão específica, no bíceps femoral.

Éder Militão, do Real Madrid, e Raphinha e Lamine Yamal, do Barcelona, são os principais exemplos recentes. Mas afinal, o que é essa lesão?

O ESPN.com.br conversou com o Dr. Diego Munhoz, médico ortopedista especialista em cirurgia de joelho, graduado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), para abordar as principais questões sobre a lesão no bíceps femoral.

  • O que é uma lesão no bíceps femoral?

“A lesão no bíceps femoral é uma das mais comuns no futebol e faz parte do grupo dos isquiotibiais, músculos localizados na parte posterior (de trás) da coxa, fundamentais para movimentos explosivos como arrancadas, mudanças de direção e finalizações. No caso de atletas de alto nível como Lamine Yamal, que dependem muito de velocidade e potência, esse músculo é constantemente exigido, o que aumenta a vulnerabilidade a lesões.”

  • Quais são as causas da lesão no bíceps femoral da coxa?

“As causas mais frequentes estão relacionadas à sobrecarga e à fadiga muscular, especialmente em períodos de alta intensidade competitiva. Por isso, é bastante comum vermos esse tipo de lesão na reta final da temporada. O acúmulo de jogos, a redução do tempo de recuperação e a queda do desempenho muscular aumentam significativamente o risco. Situações recentes envolvendo Frenkie de Jong e Ibrahim Diarra ilustram bem esse cenário, mostrando que não se trata de um caso isolado, mas de um padrão dentro do calendário atual do futebol.”

A fala do Dr. Diego se reflete nas lesões ocorridas apenas nos últimos dias: Militão, no dia 21, e Yamal, no dia 22.

  • Quanto tempo em média demora para se recuperar de acordo com cada grau da lesão?

“O tempo de recuperação depende do grau da lesão. Nos casos leves, o retorno pode ocorrer em uma a três semanas; nas lesões moderadas, com ruptura parcial das fibras, esse período varia entre quatro e oito semanas; já nas lesões mais graves, com ruptura completa, a recuperação pode ultrapassar três meses e eventualmente exigir tratamento cirúrgico. Quando um clube opta por tratamento conservador e já afasta o atleta do restante da temporada, como fez o FC Barcelona, isso geralmente indica uma lesão de grau moderado, com foco em recuperação completa e segura.”

Raphinha se lesionou em março, durante a Data Fifa, e logo em seguida iniciou um tratamento conservador. O atacante do Barcelona deve retornar aos treinamentos na próxima semana, como revelou o treinador Hansi Flick.

  • Faltando menos de 50 dias (48 dias nesta sexta-feira) para a Copa, quem se lesiona por agora, fica muito sob risco?

“A menos de 50 dias de uma competição como a Copa do Mundo, uma lesão muscular traz um risco importante. O principal problema não é apenas o tempo de cicatrização, mas a dificuldade de recuperar o nível ideal de força, potência e confiança para competir em alto nível. Além disso, existe um risco elevado de recidiva caso o retorno seja precipitado. Por isso, a decisão mais prudente costuma ser controlar a carga, respeitar o tempo biológico de recuperação e priorizar a condição do atleta a médio prazo. Nesse contexto, a estratégia adotada parece adequada: abrir mão do restante da temporada para aumentar as chances de o jogador chegar plenamente recuperado e competitivo para a Copa.”

Próximos jogos da Seleção Brasileira: