Seleção de Tite começou no Qatar com duas vitórias, o que já aconteceu em outras nove Copas do Mundo
Assim como agora no Qatar, o Brasil já largou em outras nove Copas do Mundo com duas vitórias seguidas. Mas e aí, o que aconteceu depois? Tem de tudo, passando por título, tristeza, convulsão no dia da final, polêmica do meião...
Primeiro, vale registrar que demorou bastante para a seleção nacional emplacar dois triunfos em seus dois compromissos iniciais. Exatos 40 anos.
Foi só em 1970, na nona edição da disputa organizada pela Fifa, que isto aconteceu. Àquela altura, o Brasil já era bicampeão do mundo, mas não tinha, por exemplo, conseguido duas vitórias nas duas primeiras partidas nem em 1958, nem em 1962.
Nestas ocasiões, largou, na Suécia, com triunfo sobre a Áustria (3 a 0) e empate diante da Inglaterra (0 a 0); quatro anos depois, no Chile, bateu o México por 2 a 0 e na sequência ficou no 0 a 0 com a então Tchecoslováquia.
Após finalmente quebrar o tabu, no México, o Brasil precisou de 12 anos para repetir a dose, agora na Espanha. E aí desandou a vencer seus dois primeiros compromissos, emendando oito edições seguidas assim: 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010. Um longo período de 28 anos.
No Qatar, os triunfos da equipe de Tite sobre a Sérvia (2 a 0) e a Suíça (1 a 0) acabaram com um jejum de 12 anos neste quesito, já que no Brasil, em 2014, e na Rússia, em 2018, os times de Felipão e do mesmo comandante atual, respectivamente, não conseguiram ganhar os dois jogos iniciais.
Abaixo, veja o que aconteceu com o Brasil nas 9 Copas do Mundo em que venceu seus 2 primeiros jogos:
1970, a primeira vez
- Vitória 1
Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia, 3 de junho
Pelo grupo C, a seleção comandada por Zagallo saiu atrás (gol de Petras), mas reagiu e virou com sobras com gols de Rivelino, Pelé e Jairzinho (duas vezes)
- Vitória 2
Brasil 1 x 0 Inglaterra, 7 de junho
Jairzinho balançou as redes aos 15 minutos do segundo tempo e definiu o triunfo
- Como acabou?
Título! O Brasil sagrou-se o primeiro país a ser tricampeão mundial
1982, a segunda vez
- Vitória 1
Brasil 2 x 1 União Soviética, 14 de junho
Pelo grupo F, a seleção comandada por Telê Santana viu Bal marcar aos 34 minutos do primeiro tempo, e o triunfo naquele duelo apertadíssimo só aconteceu na reta final, com Sócrates e Éder, aos 29 e 43 minutos do segundo tempo, respectivamente
- Vitória 2
Brasil 4 x 1 Escócia, 18 de junho
Outra vez, a seleção saiu atrás (gol de Narey), mas dominou depois e venceu fácil com gols de Zico, Oscar, Éder e Falcão
- Como acabou?
Frustração! Em um dos quatro grupos das quartas de final, cada um com três seleções, e após ter vencido a Argentina (3 a 1), o Brasil foi para a decisão diante da Itália e acabou eliminado ao perder por 3 a 2 (três gols de Paolo Rossi)
1986, a terceira vez
- Vitória 1
Brasil 1 x 0 Espanha, 1º de junho
No grupo D, a seleção novamente comandada por Telê Santana estreou com triunfo apertado diante da boa equipe europeia de Butragueño e cia. por 1 a 0 (gol de Sócrates, aos 16 minutos do segundo tempo)
- Vitória 2
Brasil 1 x 0 Argélia, 6 de junho
Em novo jogo apertado, o time verde e amarelo só bateu os africanos com gol de Careca aos 21 minutos do segundo tempo
- Como acabou?
Drama e muito sofrimento! Após despachar a Polônia nas oitavas de final, o Brasil encarou a ótima França de Platini nas quartas. No tempo normal, empate em 1 a 1 (gols de Careca, primeiro, e Platini, depois), mas com gosto amargo, já que Zico bateu e viu o goleiro Bats defender um pênalti aos 28 minutos da etapa final. Nos pênaltis, eliminação: vitória francesa por 4 a 3, com Bats pegando a cobrança de Sócrates, e o zagueiro Júlio César carimbando a trave
1990, a quarta vez
- Vitória 1
Brasil 2 x 1 Suécia, 10 de junho
No grupo C, a seleção sob o comando de Sebastião Lazaroni ganhou com dois gols de Careca, aos 40 minutos do primeiro tempo e aos 18 do segundo; Brolin descontou aos 34 da etapa final
- Vitória 2
Brasil 1 x 0 Costa Rica, 16 de junho
O artilheiro da partida foi Müeller, que balançou as redes aos 33 minutos do primeiro tempo
- Como acabou?
Precocemente e com muita dor! Depois de passar em primeiro lugar, o Brasil teve que encarar a atual campeã do mundo nas oitavas de final, mas a Argentina vinha mal e só passara ao mata-mata em terceiro em sua chave, a B, tendo ficado atrás de Camarões e Romênia. Mas havia Maradona. O craque enfileirou no meio-campo e serviu Caniggia, que ainda driblou o goleiro Taffarel antes de jogar para o gol, aos 35 minutos do segundo tempo. 1 a 0, e rival nas quartas.
1994, a quinta vez
- Vitória 1
Brasil 2 x 0 Rússia, 20 de junho
Na chave B, a seleção do técnico Carlos Alberto Parreira triunfou com gols de Romário, aos 27 minutos do primeiro tempo, e Raí, aos 8 do segundo
- Vitória 2
Brasil 3 x 0 Camarões, 24 de junho
Romário abriu o placar, aos 39 da etapa inicial, e Márcio Santos e Bebeto definiram no tempo final, aos 21 e 28, respectivamente
- Como acabou?
Título! O Brasil transformou-se no primeiro país tetracampeão mundial
1998, a sexta vez
- Vitória 1
Brasil 2 x 1 Escócia, 10 de junho
No grupo A, a seleção de Mário Jorge Lobo Zagallo estreou com gol de César Sampaio logo aos 5 minutos do primeiro tempo; depois, tomou o empate de Collins, aos 38; na etapa final, o gol contra de Boyd aos 28 garantiu o triunfo
- Vitória 2
Brasil 3 x 0 Marrocos, 16 de junho
Ronaldo e Rivaldo, aos 9 e aos 45 minutos do primeiro tempo, e Bebeto, aos 5 do segundo, foram os responsáveis pelos gols
- Como acabou?
Desespero e vice! Craque daquele time, Ronaldo Fenômeno teve uma convulsão no dia da final, abalou todo o grupo, virou dúvida, nem saiu na escalação oficial (Edmundo estava na lista), mas de última hora foi a campo. Mas a equipe não lembrou em nada a do jogaço da semi contra a Holanda e foi atropelada por 3 a 0 pela França
2002, a sétima vez
- Vitória 1
Brasil 2 x 1 Turquia, 3 de junho
Na chave C, a equipe de Luiz Felipe Scolari levou gol de Sas aos 47 minutos do primeiro tempo e só conseguiu reagir na etapa final, com gols de Ronaldo Fenômeno, aos 5, e Rivaldo, aos 42
- Vitória 2
Brasil 4 x 0 China, 8 de junho
Foi um passeio, com tentos de Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, aos 15, 32 e 45 minutos da etapa inicial, e Ronaldo Fenômeno, aos 10 da final
- Como acabou?
Título! Após despachar Bélgica (2 a 0), Inglaterra (2 a 1) e Turquia, a seleção chegou à final contra a Alemanha e fez bonito: triunfo por 2 a 0 com gols de Ronaldo Fenômeno, aos 22 e 34 minutos do segundo tempo. Era o penta da ‘Família Scolari’
2006, a oitava vez
- Vitória 1
Brasil 1 x 0 Croácia, 13 de junho
No grupo F, a equipe novamente sob o comando de Parreira, o técnico do tetra, triunfou na estreia com gol de Kaká aos 43 minutos do primeiro tempo
- Vitória 2
Brasil 2 x 0 Austrália, 18 de junho
Após um primeiro tempo em branco, o time balançou as redes com Adriano Imperador e Fred, aos 4 e aos 44 minutos do segundo
- Como acabou?
Queda e polêmica do meião! A seleção chegou às quartas depois de passar por Gana (3 a 0), mas aí pegou a forte França, que ganhou por 1 a 0 com gol de Thierry Henry, aos 12 minutos do segundo tempo. No lance, as câmeras flagraram Roberto Carlos ajeitando o meião enquanto partia o cruzamento via falta que acabou com a bola nas redes
2010, a nona vez
- Vitória 1
Brasil 2 x 1 Coreia do Norte, 15 de junho
Na chave G, o time do técnico Dunga, capitão do tetra em 1994, debutou na África do Sul com gols de Maicon e Elano, aos 10 e aos 26 minutos do segundo tempo; Ji Yun-Nam descontou aos 44
- Vitória 2
Brasil 3 x 1 Austrália, 20 de junho
Luís Fabiano abriu o marcador aos 25 minutos do primeiro tempo; no segundo, ele fez outro aos 5, e Elano ampliou aos 17, enquanto Drogba descontou para os africanos aos 34
- Como acabou?
Eliminação com direito à virada! As quartas de final chegaram após um seguro 3 a 0 sobre o Chile na fase anterior, Robinho fez 1 a 0 logo aos 10 minutos do primeiro tempo e fez parecer que a semifinal era logo ali. Mas A Holanda reagiu na etapa final, Sneijder fez dois, aos 8 e aos 23, e acabou com a segunda tentativa do hexa
