Por que a Bélgica, 'velha', caminha para o fracasso e a culpa é toda de seu técnico

Kevin De Bruyne, da Bélgica David S. Bustamante/Getty Images

Algoz do Brasil em 2018, na Rússia, seleção belga venceu o Canadá com futebol fraco e perdeu para Marrocos no Qatar


A Bélgica tem, até aqui, a maior média de idade da Copa do Mundo do Qatar: 29,6 anos. Isto explica muito do desempenho frustrante da equipe que eliminou o Brasil nas quartas de final do Mundial de 2018, na Rússia. A tal ‘geração belga’, que é muito boa, envelheceu. Isso era mais do que esperado. O próprio Kevin de Bruyne, cracaço do Manchester City de Pep Guardiola, vinha avisando. As questões são por que o time não foi renovado? Até quando se deve apostar no histórico do jogador e não no seu desempenho atual? Perguntas cruciais para todas as seleções que disputam um torneio muito particular que desmonta mitos e revela heróis inesperados.

O técnico Roberto Martínez parece ter ficado preso ao seu grupinho de muitos anos e assim bloqueado o crescimento de outros jogadores. Mesmo que eles não tenham o mesmo talento, é preciso renovar. O futebol é cada vez mais físico, e esta Copa tem mostrado isso. A Bélgica sofre demais com sua falta de energia – que afeta também o psicológico do time.

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Some-se a isso o péssimo nível técnico de jogadores que já foram diferenciais positivos da seleção, como Eden Hazard. Ele é um caso semelhante ao de Ronaldinho Gaúcho, cuja carreira internacional despencou repentinamente após a final de Champions League de 2006. Com Hazard, o fenômeno se deu após a conquista da Europa League pelo Chelsea. Ele fez seu baile de despedida em Baku, no Azerbaijão, contra o Arsenal em 2019 (faz mais de três anos). Desde que se transferiu para o Real Madrid, sua magia acabou. Mas segue titular absoluto com o comandante espanhol de 49 anos que está no cargo desde 3 de agosto de 2016.

Uma seleção que mantém dois zagueiros que sempre foram lentos, Alderweireld e Vertonghen, respectivamente com 33 e 35 anos, como seus pilares defensivos. Um elenco que ainda aposta em Mertens, com 35 anos, para mudar o jogo no segundo tempo.

Dentro do grupo que está no Qatar há opções jovens interessantes. Com menos experiência, mas com muita força e ambição. Onana (21 anos) provou isso ao entrar após o intervalo contra o Canadá, na suada vitória por 1 a 0 da estreia, e ganhar a posição para o segundo jogo [derrota por 2 a 0 para o Marrocos]. O sósia de David Luiz, Wout Faes (24 anos), titular do Leicester, espera no banco uma chance para emprestar força e velocidade à defesa.

Para a vaga de Hazard, por que não colocar em campo a esperança De Ketelaere, a novidade do Milan na temporada? E para o ataque, Roberto Martínez ainda pode apostar na vitalidade e na entrega de Doku, do Rennes.

Isto sem falar nos que foram preteridos da convocação final, como Saelemaekers (meio-campista do Milan, 23 anos), Lokonga (meio-campista do Arsenal, 23 anos), Lukebakio (meio-campista do Hertha Berlin, 25 anos) e até mesmo Januzaj (meia-atacante do Sevilla, 27 anos). Opções para renovar o elenco existem e existiram. Houve e há tempo para equilibrar a estamina deste time.

Sem colocar juventude e ilusão em campo, a Bélgica caminha para o conformismo e o fracasso. Identificar o momento de cada jogador e saber escolher os que mais podem contribuir durante um mês histórico como sempre são os de Copa pode marcar a carreira de um técnico, para o bem ou para o mal.