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Ranking: Veja quais foram as melhores - e piores - das 21 Copas do Mundo realizadas até hoje

Romário beija a taça da Copa de 1994 após a vitória sobre a Itália DANIEL GARCIA/AFP via Getty Images

22ª Copa do Mundo, no Qatar, começa neste domingo


Foram disputadas 21 Copas do Mundo desde 1930 e, próximo da edição 2022, decidimos reexaminar e classificar todas as anteriores. Buscando apoio em dados e mesclando com opiniões emocionadas, juntamos tudo que é mais importante para ordenar cada uma delas neste ranking.

Antes de tudo, precisamos explicar a metodologia disso.

Cada jogador histórico e polêmica envolvida vale 10 pontos. Ganha cinco pontos se uma grande final foi realizada, uma grande potência perdeu para uma zebra, o local e torcedores que marcaram época e também a quantidade de gols.

Além disso, 10 pontos são colocados em memórias marcantes na história do futebol. Talvez isso seja muito subjetivo, estranho, baseado em emoções e tudo isso seja bastante controverso. Talvez até faça sentido, mas tentamos fazer como a própria Copa do Mundo é.

21. 1930

Anfitriões: Uruguai

Final: Uruguai 4 x 2 Argentina

Artilheiro: Guillermo Stabile, Argentina (8 gols)

Pontuação: 14/50

Todo grande evento precisa começar de algum lugar e a primeira edição da Copa do Mundo foi ruim por vários motivos. Este é o caso de um torneio que teve um começo muito bruto e o esporte ainda era muito novo, então tinham poucas estrelas e pouco poder comercial.

Os anfitriões venceram e na revanche da Final Olímpica de 1928, em que também venceram. Alberto Suppici, técnico da celeste uruguaia, tinha apenas 31 anos quando conseguiu o feito. Com apenas 13 times e pouco senso dos elencos, talentos e forma de jogar, poucos gols foram feitos e tiveram apenas 18 partidas.

Todos os países europeus foram de barco para o torneio e o Uruguai parecia ser um grande lugar para que a odisseia ocorresse. Seis times tentaram, mas logo cinco retiraram seus nomes para que o país conseguisse ser anfitrião. Os três estádios escolhidos tinham um ótimo público e quase 90 mil pessoas assistiram a derrota da Argentina na final, em Montevideo.

20. 1934

Anfitrião: Itália

Final: Itália 2 x 1 Tchecoslováquia

Artilheiro: Oldrich Nejedly, Tchecoslováquia (5 gols)

Pontuação: 19/50

Com o atual campeão Uruguai boicotando o torneio (alegando que não havia muitas equipes europeias em 1930 e deram uma ‘retaliação’), não havia nenhuma potência a ser derrubada e deu-se pouca continuidade da primeira edição. A Copa do Mundo de 1934 é lembrada principalmente como uma vitrine para Benito Mussolini e seu governo fascista, sendo a primeira de muitas com uma seleção de anfitriões mal-intencionados. Alegações de manipulação de resultados persistiram, embora também fosse claro que a Itália era provavelmente a melhor equipe do torneio.

Os tchecos certamente não facilitaram as coisas na final. O gol de Antonin Puc deu aos visitantes uma vantagem de 1 a 0, aos 71 minutos, antes de Raimundo Orsi igualar. A segunda final da Copa do Mundo foi a primeira a ir para a prorrogação. Angelo Schiavio marcou nos cinco minutos finais para dar a vitória aos anfitriões.

Um fato diferenciado: esta foi a única Copa do Mundo de Matthias Sindelar. O capitão da Áustria foi um dos primeiros grandes do esporte e ajudou a levar o país a um quarto lugar. Depois de se recusar a jogar pela Alemanha nazista, ele morreu suspeitosamente em sua casa em 1939.

19. 1938

Anfitriã: França

Final: Itália 4 x 2 Hungria

Artilheiro: Leonidas, Brasil (7 gols)

Pontuação: 23/50

Este torneio é, talvez, o mais conhecido pelo exemplo de choque total entre o esporte e a geopolítica, já que normalmente são separados, mesmo não sendo. Ocorreu enquanto o mundo estava na iminência da Segunda Guerra Mundial, que começaria oficialmente no início de 1939. Mesmo assim, quando a Copa do Mundo de 1938 aconteceu, a Alemanha já havia anexado a Áustria, o que levou esta última a se retirar do torneio, e a Espanha não participou porque ainda estava no auge de sua própria Guerra Civil.

A França ganhou a função de anfitriã quase por automatismo, já que a Fifa optou por uma segunda competição consecutiva na Europa e, naquele momento, a Alemanha simplesmente não era uma opção. No entanto, este efeito fez com que várias grandes nações (nomeadamente Argentina e Uruguai) ficassem longe por puro protesto. Além disso, cenas feias no campo aconteceram quando a campeã Itália optou por usar camisas pretas, sobre seu tradicional azul, nas quartas de final contra a França, até mesmo dando a saudação fascista à multidão antes do apito inicial.

Rumores indicaram que Mussolini havia insistido na mudança do uniforme e até mesmo enviado mensagens motivacionais para a equipe. O elenco até tentou passar por isso e fazer as coisas diferentes, mas isso não impediu a Itália de vencer a França, o Brasil e a Hungria a caminho de um segundo título da Copa do Mundo. Este seria o torneio final até o hiato, por causa da guerra.

Mesmo com a presença do deslumbrante Giuseppe Meazza, o melhor jogador italiano de todos os tempos, cujo nome foi colocado no San Siro, onde jogou por Inter de Milão e Milan, nada disso tirou a vergonha do episódio dos "camisas negras" e todo o entorno dos eventos mundiais que pairavam sobre este torneio.

18. 1978

Anfitriã: Argentina

Final: Argentina 3 x 1 Holanda

Artilheiro: Mario Kempes, Argentina (6 gols)

Pontuação: 24/50

Ao sair de uma incrível série de torneios em 1966, 1970 e 1974, este caiu de qualidade por várias razões. Em primeiro lugar, o poder das estrelas foi consideravelmente abalado pela aposentadoria internacional de Johan Cruyff, além do fato de que a Inglaterra, a União Soviética e a campeã européia, Tchecoslováquia, não conseguiram se classificar. Você ainda tinha estrelas como o brasileiro Rivellino e o italiano Paolo Rossi. Houve também uma grande quantidade de gols: 14 partidas com pelo menos quatro, incluindo a final. Mas, novamente, o padrão caiu um pouco.

Em segundo lugar, e mais importante, a controvérsia novamente era gigantesca tal como na Itália, em 1934. A Argentina usou a oportunidade de anfitriã como uma forma de promover seu regime ditatorial. Adversários políticos desapareceram neste momento, basta pesquisar sobre "Las Madres de Plaza de Mayo". Além disso, a vitória da Argentina sobre o Peru, por 6 a 0, em uma partida que, por acaso, precisava deste exato número de gols para os anfitriões avançarem de fase, é uma das mais suspeitas na história da Copa do Mundo.

No final, um time holandês sem Cruyff ainda chegou na final e forçou a prorrogação com um gol de Dick Nanninga. Rob Rensenbrink teve uma chance de fazer os holandeses ganharem no tempo regulamentar, mas acertou a trave. Os gols de Mario Kempes e Daniel Bertoni deram o primeiro título à celeste argentina.

17. 2018

Anfitriã: Rússia

Final: França 4 x 2 Croácia

Artilheiro: Harry Kane, Inglaterra (5 gols)

Pontuação: 25/50

Esta Copa do Mundo prometia muito mais em termos de jogadores e talento individual, com o poder das estrelas nas equipes, mas o torneio parecia mais sobre os sistemas dos times do que desempenho individual. Isso porque as equipes mais fortes prevaleciam sobre o talento de um jogador. Lionel Messi conseguiu apenas um gol, Luka Modric foi o melhor jogador do torneio, por conta de uma Croácia que jogava de maneira sólida como equipe, e Cristiano Ronaldo, que fez quatro gols em partidas excepcionais na fase de grupos mostrando seu valor individual, viu sua seleção de Portugal cair para o Uruguai, nas oitavas de final. Tudo rápido e simples.

No fim, a equipe mais talentosa, França, levou para casa o troféu, com os gols de Kylian Mbappe e Antoine Griezmann. Talvez tenha sido a última vez que vimos Paul Pogba jogar da melhor maneira possível depois de tanta promessa. A Croácia, que se beneficiou de um sistema eficiente, mas sem tanto talento, conseguiu fazer uma final razoavelmente divertida, de seis gols.

Tivemos algumas supresas interessantes. México e Suécia derrotando a Alemanha na fase de grupos, embora tenha sido, de longe, a pior Copa do Mundo para os alemães. Muitas das grandes equipes, que já eram esperadas, conseguiram chegar à fase de mata-mata. Apenas quatro cartões vermelhos foram entregues durante todo o torneio, o número mais baixo para uma Copa do Mundo desde 1978. Você pode pensar que a corrida da Croácia até a final foi uma grande chatice, mas eles tiveram o benefício de ter veteranos experientes e um chaveamento generoso, precisando bater Dinamarca, Rússia e Inglaterra para chegar a final.

As principais questões do torneio foram, como era de se esperar, fora de campo, com a anfitriã Rússia enfrentando intensas críticas por suas questões de direitos humanos e hostilidade para com a comunidade LGBTQ+. Além disso, o Departamento de Justiça dos EUA acabaria por confirmar que descobriram provas de subornos entregues aos funcionários da Fifa, em troca de apoiar sua candidatura como anfitriã.

16. 1962

Anfitrião: Chile

Final: Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia

Artilheiro: Garrincha, Brasil; Florian Albert, Hungria; Valentin Ivanov, União Soviética; Drazan Jerkovic, Iugoslávia; Leonel Sanchez, Chile; Vava, Brasil (4 gols)

Pontuação: 26/50

Uma incrível síntese de acontecimentos que colocou frente a frente grandes talentos, mas que produziram poucas memórias duradouras. Ou pelo menos, poucas boas memórias.

A geração de estrelas dos anos 50 tem fortes nomes. Os brasileiros Didi e Nilton Santos, o espanhol Paco Gento e Ferenc Puskas representavam bem esta transição à geração seguinte, dos brasileiros Pelé e Garrincha, o inglês Bobby Charlton, e estavam amadurecendo no momento certo. Garrincha, em particular, conquistou seu lugar de destaque tanto como herói nacional quanto como presença nas listas de melhor da história com atuações dominantes suprindo a ausência do lesionado Pelé. A mais notória foi ter marcado duas vezes na vitória sobre a Inglaterra, por 3 a 1, nas quartas de final. Os tchecos deram ao Brasil um duro teste na final, assumindo uma vantagem rápida e permanecendo empatado até os 20 minutos finais, mas o Brasil se sobressaiu no fim e conseguiu o bicampeonato.

Mesmo assim, isto é lembrado principalmente como um torneio desagradável e violento, caracterizado pela "Batalha de Santiago". Uma vitória do Chile, por 2 a 0, sobre a Itália, em que exigiu presença policial e foi o momento em que se criou o sistema moderno de cartões amarelos/vermelhos. As médias de gols caíram. Apenas quatro estádios chilenos foram utilizados, porque o famoso terremoto “Valdivia”, de 1960, danificou o país e o comparecimento foi incerto, devido à dificuldade de se chegar da Europa ao Chile na época.

15. 1990

Anfitriã: Itália

Final: Alemanha Ocidental 1 x 0 Argentina

Artilheiro: Salvatore Schilacci, Itália (6 gols)

Pontuação: 26/50

No papel, há muito a amar neste torneio. Alguns dos melhores jogadores da história estavam presentes: Roberto Baggio, Franco Baresi e Paolo Maldini na Itália; Ruud Gullit e Marco van Basten, vestindo a laranja da Holanda; Lothar Matthaus, da Alemanha Ocidental; Romário, no Brasil, mesmo sendo considerada uma das mais fracas equipes na história brasileira; Diego Maradona, na Argentina.

Além disso, tiveram batalhas duras nas últimas fases, com direito a disputas de pênaltis entre Alemanha Ocidental com Inglaterra e Argentina contra Itália. Você também teve a incrível história de Camarões e do atacante (e dançarino) Roger Milla, de 38 anos, que chocou a Argentina e a Colômbia a caminho das quartas de final. A Irlanda chegando às quartas de final foi algo único também.

Você até teve uma polêmica inacreditável na qualificação, quando o Chile foi banido depois que o goleiro Roberto Rojas fingiu uma lesão, com a ajuda de uma lâmina de barbear escondida em sua luva, de um fogo de artifício lançado das arquibancadas. O México também foi banido dos Jogos Olímpicos de 1988 e da Copa do Mundo de 1990, por desrespeitar os limites de idade nas competições juvenis, o que abriu as portas para os EUA se classificarem pela primeira vez em 40 anos.

Para quem realmente assistiu a edição de 1990, no entanto, os sentimentos positivos só vão até aqui. Este é geralmente conhecido como o torneio que teve muitos empates e vitórias ‘magras’ de 1 a 0. A final também foi algo cauteloso e cínico. O argentino Pedro Monzon recebeu um cartão vermelho, aos 65 minutos, após Jurgen Klinsmann claramente se jogar. A Alemanha Ocidental venceu após um pênalti que Andreas Brehme converteu, aos 85 minutos. A Argentina receberia outro cartão vermelho no final, mas desta vez merecido.

14. 2010

Anfitriões: África do Sul

Final: Espanha 1 x 0 Holanda (prorrogação)

Artilheiro: Diego Forlan, Uruguai; Thomas Muller, Alemanha; Wesley Sneijder, Holanda; David Villa, Espanha (4 gols)

Pontuação: 27/50

(Sons de vuvuzela no fundo)

O sentimento era de domínio da Espanha. Ganharam a Eurocopa em 2008, com um desenvolvimento estilístico e marcante, que levava peças do Tiki Taka do Barcelona. Porém, 12 dos 16 jogos na fase eliminatória em 2010 foram decididos por um gol ou pênaltis. Mas aquelas quartas de final foram memoráveis. O Uruguai venceu Gana graças ao marcante momento de Luis Suárez, que defendeu com a mão, colocando Asamoah Gyan para bater o pênalti e errar, estendendo o empate e o triunfo nos pênaltis veio para a celeste sulamericana mais tarde. A Holanda venceu o Brasil, por 2 a 1. A Espanha venceu com um gol suado no final da partida contra o Paraguai. A Alemanha marcou três gols contra a Argentina e pode ter sido a melhor fase que o torneio já viu.

[As vuvuzelas se intensificam ao fundo].

Suárez defendendo com a mão foi algo histórico, sem mencionar o motim dos jogadores franceses: A Federação Francesa de Futebol mandou Nicolas Anelka para casa após um problema com o técnico Raymond Domenech. Toda a equipe se recusou a treinar. Patrice Evra não foi mais capitão e a França caiu para a África do Sul. A Suíça surpreendeu e venceu a Espanha na fase de grupos, embora, obviamente, não parou a fúria espanhola.

[As vuvuzelas tocam na sua mente e o barulho começa a ficar ensurdecedor].

A final, em si, tinha grandes promessas, mas a Holanda, ao invés disso, tentou transformá-la em um jogo de futebol americano. Eles cometeram 28 faltas e receberam oito cartões amarelos. De alguma forma Nigel de Jong não foi expulso por um chute de karatê no intestino de Xabi Alonso, no primeiro tempo. A Espanha finalmente achou espaço, quando Johnny Heitinga foi expulso aos 109 minutos e Andrés Iniesta marcou aos 116 minutos.

13. 1958

Anfitriões: Suécia

Final: Suécia 2 x 5 Brasil

Artilheiro: Just Fontaine, França (13 gols)

Pontuação: 28/50

Por que não classificamos esta Copa do Mundo mais alto? Foi a primeira de Pelé! Tivemos a dupla com Garrincha. Vava, o Peito de Aço. Foi também o tão esperado primeiro título da Copa do Mundo para o Brasil e eles se tornaram o melhor time da Suécia, misturando os jovens astros com os veteranos, como Nilton Santos, um dos maiores defensores da geração. A seleção também mostrou uma gigantesca preparação técnica além do campo: O treinador Vicente Feola insistiu em trazer uma equipe enorme para Estocolmo, incluindo um dentista e um psicólogo esportivo. O médico da equipe foi responsável pela escolha da base da equipe durante a Copa do Mundo, escolhendo um local dentro das melhores viagens a partir das cidades-sede e das melhores instalações de treinamento.

Os melhores jogadores do mundo realmente estavam ali. Além de Pelé e Garrincha, você teve o Lev Yashin, da União Soviética, o único goleiro a ganhar a Bola de Ouro. Bobby Charlton, da Inglaterra, uma lenda do Manchester United que sobreviveu ao desastre aéreo de Munique. Raymond Kopa, da França, o Bola de Ouro de 1958. E o principal jogador da "Equipe de Ouro" da Hungria, Nandor Hidegkuti. No entanto, nenhum time foi igualado pelo Brasil, que venceu os três jogos da fase de grupos sem levar um gol, batendo a Áustria, Inglaterra e União Soviética. Depois deu uma surra de cinco gols contra a França nas semifinais e venceu a Suécia na final com outra goleada. Nem mesmo a marca de Just Fontaine da França, com 13 gols, o recorde em uma edição até hoje, poderia compensar um torneio conhecido pelo domínio de uma nação.

12. 1954

Anfitrião: Suíça

Final: Alemanha Ocidental 3 x 2 Hungria

Artilheiro: Sandor Kocsis, Hungria (11 gols)

Pontuação: 29/50

Depois que as edições de 1942 e 1946 foram canceladas devido à Segunda Guerra Mundial e algumas seleções importantes, ou ficaram fora do torneio de 1950 ou foram banidas, a edição de 1954 a Copa do Mundo foi a que mais teve detalhe.

O Brasil estava se preparando para ser o que conhecemos mundialmente hoje. O Uruguai, atual campeão, ainda era fantástico. As equipes europeias estavam carregadas de talento e a Hungria era possivelmente a melhor seleção nacional produzida até hoje. As futuras estrelas do Real Madrid, Ferenc Puskas (Hungria) e Raymond Kopa (França) estavam se aproximando de seus respectivos picos, e as estrelas brasileiras Didi e Nilton Santos fizeram sua estreia na Copa do Mundo. Entre o talento e os totais de gols esmagadores (5,4 por partida em média, facilmente o mais alto de todos os tempos), este foi um torneio impressionante antes mesmo de você considerar uma das maiores reviravoltas da história do esporte: A Alemanha Ocidental venceu na final, o que ficou conhecido como "O Milagre de Berna".

A Hungria derrotou a Alemanha Ocidental, por 8 a 3, na fase de grupos e chegou a uma vantagem de 2 a 0, em oito minutos de jogo, graças aos gols de Puskas e Zoltan Czibor. Mas os alemães empataram o jogo aos 18 minutos e depois conseguiram o gol da vitória, com Helmut Rahn, faltando 6 minutos para o jogo acabar. Puskas quase empatou o jogo depois, mas foi marcado um impedimento polêmico.

Mais controvérsia: funcionários húngaros completamente irritados acusaram os alemães de doping, porque estavam em muito melhor forma no final da partida. Antes do "O Milagre de Berna" tivemos também "A Batalha de Berna", uma vitória da Hungria, por 4 a 2, contra o Brasil, nas quartas de final, que terminou com jogadores brasileiros irritados invadindo o vestiário húngaro para continuar uma briga no campo.

11. 2014

Anfitrião: Brasil

Final: Alemanha 1 x 0 Argentina (prorrogação)

Artilheiro: James Rodriguez, Colômbia (6 gols)

Pontuação: 30/50

Este torneio tem vários momentos inesquecíveis.

A Copa do Mundo de 2014, no Brasil, deu ao futebol o gol de Robin van Persie, aquele peixinho contra a Espanha. James Rodriguez acertou aquele tiro de fora da área contra o Uruguai. Além de um vencedor tecnicamente perfeito, que foi aquela Alemanha, o gol de Mario Gotze, na final, foi a cereja do bolo.

Deu zebra também! A Costa Rica passou de fase em um grupo que contou com Itália, Inglaterra e Uruguai. Depois quase derrotou a Holanda, nas quartas de final, antes de cair nos pênaltis.

A Espanha, vencedora de três grandes torneios consecutivos e em seu melhor momento, foi eliminada na fase de grupos, após derrotas de 5 a 1 para a Holanda e 2 a 0 para o Chile.

As quartas de final Brasil contra Colômbia tiveram várias polêmicas. Neymar sofreu uma fratura na vértebra por causa de uma joelhada de Camilo Zuniga, da Colômbia, e ficou fora da competição.

Com isso chegamos no 7 x 1 da Alemanha, na semifinal.

Não foi um torneio perfeito. A final foi próxima disso, mas extremamente cautelosa. Só 20 chutes no gol foram dados, em 120 minutos, mesmo com vários jogadores de ponta no ataque, como Messi, Higuaín e aquele ataque alemão. Naquela época, as controvérsias no tratamento dado aos trabalhadores da construção civil se dava pelos reconhecimentos e se teriam acesso a espaços durante a Copa. Várias famílias foram realocadas durante a construção dos estádios. Mas, em campo, foi mais memorável do que a maioria.

10. 2002

Anfitriões: Coreia do Sul e Japão

Final: Brasil 2 x 0 Alemanha

Artilheiro: Ronaldo, Brasil (8 gols)

Pontuação: 31/50

Esta é uma Copa do Mundo difícil de julgar usando nossa fórmula porque teve uma das maiores concentrações de jogadores incríveis. Ronaldo, Zinedine Zidane, Paolo Maldini, Thierry Henry, David Beckham, Xavi estavam presentes, mas não conseguimos ver muito deles, porque uma série de questões (tanto legítimas, quanto controversas) colocaram os favoritos de volta para casa. No caso de Zidane, sua Copa do Mundo terminou antes de começar, já que uma lesão de quadríceps, em um amistoso antes do torneio, contra a Coréia do Sul, o deixou fora nos dois primeiros jogos e o terceiro da fase de grupos foi o último da França em 2002.

A difícil diferença de fuso horário para os torcedores (+12 horas para quem está no horário de Brasília) significava madrugar para ver os jogos. Alguns lembram isso com carinho, mas grande parte das partidas ainda tinham aquela névoa sonolenta, que você associaria a um estado parecido com um sonho ou até transformando a TV em um rádio, com os olhos fechados, enquanto a narração continuava. Senegal surpreendeu a campeã França, que não conseguiu superar a falta de Zidane e ausência de Robert Pires, e fracassou para passar de fase. A República da Irlanda perdeu qualquer chance que tinha, com Roy Keane brigando com a Federação Irlandesa e disse ao técnico da época, Mick McCarthy, para "enfiar a Copa do Mundo no seu c*" antes de ser mandado para casa.

Haveria outras questões também: os co-anfitriões da Coreia do Sul chegaram até as semifinais, a primeira nação de fora da Europa e das Américas a conseguir este feito, embora até hoje ser dito que só aconteceu por ajuda dos juízes. Primeiro, o árbitro Byron Moreno expulsou o italiano Francesco Totti e negou um gol bastante claro, fazendo a Coreia do Sul vencer, por 2 a 1, na prorrogação. Esta situação foi tão confusa que até mesmo o então presidente da Fifa, Sepp Blatter, fez uma declaração, pedindo à Azzurra que "exibisse alguma dignidade" em sua saída, enquanto admitiu que a Fifa reformaria seu processo de seleção de árbitros para futuras Copas do Mundo. Depois a equipe coreana derrotou a Espanha, nos pênaltis, graças a dois grandes gols anulados a seu favor.

No final, o Brasil derrotou a Alemanha com Ronaldo conseguindo sua redenção e entrando na conversa entre os maiores da história. Para todas as polêmicas durante o torneio, a final foi decepcionantemente tranquila.

9. 1950

Anfitrião: Brasil

Final: Brasil 1 x 2 Uruguai

Artilheiro: Ademir, Brasil (8 gols)

Pontuação: 32/50

A Copa do Mundo voltou após uma ausência de 12 anos, devido à Segunda Guerra Mundial, mas não estava carregada de estrelas. Alemanha e Japão foram proibidas. Três das 16 equipes, sendo uma delas a Argentina, se retiraram antes da competição começar. A Europa Oriental, em sua maioria, se recusou a participar. A equipe nacional italiana ainda sofria com o devastador acidente de avião Superga, no ano anterior, que havia matado toda a equipe do Torino.

No entanto, o torneio apresentou dois dos resultados mais chocantes da história do esporte. Em primeiro lugar, um confronto entre a equipe dos Estados Unidos, aparentemente superada, venceu a favorita Inglaterra, por 1 a 0, com um gol de Joe Gaetjens, aos 38 minutos de jogo. O aborrecimento inspirou tanto um livro quanto um filme (terrível), intitulado "O jogo da vida deles", e tirou a Inglaterra da fase de grupos.

Outro ponto foi a final. O Brasil havia superado seus cinco primeiros adversários por um placar combinado de 21 a 4. Precisava apenas de um empate contra o Uruguai para conquistar o título. Diante de um público claramente gigantesco, onde se estima perto de 173.850 pessoas no Maracanã, em pleno Rio de Janeiro, os uruguaios assumiram a liderança no início do segundo tempo, mas os gols de Pepe Schiaffino e Alcides Ghiggia, nos 25 minutos finais, deram ao Uruguai uma vitória impressionante. Este jogo é lembrado no Brasil como "A Tragédia do Maracanã" e o goleiro Moacir Barbosa é, infelizmente, culpado pelo gol final até hoje.

8. 1974

Anfitriões: Alemanha Ocidental

Final: Alemanha Ocidental 2 x 1 Holanda

Artilheiro: Grzegorz Lato, Polônia (7 gols)

Pontuação: 33/50

Embora este torneio possa ter faltado o drama de outras edições, ele compensou ausências notáveis com a magnífica equipe holandesa, que encantou o mundo com seu “Futebol total”, mas foi derrotada na desoladora final. Também recebemos um troféu totalmente novo, que é aquele que associamos à Copa do Mundo nos dias de hoje, pois os três títulos do Brasil levaram a Fifa a entregar a Jules Rimet.

No entanto, este torneio foi todo sobre os holandeses, muito porque eles não ganharam. A maneira como a equipe de Rinus Michels jogou, com um desfoque de posição, com movimentações livres guiadas pelo futebol de Johan Cruyff, foi verdadeiramente revolucionária. Até hoje as equipes estudam esta holanda, como o Barcelona ‘Tiki Taka’ e o Manchester City, de Pep Guardiola. A Holanda foi uma alternativa caótica e efervescente à excelência rígida dos anfitriões da Alemanha Ocidental.

Embalado pelo jogo brilhante de Franz Beckenbauer e pela ofensividade de Paul Breitner e Gerd Muller, a Alemanha Ocidental foi impressionante na neutralização dos holandeses, que substituíram o Brasil como favorito dos torcedores globais. Mais do que corresponderam a estes anseios e foram os queridinhos da edição. No entanto, sua reputação subiu à cabeça. A mídia alemã noticiou sobre uma "festa da piscina", dias antes da final, na qual as estrelas da Laranja Mecânica pareciam curtir mais as mulheres presentes do que se preparar para o jogo. As reportagens nunca foram confirmadas, mas a distração ajudou a tirar o foco do estilo de jogo e a Alemanha saiu vitoriosa.

7. 1966

Anfitriões: Inglaterra

Final: Inglaterra 4 x 2 Alemanha Oriental (prorrogação)

Artilheiro: Eusebio, Portugal (6 gols)

Pontuação: 34/50

O maior prêmio do futebol foi, finalmente, para o país em que o esporte foi inventado. A Inglaterra empatou com o Uruguai em sua partida de abertura, mas ganhou cinco vezes seguidas até lá, eliminando Portugal, de Eusébio, nas semifinais e depois superou a Alemanha Ocidental em uma deliciosa final. Os alemães assumiram a liderança logo no início, depois tomaram a virada, por 2 a 1, e conseguiram chegar à prorrogação. Este jogo foi decidido por um fato extremamente questionado até os dias de hoje, que entra na lista de polêmicas de anfitriões em Copa. Quase no final da partida, Geoff Hurts acertou a bola com uma cabeçada, que deu a vitória aos ingleses. Em vídeos é nítido enxergar que a bola não cruzou a linha, mas o gol foi dado e a Inglaterra conseguiu ser campeã.

O torneio havia sido excepcional mesmo antes da final. O português Eusébio, um dos grandes jogadores da história, aproveitou ao máximo sua única Copa do Mundo marcando nove gols, em seis partidas. Os grandes ingleses Bobby Charlton e Bobby Moore também estiveram no seu melhor, enquanto o astro Franz Beckenbauer, com apenas 20 anos, foi um dos jogadores mais destacados da competição em sua estréia no torneio. Depois de vencer sua partida de abertura contra a Bulgária, o Brasil, bicampeão do torneio, caiu chocantemente torneio com derrotas para Hungria e Portugal.

6. 1994

Anfitriões: Estados Unidos

Final: Brasil 0 (3) x (2) 0 Itália (pênaltis)

Artilheiro: Oleg Salenko, Russia e Hristo Stoichkov, Bulgaria (6 gols)

Andres Escobar, deitado de costas, depois de marcar um gol contra na segunda partida da Colômbia, contra os Estados Unidos, que acabou sendo eliminado. Roberto Baggio mandou a bola para o espaço. A estrela pop Diana Ross perdeu um pênalti à queima-roupa durante a cerimônia de abertura do torneio. A maior partida do mundo (a final da Copa do Mundo) em uma das mais belas instalações esportivas do mundo (o Rose Bowl).

Em termos de imagens, será difícil chegar ao topo em 1994. Os níveis de problemáticas também foram altos: o lendário teste de drogas Maradona para a substância proibida efedrina e, claro, o trágico assassinato de Escobar ao voltar para a Colômbia.

Esta competição era toda uma questão de tensão. Cada partida eliminatória era decidida por um gol ou pênaltis. A vitória do Brasil, por 3 a 2, nas quartas de final contra a Holanda apresentou cinco gols em 28 minutos. Stoichkov, da Bulgária, tornou-se um dos maiores astros do jogo com um hat-trick só nas oitavas de final, ajudando sua equipe em uma corrida chocante para as semifinais.

O Brasil teve inúmeras oportunidades para tomar o controle da final. A Itália tentou apenas um chute nos primeiros 64 minutos de partida. O Brasil: 24 chutes. Mas este torneio estava destinado a ser decidido por Baggio, que o fez, para os brasileiros. Para os norte-americanos entrarem no esporte de vez, eles aprenderam rápido sobre a ansiedade que ele pode produzir.

5. 1970

Anfitriões: México

Final: Brasil 4 x 1 Itália

Artilheiro: Gerd Muller, Alemanha Ocidental (10 gols)

Pontuação: 36/50

A primeira Copa do Mundo transmitida em cores. A Adidas Telstar desfilava em campo. O torneio, que foi tão vibrante e ensopado de sol, quanto as próprias imagens, que foram transmitidas ao redor do mundo. Foi uma competição cativante, capturando a parte triunfal da era Pelé, enquanto que uma nova estava começando graças à Alemanha Ocidental, que veria muito mais de Muller e Franz Beckenbauer nos próximos anos.

Foi a primeira Copa do Mundo a vir com um icônico álbum de figurinhas. A Panini fez um acordo com a Fifa e a impressionante seleção, liderada por Pelé, Tostao, Jairzinho, Rivellino, Gerson, Carlos Alberto e Clodoaldo, varreu todos os participantes. O Brasil não apenas venceu todos os jogos das eliminatórias, como também esteve invencível no México. Foram 6 vitórias, em 6 jogos, com 19 gols marcados e apenas 7 sofridos no caminho para derrotar a Itália, por 4 a 1, na final.

Houve pouco drama. A única controvérsia envolvia o capitão inglês Bobby Moore, acusado de roubo durante uma viagem de treino à Colômbia, que quase o levou a perder a Copa do Mundo. Desde a impressionante corrida do Peru até as eliminatórias, lideradas por Teófilo Cubillas, até o literal "Jogo do Século" (não, é sério, a Fifa o chamou assim) que viu a Itália vencer a Alemanha Ocidental, por 4 a 3, na prorrogação das semifinais, depois de 1 a 1 nos primeiros 90 minutos. A alegria e o deleite apareceram.

4. 1998

Anfitriões: França

Final: França 3 x 0 Brasil

Artilheiro: Davor Suker, Croácia (6 gols)

Pontuação: 37/50

Este foi o sexto torneio - e o mais recente - ganho pelos anfitriões, mas a França teve que lutar muito para conseguir sua primeira Copa do Mundo.

Como não são distintos e estão no mesmo planeta, outro exemplo geopolítico aparecia. Houve uma conspiração terrorista para atacar a partida entre Inglaterra e Tunísia, em Marselha, na Copa do Mundo. Havia também a ideia de sequestrar a seleção masculina dos EUA, em seu hotel, e bater com um avião em uma instalação nuclear fora de Paris. Mais de 100 pessoas foram presas por complô, que foi bancado por Osama Bin Laden.

Esta foi a primeira Copa do Mundo com 32 equipes, o que significou estreias para a Croácia, Japão, Jamaica e África do Sul. A Croácia, que se tornou uma surpreendente potência em seus primeiros anos de existência, impressionou, aproveitando os seis gols de Davor Suker, para terminar em terceiro lugar, derrotando a Alemanha, por 3 a 0, nas quartas-de-final e depois superando Dennis Bergkamp e Holanda no jogo de terceiro lugar.

Você também teve estrelas incríveis em todo o torneio. Michael Owen, de 17 anos, marcando para a Inglaterra. A geração de ouro da Nigéria, com Jay Jay Okocha, Sunday Oliseh, Kanu e Celestine Babayaro, passando pela Espanha e terminando no topo do Grupo D, antes de ser eliminado pela Dinamarca nas oitavas-de-final. Roberto Baggio tentou sua redenção, pela Itália, embora não houvesse arco de redenção após sua horrível cobrança de pênalti na final de 1994: ele fez seu pênalti contra a França nas quartas-de-final, mas a Azzurra ainda voltaria para casa mais cedo.

Quanto ao drama, quem pode esquecer a Inglaterra contra a Argentina nas oitavas de final? Owen marcando o gol do torneio, costurando a defesa, antes de disparar um chute imparável. Depois veio a vez do calcanhar de David Beckham, quando chutou Diego Simeone, bem na frente do árbitro, foi expulso e os ingleses perderam nos pênaltis, como costumam fazer. Beckham se tornou o vilão de uma nação, mas logo ganhou corações de novo. Afinal de contas, é o Becks.

Que tal o objetivo de Bergkamp de eliminar a Argentina nas quartas de final, acariciando um lançamento longo de Frank de Boer, deslizando dentro de seu marcador e cortando um chute na parte de cima da rede, no segundo tempo? E quanto à excelência de Fabien Barthez e José Luis Chilavert (não se esqueça que o último ainda batia faltas muito bem)?

A final também correspondeu às expectativas, tanto pelo que aconteceu em campo, quanto por fora. A França, que venceu a final, contra o Brasil, por 3 a 0, deu o que falar fora de campo. Ronaldo, o Fenômeno, talismã do Brasil, estava misteriosamente ausente da equipe apresentada antes do jogo, provocando confusão generalizada. Mais tarde ele admitiu que foi levado ao hospital no dia do jogo, depois de sofrer convulsões em seu quarto, e de perder momentaneamente a consciência. A situação, compreensivelmente, lançou uma sombra sobre os preparativos da seleção e deu um dos memes mais usados no país:

“Se vocês soubessem o que aconteceu, vocês ficariam enojados.”

Ronaldo estava na súmula cerca de 30 minutos depois, mas ficou claro durante todo o jogo que algo não estava bem, pois ele andava em volta do campo sem nenhum impacto no jogo. Zinedine Zidane explorou a defesa de má qualidade para marcar duas vezes, já que o Brasil simplesmente não apareceu.

É uma pena que Zidane seja muito lembrado por sua cabeçada na final de 2006, porque sua atuação brilhante contra o Brasil merece muito mais recordação. Como motorzinho e estrela daquele time, foi tanto a Copa do Mundo de Zidane quanto a da França.

3. 2006

Anfitriões: Alemanha

Final: Itália 1 (5) x (3) 1 França

Artilheiro: Miroslav Klose, Alemanha (6 gols)

Pontuação: 38/50

Foi outra Copa do Mundo que nos deu um pouco de tudo. Durante o processo de licitação, tivemos, novamente, episódios de corrupção, com grandes acusações de suborno, envolvendo alguns grandes nomes.

Conseguimos nos deleitar com algumas zebras, como a jovem equipe alemã, dirigida por Jurgen Klinsmann, conseguir vencer a Argentina, nos pênaltis, a caminho do terceiro lugar. Naquele ponto, a Alemanha era considerada uma das mais fracas entre as potências.

Temos astros fazendo coisas estelares: o francês Thierry Henry marcando um gol para vencer o Brasil, nas quartas de final; Ronaldo marcando seu 15º gol em Copas do Mundo; Zinedine Zidane marcando na final, em seu último torneio internacional; Lionel Messi e Cristiano Ronaldo fazendo sua estreia na Copa do Mundo e cada um marcando uma vez.

Recebemos pênaltis na final, desta vez decidido pela bola de David Trezeguet, que explode no travessão e Fabio Grosso consegue o troféu. Para isso, tivemos uma grande final, com mudanças de ritmo e ambas as equipes tendo um chute para vencer antes dos pênaltis.

Além disso, conseguimos a cabeçada de Zidane sobre o italiano Marco Materazzi na final (e, eventualmente, sua estátua).

2. 1986

Anfitriões: México

Final: Argentina 3 x 2 Alemanha Ocidental

Artilheiro: Gary Lineker, Inglaterra (6 gols)

Pontuação: 39/50

Foi a Copa do Mundo Diego Maradona. Precisa dizer mais?

O México assumiu como anfitrião da Colômbia. Em seu anúncio da notícia, citando uma crise econômica no país, o Presidente Belisario Betancur disse: "Temos muitas coisas a fazer aqui e não há tempo suficiente para atender às extravagâncias da Fifa e de seus membros".

Canadá, Dinamarca e Iraque fizeram suas estréias na Copa do Mundo e o formato do torneio foi ajustado à luz do escândalo envolvendo a Áustria e a Alemanha Ocidental, na Copa do Mundo anterior. Como resultado, os jogos finais da fase de grupos foram, misericordiosamente, jogados, ao mesmo tempo, para evitar qualquer outra oportunidade de manipulação.

Mas quaisquer que sejam suas memórias desta edição, muitas delas incluindo Zico, Preben Elkjaer, Michael Laudrup e Michel Platini, esta foi a Copa do Mundo de Maradona. Da mesma forma que carregou o Napoli em suas costas para ganhar dois títulos da Série A, ele levou seu país à terra prometida com uma série de atuações desafiadoras, explêndidas, brilhantes e gols inesquecíveis, enquanto eles continuaram a ganhar tudo.

Embora ele não tenha marcado contra os sempre perigosos alemães ocidentais na final, diante de 114.000 torcedores no lendário Estádio Azteca, sua influência foi o tema predominante do torneio. Qualquer outro jogador teria atingido o auge com apenas dois gols dos seus gols: a "Mão de Deus" e aquele que driblou toda a equipe da Inglaterra. Porém, Maradona ainda tinha o suficiente no tanque para ter a assistência vencedora do jogo na final, chutando para Jorge Burruchaga marcar o crucial terceiro gol.

1. 1982

Anfitriões: Espanha

Final: Itália 3 x 1 Alemanha Ocidental

Artilheiro: Paolo Rossi, Itália (6 gols)

Pontuação: 40/50

Só não houve uma Copa do Mundo com mais de tudo do que esta. O poder das estrelas mundiais era incontestável: Sócrates, Zico e Falcão protagonizando pelo Brasil; Diego Maradona marcando dois gols na sua estreia e um cartão vermelho; o italiano Paolo Rossi dominando; Michel Platini levando a França às semifinais. Tudo isso somado a vários grandes times que capturaram o imaginário do esporte.

O Brasil marcou 15 gols em cinco partidas, mas caiu, por 3 a 2, contra a Itália, com aquela atuação de Paolo Rossi, em um clássico da segunda fase de grupos. A Itália esteve em sua fase mais defensiva e física, como Maradona atestou, durante a maior parte do torneio. A Alemanha Ocidental e a França fizeram um dos maiores clássicos de todos os tempos nas semifinais, vencido pelos alemães, nos pênaltis depois de empatar um jogo que perdia, por 2 a 0. As principais potências jogaram como potências mundiais.

Não parou por aí. Cinco equipes estrearam na Copa do Mundo: Argélia, Camarões, Honduras, Kuwait e Nova Zelândia. Uma delas esteve envolvida em uma famosa fase de grupos: a vitória, por 2 a 1, da Argélia sobre a Alemanha Ocidental. A Irlanda do Norte venceu a Espanha e liderou o grupo.

Além disso, temos uma dose dupla de controvérsia alemã para iniciar. Primeiro, houve a "vergonha de Gijon", onde a Áustria e a Alemanha Ocidental pareciam concordar em jogar a última partida da fase de grupos, para garantir um resultado que garantisse tanto o avanço alemão, quanto a eliminação da Argélia.

Depois, nas semifinais, o goleiro alemão Harald Schumacher não só deixou o francês Patrick Battiston inconsciente (com costelas rachadas, vértebras danificadas e dois dentes a menos) em uma dividida, mas não foi penalizado por isso. Ele então fez duas defesas na cobrança de pênaltis, dando a vitória para sua equipe.

No final, o drama gastou tudo o que pode até o final. A Itália perdeu um pênalti no primeiro tempo, que terminou sem gols. Mas Rossi colocou a equipe italiana na frente, aos 57 minutos, e rapidamente fizeram 3 a 0. Foi um torneio dramático, até os 30 minutos finais.