Em entrevista à TV Globo nesta sexta-feira (23), o meia-atacante Thiago Galhardo, do Fortaleza, disse que os atletas do Leão estão "mentalmente abalados" e "com muito medo" após o atentado sofrido na última quarta-feira (21), no Recife, depois do empate por 1 a 1 com o Sport, pela Copa do Nordeste.
Galhardo fez coro à entrevista dada pelo CEO da equipe cearense, Marcelo Paz, à ESPN, na qual o dirigente defendeu que os atletas recebam uma pausa e passem alguns dias sem entrar em campo, de forma a se recuperarem psicologicamente do incidente.
Com isso, o atleta pediu que seja pensada alguma maneira do clube não jogar já na próxima quinta-feira (29), contra o Fluminense-PI, fora de casa, pela Copa do Brasil.
"Fisicamente, sabemos que passou, mas, mentalmente, eu estou muito abalado. Estamos com muito medo desses jogos fora (de casa). Não temos segurança", reclamou Thiago.
"Lembro que ontem a gente (estava) indo para o aeroporto, todos estavam indo com muito medo do que pudesse acontecer. Medo é o que nós temos. As autoridades precisam tomar alguma providência", seguiu.
"Tenho que parabenizar o que o (Marcelo) Paz falou na chegada. Eu faço dele as minhas palavras. Vamos nos reunir hoje a tarde para entrar no mesmo pensamento e voltar (a jogar) somente quando todos estiverem aptos para o treinamento e depois para os jogos", explicou.
"Até lá, deveríamos nos unir, manter a condição física, mas não jogar. Quinta contra o Fluminense-PI, por exemplo, acho que nós não deveríamos jogar", sintetizou.
Mais cedo, em suas redes sociais, Galhardo chegou até a defender a paralisação das competições em todo o país como forma de protesto pela violência sofrida pelos jogadores do Fortaleza.
"Jamais saímos de casa preparados para enfrentar esse tipo de coisa. Aos que fizeram isso, vocês são criminosos, covardes e sujos. Estou feliz e aliviado de voltar para o meu lar e ver que meus companheiros estão bem, mas estou triste, vulnerável por ter vivido isso, por ter passado por um risco real de morte", afirmou.
"Se ninguém tomar uma medida drástica, acredito que o melhor seria paralisar as competições. Seria uma forma de protesto. Não me cabe falar qual punição deve ser atribuída, mas espero que seja algo muito, muito sério, e que sirva de exempo e evite essa tragédia que está mais do que anunciada", complementou.
O Fortaleza volta a treinar nesta sexta-feira (23), ao mesmo tempo que segue tratando os jogadores que sofreram lesões mais graves após o atentado, como João Ricardo, Escobar, Lucas Sasha e Dudu.
