Campeão inédito da Uefa Champions League na temporada 2024/25, o Paris Saint-Germain se aproxima do segundo título do principal torneio do continente em dois anos. A consolidação da equipe francesa rumo ao topo do futebol europeu, no entanto, não foi por acaso.
Às vésperas da decisão da competição neste sábado (30) contra o Arsenal na Puskás Aréna, em Budapeste, na Hungria, o ESPN.com.br conversou com exclusividade com um brasileiro que conhece bem os bastidores e os percalços do time francês até a busca pela segunda 'orelhuda' de sua história.
Atacante da equipe em uma época em que o glamour e o luxo da 'Cidade Luz' ainda contrastava com os resultados dentro de campo, Christian atuou por dois anos em Paris. No Parque dos Príncipes, viu Mikel Arteta despontar para o futebol, Maurício Pochettino reforçar a defesa, Nicolas Anelka retornar para casa, Jay-Jay Okocha substituir Raí com a camisa 10 e Vampeta passar um curto período de empréstimo antes de eternizar seu nome como penta com a Seleção Brasileira.
"A gente vinha num momento difícil, com mudança de treinador, que não era uma coisa normal de acontecer no futebol europeu no meio de temporada, mas vivemos isso, que foi com a entrada do Luis Fernández, e logo depois veio o Mauricio (Pochettino), que estava no Espanyol, e o Arteta do Barcelona. Mas Paris, quando entra num momento conturbado, é difícil. Parece que não, mas a imprensa, a pressão, a gente vivia uma fase complicada", lembra o brasileiro.
Campeão da Copa América com o Brasil em 1999, do Mundial de Clubes com o São Paulo em 2005, além de passagem memorável pelo Internacional, Christian marcou 28 gols dos 71 jogos que disputou com a camisa do PSG. Se há mais de duas décadas a equipe de Paris já vivia tempos turbulentos, há poucos anos esse bastidores ganharam novas proporções com a chegada de nomes como Neymar, Lionel Messi e Kylian Mbappé. Para quem viveu algo semelhante, no entanto, os riscos daquele trio não eram novidade.
"Eu vivi isso, claro, numa escala bem menor. Nós tínhamos um time competitivo, que todo mundo marcava, trabalhava, fazia a sua função, e depois, no outro ano, tivemos a chegada de grandes jogadores e as coisas não andaram. O que quero dizer é que, independente da qualidade de cada um, o importante é ter a sintonia. Uma observação técnica, mas que faz uma diferença enorme. Vamos pegar o exemplo da Argentina, que joga em função do Messi. Ao mesmo tempo tem o Neymar no um contra um, um cara fantástico no auge, e o Mbappé, atacante de velocidade e profundidade. Como você vai encontrar questões técnicas para fazer com que cada um se sobressaia num mesmo jogo?", questionou o ex-jogador, que ainda traçou um paralelo com o período atual.
"Imagina o meio-campista com uma bola dominada tivesse que escolher, para quem ele ia dar a bola? É difícil. Não era só o glamour, o nome, precisava fazer com que as características de cada um encaixassem dentro do jogo. Agora, a gente está vendo que com a saída de todos, eles conseguiram encontrar um mecanismo, um sistema que não precisa ter estrela nenhuma, e a estrela que tem é um cara que se doa para o time", completou ao citar Ousmane Dembélé.
Adeus às estrelas, convite às glórias
Neymar, Messi e Mbappé atuaram juntos nas temporadas 2021/22 e 2022/23. Antes, o brasileiro e o francês já haviam levado o PSG à final da Champions de 2019/2020, quando perderam para o Bayern de Munique. Com o trio reunido, no entanto, a equipe amargou duas eliminações precoces nas oitavas de final do torneio, apesar dos 120 gols marcados ao longo da primeira temporada e dos 122 tentos anotados na segunda.
Com as saídas de Neymar e Messi e a chegada de Luis Enrique, uma nova filosofia passou a ser cultuada pelos corredores do Parque dos Príncipes. Sob o comando do espanhol, já são 11 títulos conquistados, incluindo os tricampeonatos da Ligue 1 e da Supercopa da França, além do bi da Copa da França, a Supercopa da Uefa, o Intercontinental da Fifa e a última Champions League.
Na atual temporada, foram 127 gols marcados, 57 sofridos e 35 vitórias nos 55 jogos disputados. O sucesso, entretanto, não surpreende quem viveu outro cenário na 'Cidade Luz'. Além disso, para Christian, os méritos ultrapassam a mudança de treinador.
"Vejo que é como resultado de uma ideia que vem sendo construída pelo Luís Campos (diretor de futebol), que é um cara que a nível de recrutamento e estratégia, está muito à frente de muita gente no futebol mundial, contratando jogadores que às vezes poucas pessoas estão prestando atenção e dão resultados extraordinários. Tudo isso, somado a experiência do Luis Enrique, ao que os jogadores estão produzindo dentro de campo, isso tudo soma ao que está acontecendo. Acredito que não seja sorte ou surpresa. É fruto de um trabalho que vem sendo construído ao longo dos anos e que está dando certo. Você vê o Dembélé que é Bola de Ouro e está pressionando lá na frente na saída de bola. Isso é atitude, é força de vontade, trabalho, é entender que precisa ser feito aquilo mesmo sendo um grande jogador e Bola de Ouro, ele está correndo. É mérito de todo mundo, dos jogadores de entender que tem que entregar isso para o time, e do treinador que foi lá e escolheu e fez com que os jogadores entendessem", finalizou.
