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Botafogo diz que 'vendeu' Igor Jesus, Jair e Savarino ao Lyon por R$ 418 milhões e cobra valores

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SAF Botafogo, Eagle e Textor: entenda 'briga' nos bastidores do clube que foi parar até na Justiça (1:14)

ESPN traz últimas atualizações de imbróglio que agitou bastidores do Botafogo nesta segunda-feira (4) (1:14)

Um e-mail assinado por Thairo Arruda, CEO do Botafogo, no dia 18 de julho, a representantes do Lyon revela que o clube brasileiro acordou a venda de jogadores como Igor Jesus, Jair e Jefferson Savarino aos franceses, assim como havia feito com Luiz Henrique e Thiago Almada. O documento, ao qual a ESPN teve acesso, está presente no processo judicial entre a SAF alvinegra e a Eagle Football Holdings.

A carta é endereçada a Michele Kang, que assumiu a presidência do Lyon após o afastamento de John Textor, e a Michael Gerlinger, que se tornou o homem-forte no controle dos clubes de futebol da Eagle. A SAF do Botafogo afirma entender que tem direito a receber os valores, mesmo sem as transferências.

A primeira negociação acordada citada no documento enviado pela SAF do Botafogo já era conhecida: Thiago Almada, em acerto de outubro de 2024, no qual o Lyon pagaria 27 milhões de euros para ter o argentino. Como acabou punido na França e impedido de contratar, o jogador acabou sendo apenas emprestado e acabou retornando antes de ser negociado em definitivo com o Atlético de Madrid.

O e-mail do Botafogo, contudo, revela outras transferências acordadas e também os valores que o Botafogo esperava receber por Igor Jesus, Jair e Savarino, em cifras que chegaria ao equivalente a R$ 418 milhões. O centroavante e o zagueiro acabaram já negociados, mas ao Nottingham Forest, da Inglaterra, enquanto o venezuelano segue no Brasil e foi titular no time alvinegro no domingo (3).

Segundo o documento, Igor Jesus teve sua transferência acertada ao Lyon por US$ 43,13 milhões, equivalente a R$ 237 milhões na cotação atual, no dia 30 de outubro de 2024.

Já Jair se transferiria por 20,9 milhões de euros (quase R$ 115 milhões), e Savarino, por 7,6 milhões de euros (R$ 42 milhões), em acordos de março de 2025, antes do Mundial de Clubes.

O Botafogo, então, cita que "decidiu ajudar o Lyon baseado na visão, objetivos e estrutura criada no conceito da 'família Eagle', o que quer dizer que todos os clubes da Eagle devem conduzir seus negócios como uma única companhia, ajudando um ao outro".

É com base nisso que, segundo o Botafogo, entre julho de 2024 e março de 2025, os brasileiros fizeram vários acordos de transferências com o Lyon (além dos citados acima, também o de Luiz Henrique) para "melhorar a performance esportiva do Lyon de olho na classificação a competições europeias" e "permitir ao Botafogo receber os valores das transferências e apoiar o Lyon com o necessário".

Acontece, contudo, que, em novembro de 2024, o Lyon foi impedido de registrar novos jogadores por sua situação financeira, com a qual esteve ameaçado até de ser rebaixado à segunda divisão – decisão que chegou a ser tomada na França, mas revertida já em 2025 com o afastamento de Textor.

O Botafogo alega no contato ao Lyon que foi prejudicado por essa medida, já que emprestou Almada sem custo e pagando seu salário e teria sido, em suas palavras, “forçado” a aceitar propostas mais baixas por Luiz Henrique, Igor Jesus e Jair, para vender os jogadores e direcionar o dinheiro para auxiliar os cofres franceses.

“O Botafogo teve que negociar com terceiros certos jogadores que deveriam se transferir para o Lyon, como Luiz Henrique, Igor e Jair em condições desfavoráveis, aceitando valores de transferências mais baixos do que seus respectivos valores de mercados”, escreveu.

O e-mail cobra do Lyon os pagamentos de todos os valores acordados, mesmo que os jogadores nunca tenham se transferido; e, nas cifras de Almada e Igor Jesus, as cifras são cobradas à vista e em um prazo de 30 dias a partir do envio do documento.

No processo, os representantes da Eagle, através de seus advogados no Brasil, veem o e-mail como uma forma de “pressionar a nova administração”.

“O Botafogo enviou uma carta ao Lyon para cobrar a taxa de transferência da cessão dos direitos econômicos de diversos atletas do futebol masculino, uma vez que tais operações, segundo se alega, teriam sido realizadas em condições favoráveis ao Lyon e em prejuízo ao Botafogo com o objetivo de ajudar a “família Eagle” – leia-se, os interesses econômicos do Sr. Textor.”

A ESPN entrou em contato com o Botafogo sobre o teor do e-mail enviado aos representantes do Lyon, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. Posteriormente, o clube publicou nota oficial, que pode ser lida na íntegra abaixo.

Botafogo se manifesta

Em nota oficial divulgada na noite desta segunda-feira, o Botafogo se manifestou sobre o assunto.

"A SAF Botafogo esclarece que sempre valorizou a colaboração dentro do ecossistema da Eagle Football e mantém o desejo de que essa parceria siga existindo, em benefício de todos os clubes que compõem o grupo.

Infelizmente, medidas adotadas por órgãos reguladores na França comprometeram o funcionamento dessa integração, resultando na interrupção dos acordos de cash pooling que vinham sendo benéficos para todas as partes. Diante deste cenário, tornou-se necessário formalizar, por vias legais, que o atual desequilíbrio financeiro entre as entidades aponta para a necessidade de reembolso à SAF Botafogo por valores anteriormente emprestados.

Além disso, algumas medidas corporativas foram adotadas, com o devido alinhamento junto ao nosso parceiro acionista, o Botafogo de Futebol e Regatas (BFR), visando permitir a entrada de novos aportes de capital no Clube, caso os reembolsos por parte da Eagle ou do Olympique Lyonnais (OL) não sejam viabilizados de imediato. Tais ações não tiveram caráter provocativo e a SAF Botafogo reconhece integralmente o direito de seu acionista majoritário de ter prioridade em qualquer oportunidade de investimento no Clube, antes que se considere a participação de investidores externos. Ressaltamos, porém, que tais investimentos não seriam necessários caso o OL consiga honrar com os reembolsos devidos.

Para fins de esclarecimento, destacamos que as ações societárias tomadas até o momento consistem apenas em autorizações legais e que não há, no presente momento, qualquer plano que vise à diluição da participação acionária do nosso sócio majoritário. Inclusive, tais medidas seriam necessárias para possibilitar que o próprio acionista majoritário realize novos investimentos.

Por fim, a SAF Botafogo reforça que qualquer eventual negociação envolvendo a venda de participação majoritária na sociedade, seja ela conduzida por John Textor ou por terceiros, deverá necessariamente passar por um processo de diálogo e negociação amigável com o atual sócio majoritário. Embora medidas judiciais e societárias possam ser interpretadas de maneira equivocada por parte da imprensa, é fundamental que nossos torcedores tenham plena ciência de que a SAF Botafogo segue tendo a Eagle Football como sua acionista controladora, e que esta, por sua vez, é majoritariamente controlada por John Textor. Reiteramos nosso compromisso para que todas as discussões envolvendo o futuro da SAF ocorram de forma transparente, responsável e respeitosa."

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