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Eagle processa SAF do Botafogo: 'Se não impuserem freios, Textor continuará a causar danos irreparáveis'

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SAF Botafogo, Eagle e Textor: entenda 'briga' nos bastidores do clube que foi parar até na Justiça (1:14)

ESPN traz últimas atualizações de imbróglio que agitou bastidores do Botafogo nesta segunda-feira (4) (1:14)

Sócios da Eagle Football Holdings processaram a SAF do Botafogo para impedir que o dono do clube, John Textor, tome decisões sem consultar a empresa.

A ESPN teve acesso à ação, que tramita na 2ª Vara Empresarial do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), e mostra abaixo os detalhes.

De acordo com os autos, a empresa afirma que se faz "evidente a necessidade de atuação do Poder Judiciário para preservar o status quo e impedir a consumação de atos geradores de prejuízo de dificílima reversão" por parte de Textor na SAF alvinegra.

Ao juízo, a Eagle pede que a Justiça impeça "a concretização de atos ilícitos orquestrados" pelo empresário norte-americano, afirmando o magnata pode causar "danos irreparáveis" ao clube e ao grupo.

"Se não se impuserem freios, o Sr. Textor continuará a causar irreparáveis danos à Eagle e ao Botafogo, sobretudo por meio da iminente diluição da participação da Eagle no Botafogo e a concretização de operações complexas e lesivas, com terceiros, em jurisdições estrangeiras", escreveram.

"Por isso, as medidas ora pleiteadas foram cuidadosamente delimitadas para se evitar a ocorrência de violações aos direitos da Eagle e do Botafogo, e substanciosos danos ao patrimônio deles, até que o Tribunal Arbitral competente seja constituído e possa julgar a disputa", complementaram.

Os pedidos da Eagle à Justiça são os seguintes:

  1. Suspensão dos efeitos da Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas do Botafogo de 17 de julho de 2025 e da Reunião do Conselho de Administração do Botafogo de 17 de julho de 2025, bem como de todos os negócios jurídicos subsequentes supostamente baseados nessas deliberações;

  2. Proibição de que sejam promovidos atos societários ou deliberações no Botafogo sem a devida representação da Eagle por meio de seu Diretor Independente devidamente constituído, Donald William Christopher Mallon;

  3. Proibição de emissão e registro de novas ações do Botafogo;

  4. Proibição de celebração de contratos ou negócios jurídicos entre o Botafogo e pessoas, jurídicas ou físicas, relacionadas a Textor.

Ainda segundo o grupo, Textor "atuou em conflito de interesses" em 17 de julho de 2025, na Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas e na Reunião do Conselho de Administração, ao "vincular as receitas do Botafogo a uma nova empresa constituída, pelo mesmo Textor, nas Ilhas Cayman", além de "diluir a participação acionária da Eagle".

Em decisão, o juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima determinou que o caso não siga em segredo de Justiça e determinou citação e intimação dos réus para que, no prazo de cinco dias, se manifestem sobre a competência do juízo para o caso, bem como sobre as questões da liminar.

Vale lembrar que, na semana passada, uma outra ação na Justiça, esta da 3ª Vara Empresarial do TJ-RJ, congelou as ações da Eagle na SAF do Botafogo, obrigando ainda a rede multiclubes a pagar o valor de R$ 152.550.770,56 ao Alvinegro.

Com o despacho, Textor seguiu no comando do Botafogo, uma vez que a decisão congelou temporariamente qualquer mudança no controle do Alvinegro.

Posteriormente, a ESPN ainda revelou outros movimentos nos bastidores do clube, como um empréstimo milionário feito pelo empresário grego Evangelos Marinakis a Textor para que o norte-americano consiga desvincular o Fogão da Eagle, registrando a SAF do clube na nova empresa das Ilhas Cayman.

Como mostrou a reportagem, o empréstimo é conversível - ou seja, se o norte-americano não pagar, o grego se tornará dono da SAF botafoguense juridicamente.

Botafogo se pronuncia:

Horas após a publicação desta matéria, o Botafogo emitiu uma nota oficial. Nela, o Alvinegro fez questão de destacar que tem boa relação com a Eagle e com os outros clubes da holding. Veja abaixo:

A SAF Botafogo esclarece que sempre valorizou a colaboração dentro do ecossistema da Eagle Football e mantém o desejo de que essa parceria siga existindo, em benefício de todos os clubes que compõem o grupo.

Infelizmente, medidas adotadas por órgãos reguladores na França comprometeram o funcionamento dessa integração, resultando na interrupção dos acordos de cash pooling que vinham sendo benéficos para todas as partes. Diante deste cenário, tornou-se necessário formalizar, por vias legais, que o atual desequilíbrio financeiro entre as entidades aponta para a necessidade de reembolso à SAF Botafogo por valores anteriormente emprestados.

Além disso, algumas medidas corporativas foram adotadas, com o devido alinhamento junto ao nosso parceiro acionista, o Botafogo de Futebol e Regatas (BFR), visando permitir a entrada de novos aportes de capital no Clube, caso os reembolsos por parte da Eagle ou do Olympique Lyonnais (OL) não sejam viabilizados de imediato. Tais ações não tiveram caráter provocativo e a SAF Botafogo reconhece integralmente o direito de seu acionista majoritário de ter prioridade em qualquer oportunidade de investimento no Clube, antes que se considere a participação de investidores externos. Ressaltamos, porém, que tais investimentos não seriam necessários caso o OL consiga honrar com os reembolsos devidos.

Para fins de esclarecimento, destacamos que as ações societárias tomadas até o momento consistem apenas em autorizações legais e que não há, no presente momento, qualquer plano que vise à diluição da participação acionária do nosso sócio majoritário. Inclusive, tais medidas seriam necessárias para possibilitar que o próprio acionista majoritário realize novos investimentos.

Por fim, a SAF Botafogo reforça que qualquer eventual negociação envolvendo a venda de participação majoritária na sociedade, seja ela conduzida por John Textor ou por terceiros, deverá necessariamente passar por um processo de diálogo e negociação amigável com o atual sócio majoritário. Embora medidas judiciais e societárias possam ser interpretadas de maneira equivocada por parte da imprensa, é fundamental que nossos torcedores tenham plena ciência de que a SAF Botafogo segue tendo a Eagle Football como sua acionista controladora, e que esta, por sua vez, é majoritariamente controlada por John Textor. Reiteramos nosso compromisso para que todas as discussões envolvendo o futuro da SAF ocorram de forma transparente, responsável e respeitosa.

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