Sempre atento ao mercado sul-americano, o Barcelona optou por não entrar na briga pela contratação de Estêvão, joia revelada pelo Palmeiras e que acabou se transferindo para o Chelsea. O motivo, segundo Deco, diretor esportivo do clube catalão, passa diretamente pela presença de Lamine Yamal no elenco e pelo atual contexto esportivo e financeiro do Barça.
Lamine Yamal e Estêvão têm perfis bastante parecidos. Ambos atuam preferencialmente pelo lado direito do ataque, são canhotos, habilidosos, com grande capacidade de drible e explosão no um contra um. Além disso, pertencem à mesma geração, o que reforçou as comparações desde que o brasileiro passou a despertar o interesse dos principais clubes da Europa.
"Há várias coisas. Primeiro, na fase de construção em que estamos, temos um jogador para a mesma posição e com características similares, que é o Lamine Yamal. Isso é óbvio", afirmou Deco, em entrevista à TNT Sports, explicando de forma direta os motivos que levaram o Barcelona a descartar a investida por Estêvão.
Questionado sobre a possibilidade de os dois jovens atuarem juntos, o dirigente reconheceu o talento de ambos, mas reforçou que essa não era a prioridade do clube: "Eles podem jogar juntos? Sim, grandes jogadores sempre se adaptam. O problema é que nossas prioridades não eram reforçar essa posição", completou.
A semelhança de características pesou para que o Barcelona decidisse não entrar no leilão pelo talento do Palmeiras. Estêvão acabou acertando com o Chelsea em uma negociação que pode chegar a 61,5 milhões de euros, somando valores fixos e variáveis.
O clube inglês, porém, não esteve sozinho na corrida. Gigantes como o Paris Saint-Germain também fizeram movimentos agressivos para contratar o atacante brasileiro. Ainda assim, o Barça optou por não fazer um esforço financeiro por um jogador que ocupava uma posição já considerada "coberta" no elenco.
Outro fator determinante foi o cenário econômico do Barcelona, que segue exigindo decisões estratégicas e cautelosas no mercado de transferências.
"Se você tem dinheiro para gastar e investe em um jogador com as mesmas características, depois não pode reclamar que faltam jogadores para outras posições", explicou Deco, ao destacar a necessidade de equilíbrio no planejamento esportivo.
Apesar da boa fase de Raphinha, o Barcelona vinha priorizando, nas últimas janelas, a contratação de um ponta esquerdo driblador. Nomes como Luis Díaz e Nico Williams estiveram no radar, e Marcus Rashford, emprestado pelo Manchester United, acabou sendo a solução encontrada no último verão europeu.
Deco deixou claro que, caso Estêvão tivesse um perfil diferente, a história poderia ter sido outra.
"Talvez, se o Estêvão fosse um jogador destro atuando pelo outro lado, a solução estivesse aí… mas não era o caso. Ele é muito parecido com o Lamine, embora com características diferentes", explicou.
Mesmo fora dos planos do Barcelona, Estêvão recebeu elogios do diretor esportivo blaugrana, que fez questão de separar a decisão estratégica da avaliação técnica.
“Lamine e ele são dois grandes jogadores. Naquele momento, porém, essa não era a decisão. Não tem a ver com qualidade, e sim com o momento do Barça para se reforçar”, concluiu Deco.
