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Menin pode comprar futura SAF do Atlético-MG? O que bilionário já revelou à ESPN sobre o caso

Em maio de 2022, Rubens Menin concedeu entrevista à ESPN e explicou como enxergava o processo de transformação do Atlético-MG em SAF


O Atlético-MG conta com uma das maiores dívidas do Brasil e parece estar sentindo as consequências de problemas financeiros. Nos últimos dias, Rodrigo Caetano, diretor de futebol, admitiu em entrevista à Rádio 98 FM, que o clube atrasou pagamentos e culpou a queda de arrecadação em 2022.

Além disso, o Atlético-MG oficializou ainda a venda de 24,95% do Shopping Diamond Mall, em Belo Horizonte, por R$ 170 milhões. Caso o CADE aprove, o Galo utilizará o dinheiro para pagar dívidas onerosas, que estão na casa dos R$ 600 milhões e possuem altos juros, com bancos, agentes do futebol e acordos judiciais.

Em meio a um cenário de crise financeira e da transformação de grandes clubes do futebol nacional em SAFs, a tendência é que o Atlético-MG siga o mesmo caminho e adote o modelo de Sociedade Anônima do Futebol no futuro próximo. A mudança, aliás, é algo pensado há meses por Rubens Menin, um dos nomes mais fortes nos bastidores atleticano.

O próprio empresário, aliás, poderia se transformar no comprador da SAF do Atlético-MG. Fundador da construtora MRV, empresa onde ocupa o posto de presidente do conselho, e conta com uma fortuna avaliada em R$ 18,9 bilhões, segundo a revista Forbes.

No entanto, em entrevista concedida à ESPN em maio de 2022, o bilionário explicou por que não via com bons olhos uma aquisição da SAF do clube e explicou que para que aconteça uma transformação não é necessário apenas dinheiro, mas sim uma ‘expertise’ de futebol para que tenha sucesso.

“A SAF precisa ser de um player que traga vantagem competitiva ao Atlético. Se eu compro o clube, que vantagem competitiva eu entrego? Ajudo no que eu posso, mas não acrescentaria mais nada. O Atlético-MG precisa trazer alguém que faça a diferença”, disse o empresário.

“O clube está em boa condição, a situação equacionada. Mas é preciso fazer as coisas com inteligência. É o caso do Ronaldo no Cruzeiro. Ele é um cara que conhece futebol. Já mudou o Cruzeiro. É necessário ter muito mais do que dinheiro na SAF”.

Com o dinheiro em mãos, mas sem o conhecimento necessário para fazer uma profunda transformação no futebol do clube, Menin e os demais conselheiros do Atlético-MG realizaram ao longo de 2022 uma série de estudos e viagens para ter exemplos de negócios bem-sucedidos.

Uma das viagens foi à Inglaterra, onde os mineiros estiveram em Londres com representantes do Grupo City, que na época ainda estava em início de negociação com o Bahia para transformação do Tricolor de Aço em SAF.

Além da estrutura do City Football Group Limited, empresa que é acionista majoritária de Manchester City (Inglaterra), New York City (Estados Unidos) e outros vários times, os conselheiros do Atlético ainda conheceram as instalações dos Citizens, assim como do rival Manchester United.

Segundo Menin, emissários do City também vieram ao Brasil naquele período para conhecer a estrutura que o time brasileiro construiu e que vem rendendo frutos dentro de campo.

Estivemos em Londres com o Grupo City. Nós fomos ao Manchester United, ao Manchester City, que é um clube modelo. Eles têm uma estrutura fantástica. Eles estão ligados no Atlético-MG, que está sendo muito bem visto no futebol mundial. Eles vieram para cá conhecer as instalações também”, afirmou Menin na época.

Essa busca pelo formato ideal é o que tem feito os conselheiros do Atlético rodarem o mundo e se debruçarem em estudos de projetos. Além da Inglaterra, os mineiros estiveram também nos Estados Unidos, conhecido como epicentro do modelo de produção do esporte aliado com o entretenimento.

“Nós fizemos um trabalho muito grande de pesquisa nos Estados Unidos, mas não só no futebol. Em outros esportes também. O que nós vemos é que essas associações estão muito longe da gente. Vou dar um exemplo: o que você tem de mais valioso é o atleta”.

“Lá fora, o centro de preparação é feito para que o atleta fique o mínimo fora de campo. Aqui tem atleta que fica dois meses fora e com um tratamento totalmente ultrapassado. A NBA, por exemplo, tem jogo dia e dia não. Os atletas quase não perdem jogos. Têm uma tecnologia muito grande. Visitei centros de treinamento e fiquei impressionado em termos de tecnologia”.

“Nós temos que trazer tecnologia. O CT do Atlético é o mais avançado do Brasil e está muito longe dos melhores de outros lugares do mundo. A estrutura do Manchester City é maluca. Centro médico, médicos. A gente quer que as pessoas tragam isso ao Atlético”.

Segundo apurou a ESPN com fontes de bastidores no Atlético-MG no primeiro semestre de 2022, o processo de construção de modelo de SAF tem sido conduzido pelos chamados 4’Rs, grupo de conselheiros formado por Rubens Menin, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador, que tem investido pesado no futebol do clube nos últimos anos.

Ainda em maio, Menin admitiu que gostaria de fazer um projeto híbrido de SAF no time mineiro. O bilionário não via com bons olhos uma concessão de todas as áreas do Galo a uma empresa. Para o empresário, é vital que o Atlético-MG siga como dono ao menos de parte do patrimônio total do clube.

A cautela adotada na elaboração do projeto atleticano se baseia, principalmente, no resguardo do patrimônio que pertence ao clube. É exatamente essa transferência de bens que tem sido recusada dentro do Atlético-MG.

“Existe um modelo no qual você transfere tudo para SAF. Eu, pessoalmente, estudo um caminho de vender apenas o elenco, a marca e deixar fora da SAF o patrimônio, que seria Arena e CT. Claro que a SAF valeria menos, mas teríamos o nosso patrimônio. O Atlético-MG não quer vender a maioria das ações. Queremos preservar o nosso direito de gestão. Isso ainda está sendo modelado”, detalhou Menin à ESPN.

“Eu prefiro um modelo híbrido. Vender, por exemplo, só o esporte e preservar o patrimônio. Tudo isso varia. Posso vender 100% e seria uma grana danada, mas quem resolverá é o conselho. Eu não venderia tudo. Venderia por um valor que interesse”.

Apesar de ter descartado naquele momento uma compra da SAF, Menin entende que a transformação dos clubes no novo modelo é um ‘caminho sem volta’. “Ela é extremamente positiva. A tendência natural é que os clubes migrem para isso, cada um no seu tempo. Tenho certeza que algo dentro do Atlético-MG será definido pró-SAF”.

Como está atualmente o processo de transformação do Atlético-MG em SAF?

Em setembro de 2022, o Atlético-MG aderiu à lei que autoriza os clubes a se transformarem em SAF. Este é considerado um passo inicial para o processo de mudança do Galo.

De acordo com informações do diário O Tempo, de elo Horizonte, a SAF do Galo está presente no orçamento do clube para 2023 que, dentre outros pontos, estabelece a redução gradual da dívida, que hoje está na casa do R$ 1,3 bilhão, além de investimentos no futebol.

A tendência é que a votação do Conselho Deliberativo para que a SAF saia do papel ocorra entre os meses de fevereiro e março deste ano. Em meio a isso, o Atlético-MG conta com o apoio da Ernest Young e do Banco BTG Pactual na busca por novos investidores.