Jogador de Palmeiras e Fortaleza em 2019, o atacante Felipe Pires havia chegado à Ucrânia na véspera do início do conflito
Um dos jogadores brasileiros que estavam na Ucrânia no início da invasão russa, Felipe Pires desembarcou no Brasil na manhã deste domingo (27). O ex-Palmeiras conseguiu fugir do conflito ao lado de Bill e Gabriel Busanello, seus companheiros no time ucraniano Dnipro.
Ao chegar ao Brasil, Felipe Pires falou sobre a fuga da Ucrânia, que teve 27 horas de carro, drama para cruzar a fronteira com a Romênia e cenas ‘traumatizantes’.
“Ficamos cinco horas na fronteira, no portão da Ucrânia para a Romênia. Eles falaram 'não podem passar. Podem ser jogadores, o que for, aqui todo mundo é igual. Só vai passar mulher e criança’”, disse o atacante em entrevista à CNN Brasil.
“Tínhamos acabado de andar uma hora, deixamos o carro e andamos 20 quilômetros até a fronteira com mala, com frio. Aquele foi o momento mais difícil porque pensamos que tudo que nós fizemos lá atrás, as 27 horas de carro seriam em vão, porque ficaríamos na fronteira e não iríamos passar. Foi agoniante. Aquela multidão tentando passar e não podia, pais se despedindo da esposa com os filhos chorando. Fiquei traumatizado”.
O atacante de 26 anos falou sobre seu futuro incerto no futebol. Ele foi contratado em fevereiro pelo Dnipro junto ao Moreirense, de Portugal, e chegou à Ucrânia na véspera da invasão russa.
“Acordamos com um barulho muito forte. Parecia que tinha sido a dois, cinco quilômetros, mas na verdade foi a 200 quilômetros de nós. Um barulho enorme. Acordei assustado, pensei que estava sonhando. Quando foi para a janela e vi aquela fumaça, falei 'não acredito, começou a guerra’”.
“Assinei por quatro anos. Meu primeiro dia na Ucrânia foi a guerra”.
