Trio de brasileiros que joga na Ucrânia relata barulho de bombas: 'Governo pede para deixar o país, mas não entendem que não dá'

Derek, Fabinho e Marlyson jogam pelo Metalist e relataram desespero na Ucrânia


Em entrevista a Gustavo Hofman, apresentador e comentarista dos canais esportivos da Disney, os brasileiros Derek, Fabinho e Marlyson, que jogam no Metalist 1925 Kharkiv, da Ucrânia, relataram nesta sexta-feira (25) que estão vivendo situação de pânico no país.

De acordo com os jogadores, é possível ouvir a todo momento o barulho de explosões na cidade de Kharkiv, já que o exército russo está se aproximando cada vez mais da cidade.

Os atletas afirmaram que pensaram em buscar ajuda na embaixada do Brasil, que fica na capital Kiev, mas desistiram, já que é impossível se deslocar por estradas no momento.

No momento, eles estão em um apartamento, mas com medo de um possível ataque aéreo. Com isso, pensam em se refugiar no metrô da Kharkiv, como já fez boa parte da população da cidade, que tem 1,5 milhão de habitantes e é a 2ª maior da Ucrânia.

"Estamos em Kharkiv, mas tentando sair da cidade. Agora mesmo, poucos minutos atrás, escutamos barulhos de bombas e explosões próximos da gente. O que chega de informação para a gente é que os caras (russos) estão se aproximando. Estamos sem saber o que fazer, praticamente em desespero, querendo sair de alguma forma. Queríamos alguma resposta da embaixada, mas só tem embaixada em Kiev, e não conseguimos ir para lá", contou Fabinho.

"Não sabemos o que fazer, porque não tem amparo aqui. A única coisa que pedem para a gente é ficar dentro de casa, e, se houver alguma mais perigosa, para que a gente desça para o metrô. Perto do apartamento tem uma estação, mas a gente não sabe se desce para lá ou se fica dentro de casa. Não sabemos o que fazer", seguiu.

"Escutamos muitas bombas agora, barulhos muito altos. Vimos muitas pessoas correndo na rua e gente correndo para dentro da estação de metrô", complementou.

Segundo Fabinho, o Governo brasileiro recomendou aos cidadãos brasileiros que tentem deixar a Ucrânia. No entanto, o jogador relatou que isso é impossível.

"O Governo pede para a gente tentar deixar o país, mas acho que eles não entenderam que não tem como deixar o país. Eles falam: 'Deixem o país', mas como a gente vai fazer isso se está tudo bloqueado?", questionou.

"Só tem alguns aeroportos militares funcionando. Para ir daqui para a Polônia, tem que passar por Kiev. Como vamos passar por Kiev agora no meio do caos? Não tem como ir para lá. A gente entrou em contato com uma pessoa da embaixada e ele falou: 'Vocês podem vir para Kiev, mas aqui está muito perigoso também'", disse.

"São sete horas de viagem daqui para Kiev, e só dá para ir de carro, mas não tem combustível nos postos de gasolina. Além disso, pode acontecer alguma coisa ruim no caminho. A embaixada está em Kiev, mas como vamos para lá? Não tem como ir", acrescentou.

O atleta do Metalist também fez um apelo ao presidente Jair Bolsonaro.

"A gente só quer que alguém faça alguma coisa, que o presidente converse, mande uma mensagem, uma carta, dê uma resposta, alguma coisa ao vivo, que todo mundo possa ver que ele está agindo pela gente. Porque falar por mensagem no Twitter todo mundo fala, nem sei se é ele que está falando ali. A gente quer que ele bote a cara dele e fale: 'Estou com vocês, estou tentando resolver, estou falando com políticos de outros países para ajudar vocês'. A gente não se sente nada seguro aqui", lamentou.

Por fim, Fabinho disse que dirigentes do Metalist prometeram tentar ajudar, mas há dúvidas se de fato os cartolas conseguirão fazer algo.

Enquanto isso, o trio estocou comida e mantimentos para tentar passar pelos próximos dias.

"O clube fala com a gente, pedem para a gente ficar em casa. Falaram ontem que, em dois dias, eles vão tentar tirar a gente daqui, mas não sabemos se eles vão conseguir", afirmou.

"Fomos a um supermercado ontem, fizemos um estoque para manter em casa. Agora, a gente pensou em ir para o metrô, mas não sabemos ainda se vamos, porque não sabemos se é seguro lá. Estamos sem saber o que fazer. Pensamos neste momento em ficar em casa, e, se acontecer algo mais perigoso, a gente corre para o metrô e fica lá", encerrou.