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Como Inter x Milan deixou de ser 'clássico brasileiro' após fracassos recentes com Gabigol, Paquetá e cia

Júnior Messias é o único brasileiro nos elencos dos rivais, que fazem clássico neste sábado, pelo Campeonato Italiano


O principal clássico do fim de semana na Europa acontecerá no Campeonato Italiano. A partir das 14h (de Brasília) deste sábado (5), Internazionale e Milan fazem mais um dérbi em San Siro, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

O embate entre dois dos mais poderosos clubes da Itália já teve o costume de opor grandes astros do Brasil. Júlio César, Adriano 'Imperador', Kaká, Ronaldo 'Fenômeno', Ronaldinho Gaúcho e outros craques já desfilaram com as duas camisas.

Só que a história mudou bastante recentemente, a ponto de Júnior Messias, atacante que vem ganhando espaço pouco a pouco no Milan, ser o único brasileiro com chance de atuar no confronto deste fim de semana. Por que isso aconteceu?

Claramente não há só uma resposta para a pergunta, mas as passagens mais recentes de jogadores do Brasil por Inter e Milan ajudam a explicar por que os dois apostam cada vez menos em jogadores nascidos no país.

Desde 2015, os times de Milão acumularam decepções com brasileiros que custaram bastante dinheiro e não entregaram nem perto da expectativa. Gabigol, hoje estrela do Flamengo, e Lucas Paquetá, titular da seleção e do Lyon, são os exemplos mais simbólicos.

Gabriel desembarcou na Inter em 2016, ao custo de 25 milhões de euros, equivalente a pouco mais de R$ 90 milhões na época. Muito dinheiro para quem atuou somente dez vezes e marcou um gol, em passagem que durou só uma temporada e deixou marcas negativas no jogador, que já declarou recentemente que não era feliz no clube.

Sem clima na Inter, em parte pela dificuldade de adaptação, o atacante foi emprestado ao Benfica, onde também não fez sucesso, e depois voltou ao Brasil para reencontrar o futebol que todos conheciam (e até mais). Gabigol se reergueu no Santos e depois virou indiscutível no Flamengo, onde brilha desde 2019.

Do Flamengo saiu a outra grande aposta "furada". Em janeiro de 2019, enquanto Gabigol saia de Santos para o Rio, Paquetá chegava à capital da moda da Itália para defender o Milan, pelo valor de 38,4 milhões de euros.

A passagem de Paquetá também não deixou saudades: apenas um gol e três assistências em 44 jogos, desempenho que incentivou o Milan a liberá-lo em definitivo para o Lyon. Na França, o meia recuperou a confiança, a ponto de provavelmente ser titular da seleção brasileira na Copa do Mundo que se aproxima.

Mas, justiça seja feita, não foram só eles que passaram sem deixar saudades pelos times de Milão. A Inter teve, por exemplo, o lateral-esquerdo Dodô e o meio-campista Rafinha Alcântara, que, juntos, não fizeram nem 50 jogos. O Milan, por sua vez, apostou em Luiz Adriano, que acaba de deixar o Palmeiras, e também no zagueiro Léo Duarte, ex-Flamengo, ambos sem sucesso.

E pensar que o dérbi já foi um clássico dos mais brasileiros em um passado nem tão distante...

Em 2007/08, eram simplesmente 13 jogadores do país nos dois clubes: Júlio César, Maicon, Maxwell, Mancini e Adriano na Inter, mais Dida, Cafu, Digão, Serginho, Kaká, Emerson, Alexandre Pato e Ronaldo no Milan.

O Milan, por sinal, pode se orgulhar por ter tido uma verdadeira escalação da seleção brasileira em seu plantel. Entre 2002 e 2011, além dos já citados acima, passaram também pelo clube Roque Júnior, Thiago Silva, Rivaldo, Amoroso, Ricardo Oliveira e Robinho.

O último a ter uma experiência razoável foi Alex, zagueiro que fez sucesso no Santos e atuou 48 vezes com a camisa rubro-negra, entre 2014 e 2015. Foi dele, inclusive, o último gol de um brasileiro no dérbi, na vitória do Milan por 3 a 0, em 31 de janeiro de 2016.

Na Inter, que ergueu a Champions League em 2010 com Júlio César, Maicon e Lúcio como pilares da equipe de José Mourinho, o brasileiro mais recente a se firmar foi Miranda. O hoje capitão do São Paulo disputou 121 jogos em três temporadas e meia, desempenho que o fez ir à Copa de 2018 como titular da seleção.

De lá para cá, Alex Telles, Felipe Melo, Juan Jesus, Jonathan, Hernanes e Dalbert são alguns exemplos de que, por diversos motivos, não renderam tudo que se esperava pelo time nerazzurri, que, coincidência ou não, passou as últimas três temporadas sem um jogador do Brasil no elenco.

Cabe a Júnior Messias tentar recuperar a tradição brasileira em um dos grandes jogos do futebol mundial. Chegou a hora de reescrever essa história?