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Rei da América: de Neymar a astro a caminho do City, o que aconteceu com os últimos 10 premiados

Julián Álvarez, a caminho do Manchester City, foi o último eleito como melhor jogador da América do Sul. Relembre todos os escolhidos desde 2011


Ser eleito "Rei da América", prêmio bastante prestigiado entregue desde 1986 pelo jornal uruguaio El País ao melhor jogador do ano no futebol sul-americano, é suficiente para chamar atenção dos grandes clubes do mundo.

Julián Álvarez sabe bem disso. O atacante de 21 anos está prestes a ser anunciado como reforço do Manchester City, após uma temporada de alto nível pelo River Plate. Sua mudança para a Europa provavelmente será em julho.

O argentino é apenas mais um exemplo de quem fez muito sucesso na América do Sul e ganhou oportunidade de atuar no Velho Continente. Mas nem todos os eleitos nos últimos anos conseguiram deslanchar na carreira a esse ponto.

O ESPN.com.br mostra abaixo todos os "Reis da América" desde 2011 e o que cada um deles conseguiu fazer na carreira depois de conquistar o importante prêmio. Neymar, por exemplo, explodiu como a maioria já imaginava. Mas outros não reencontraram a boa fase.

2021 - Julián Álvarez (River Plate)

A transferência para o Manchester City ainda não é oficial, o que deve acontecer nas próximas horas. Mas a mudança para o futebol inglês, que a princípio acontecerá apenas na próxima temporada, coroa uma trajetória incrível no River (veja alguns lances da joia no vídeo abaixo).

No time principal desde 2018, Álvarez levantou uma Conmebol Libertadores, uma Recopa Sul-Americana e mais quatro títulos dentro da Argentina, entre eles o campeonato nacional, ano passado. Foram 29 gols em 67 partidas em 2021, desempenho que enche Pep Guardiola e os torcedores do City de esperança para o futuro.

2020 - Marinho (Santos)

O melhor jogador da América do Sul de 2020 jamais recuperou o futebol que o fez ganhar o prêmio mesmo sem o título da Libertadores, que o Santos perdeu para o Palmeiras, em final única no Maracanã. Após o vice, Marinho esteve perto de deixar a Vila Belmiro para atuar no exterior, mas as conversas não deslancharam.

Depois de marcar 24 vezes em 43 jogos em 2020, Marinho anotou apenas 9 gols em 42 partidas no ano passado, reflexo de uma temporada de pouca inspiração do atacante. Agora, ele vai ter a chance de recuperar a grande forma no Flamengo, onde atuará com Bruno Henrique, Gabigol, entre outros.

2019 - Gabriel (Flamengo)

Os 43 gols em 59 jogos, dois deles que deram o título da Libertadores ao Flamengo contra o River, exemplificam como foi a temporada de sucesso de Gabigol, coroado Rei da América em 2019. O atacante também foi campeão brasileiro e carioca, o que fez o clube desembolsar algo próximo a 18 milhões de euros (R$ 83,5 milhões na época) para tê-lo em definitivo.

O faro artilheiro continuou, ainda que não com a mesma quantidade. Foram 27 gols em 2020 e outros 34 em 2021, quando bateu na trave para ser campeão da Libertadores e melhor do continente de novo (perdeu justamente para Álvarez). Gabigol, agora, é presença constante na seleção brasileira e luta para disputar sua primeira Copa do Mundo.

2018 - Gonzalo 'Pity' Martínez (River Plate)

Foi provavelmente o grande nome do River campeão da Libertadores em 2018, em final contra o Boca Juniors que foi decidida em Madri. Chamou atenção de clubes europeus, mas acabou se transferindo para o Atlanta United, da MLS, que pagou cerca de US$ 16 milhões pelo seu futebol.

Ficou pouco tempo nos Estados Unidos, somente até parte do ano de 2019, quando foi vendido ao Al-Nassr, da Arábia Saudita, por US$ 17,6 milhões. O futebol que encantou no River jamais foi repetido, ainda mais em uma liga de pouca visibilidade, mas seu nome sempre é lembrado para um possível retorno à América do Sul.

2017 - Luan (Grêmio)

Talvez o grande exemplo de queda vertiginosa após conquistar o prêmio de melhor do continente. Luan foi a estrela do Grêmio campeão da Libertadores em 2017. Sua presença na Copa do Mundo do ano seguinte parecia uma questão de tempo. O meia-atacante não só foi preterido por Tite, como entrou em uma espiral negativa de lesões, atuações ruins e críticas.

Sem ver sinais de melhora no desempenho de seu antigo craque, o Grêmio abriu mão de seu futebol, vendendo-o ao Corinthians, que hoje, ironicamente, também tenta se livrar do camisa 7, reserva absoluto com Sylvinho. Por ser um dos maiores salários do elenco, Luan é um problema que o Timão não consegue resolver.

2016 - Miguel Borja (Atlético Nacional)

Arruinou o São Paulo na semifinal da Libertadores, levou o Atlético Nacional ao título continental e ganhou o prêmio de melhor jogador da América em 2016. Aqueles meses impressionantes pareciam apenas o começo de uma trajetória de sucesso do artilheiro colombiano. Mas não foi bem isso que aconteceu.

Com pompas de estrela, Borja foi comprado pelo Palmeiras por US$ 10,5 milhões em 2017, valor jamais correspondido pelas atuações do camisa 9. Passou a ser emprestado a outros clubes, preterido por muitos atacantes sem a mesma fama no Verdão até ser vendido de uma vez por todas ao Junior Barranquilla, da Colômbia, onde tenta recuperar a veia artilheira.

2015 - Carlos Sánchez (River Plate)

Então com 31 anos recém-completos, o uruguaio fez sucesso pelo River campeão da Libertadores em 2015, após um empréstimo ao Puebla, duas temporadas antes. Suas atuações pela equipe de Marcelo Gallardo, porém, não ocasionaram grandes ofertas de trabalho.

Ficou no Monumental de Nuñez até janeiro de 2016, quando se transferiu sem custos para o Monterrey, do México. Saiu dois anos e meio depois para reforçar o Santos, onde brilhou muito em 2019, nas mãos de Jorge Sampaoli, e virou referência para a torcida. Enfrentou lesões no futebol brasileiro que impediram que sua melhor fase se prolongasse.

2014 - Teófilo Gutiérrez (River Plate)

Primeiro colombiano eleito desde Carlos Valderrama, em 1993, o atacante foi mais um do River a ser premiado pelo El País. Honraria justa para quem era a estrela do time campeão da Sul-Americana e que fez 28 gols em duas temporadas.

Seu passo seguinte na carreira foi o Sporting, de Portugal, que pagou US$ 4 milhões para tê-lo. Após 15 gols em 32 jogos, voltou à Argentina, mas emprestado ao Rosario Central. Depois disso rodou pelo Junior Barranquilla e hoje atua no Deportivo Cali, mas longe de mostrar aquele instinto artilheiro dos tempos de Rei da América.

2013 - Ronaldinho Gaúcho (Atlético-MG)

É claro que os melhores anos da carreira do R10 já haviam passado quando ele chegou ao Atlético-MG. Mas o prêmio de melhor do continente foi justíssimo para quem liderou o Galo rumo ao primeiro título da Libertadores com belos gols, lindas jogadas e o carisma de sempre.

Foi a última gota de bom futebol do astro. Em 2014, Ronaldinho renovou contrato, mas saiu antes do compromisso acabar, após a chegada de Levir Culpi. Transferiu-se para o Querétaro, do México, e voltou ao Brasil para encerrar a carreira no Fluminense, depois de somente nove jogos em 2015. Bem pouco para um talento imenso como o do ex-camisa 10 da seleção.

2011 e 2012 - Neymar (Santos)

Último a ganhar o prêmio por dois anos consecutivos. Neymar foi o craque do Santos tricampeão da Libertadores, em 2011, e vencedor da Recopa no ano seguinte. Era, disparado, o melhor jogador em atividade no continente.

Foi também o que mais explodiu na carreira depois do prêmio, até porque não havia chegado ao auge. Transferiu-se para o Barcelona em 2013, formou um tridente incrível de ataque com Messi e Suárez capaz de ganhar todos os troféus possíveis.

Quatro anos depois, virou o jogador mais caro do mundo (222 milhões de euros) ao ser comprado pelo PSG, onde está até hoje, apesar das rusgas com a torcida parisiense em meio à trajetória. Segue intocável como 10 da seleção e ainda atrás do prêmio de melhor jogador do mundo.

Veja outros vencedores do prêmio "Rei da América":

1986 - Antonio Alzamendi (River Plate)

1987 - Carlos Valderrama (Deportivo Cali)

1988 - Rubén Paz (Racing)

1989 - Bebeto (Vasco)

1990 - Raúl Amarilla (Olimpia)

1991 - Oscar Ruggeri (Vélez Sarsfield)

1992 - Raí (São Paulo)

1993 - Carlos Valderrama (Junior Barranquilla)

1994 - Cafu (São Paulo)

1995 - Enzo Francescoli (River Plate)

1996 - José Luis Chilavert (Vélez Sarsfield)

1997 - Marcelo Salas (River Plate)

1998 - Martín Palermo (Boca Juniors)

1999 - Javier Saviola (River Plate)

2000 - Romário (Vasco)

2001 - Juan Román Riquelme (Boca Juniors)

2002 - José Cardozo (Toluca)

2003 - Carlos Tévez (Boca Juniors)

2004 - Carlos Tévez (Boca Juniors)

2005 - Carlos Tévez (Corinthians)

2006 - Matías Fernández (Colo-Colo)

2007 - Salvador Cabañas (América)

2008 - Juan Sebastián Verón (Estudiantes)

2009 - Juan Sebastián Verón (Estudiantes)

2010 - D'Alessandro (Internacional)