Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, ex-lateral Guilherme Siqueira lembrou das 'superstições' do técnico Diego Simeone no Atlético de Madrid
Desde 2011 no comando do Atlético de Madrid, o técnico Diego Simeone elevou o patamar do clube a nível nacional e continental, e nos últimos anos conquistou títulos de expressão, como o bicampeonato em LaLiga e também na Europa League. E para quem já teve a oportunidade de trabalhar sob o seu comando, sabe que o argentino é bastante intenso naquilo que faz, o que também inclui algumas superstições.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o ex-lateral-esquerdo do Atleti Guilherme Siqueira contou sobre os bastidores do trabalho de "Cholo" e lembrou que o técnico de 51 anos é o mais "supersticioso" com quem já trabalhou. Para se ter ideia, Simeone tem um ritual antes das partidas pelo clube, e que deve ser seguido à risca.
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"É a comissão técnica mais supersticiosa que eu já vi na história do futebol, nunca vi coisa igual na minha vida. Nós temos todo um protocolo, de quando sai do hotel, do ônibus, até a hora do jogo. No ônibus tem que tocar sempre a mesma playlist, no vestiário também, aí quando volta do aquecimento, o Simeone está sempre batendo uma bola com a mão no chão, e antes de fazer a roda para fazer a oração, ele entrega a bola para o capitão, o capitão faz a mesma coisa, e isso tem que ser assim, não pode mudar...Eu demorei para assimilar, quando eu cheguei eu ficava só olhando o que eu posso ou não fazer"", começou por dizer Siqueira.
A playlist do treinador, por sua vez, é bastante variada. Reggaeton, música espanhola, latina, e por aí vai. Mas se algo sai do script, Simeone fica "louco", como lembrou Siqueira. Certa vez, o som que tocava a seleção de músicas de "Cholo" travou, e o argentino simplesmente saiu do sério.
"Tinha de tudo [na playlist]. Reggaeton, música espanhola, latina, mas era sempre o mesmo pen drive. E ai daquele que tocasse no negócio, que quisesse mudar de música. Um dia travou o som, o cara [Simeone] ficou maluco, parecia que já tava 1 a 0 para o adversário antes de entrar em campo, gritaria, 'coloca a música!'. Eu falei 'calma, gente, quem vai a campo somos nós'. O homem [Simeone] é supersticioso", prosseguiu.
E toda essa superstição é para um bom motivo. Apesar de suas "manias", o argentino vem conseguindo fazer o Atlético de Madrid bater de frente na Espanha com Barcelona e Real Madrid, que inclusive é o rival do colchoneros neste domingo (12), a partir das 17h, no Santiago Bernabéu, por LaLiga. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Por último, Siqueira exaltou o trabalho de Simeone e deixou claro que, apesar das recentes cobranças que o argentino vem recebendo no clube espanhol, acredita que o que mantém "Cholo" por muitos anos no comando do time não são apenas os resultados em campo. Ou seja, se no futuro a sua saída de fato acontecer, ela não será da forma mais simples, devido à sua importância.
"É claro que os resultados contam muito para a continuidade do treinador ou não, existe logicamente uma idolatria por tudo o que ele [Simeone] fez, um reconhecimento, mas é claro que na bola é temporada por temporada, se os resultados não são alcançados, inclusive esse ano já teve um questionamento em cima do Cholo, devido aos últimos resultados na Champions, devido a poisição hoje em LaLiga, a cobrança vai ter sempre, ainda mais quando você eleva o nível, o patamar, mas eu acho que tratando-se de Cholo e de continuidade, até pelo laço que ele tem dentro do clube, seja uma coisa muito bem pensada, bem discutida, organizada, não seria simplesmente um 'quero ir embora' ou 'você está fora', não existe isso de ambas as partes", disse.
"Ele adquiriu um peso dentro do clube, onde a gente não se apega só a resultado, mas sim à idolatria, ao que ele já fez pelo Atlético. Hoje o Atlético briga de igual para igual e consegue vender jogadores por milhões e milhões de euros, consegue ter saúde financeira para comprar também por níveis elevadíssimos, como Barcelona e Real Madrid podem comprar, é graças ao Cholo Simeone. Passa muito por ele também, de ele querer estar, quere continuar, muito mais do que querer se apegar somente a resultados desportivos", finalizou.
