Paulo Bracks, Diretor Executivo de futebol do Internacional, detalhou em entrevista ao podcast Rolou o Melão como foi conduzir os rumores sobre as chances de saída de Diego Aguirre para a seleção do Uruguai
Estar no radar da seleção uruguaia não é algo exatamente novo para Diego Aguirre. Mas não da forma como aconteceu no último fim de semana, quando o treinador do Internacional foi apontado como bola da vez caso Federação Uruguaia de Futebol optasse pela saída do técnico Oscar Tabárez.
Os rumores sobre uma investida celeste pelo treinador elevaram a temperatura nos bastidores do clube gaúcho, que se concentrava em São Paulo para a partida diante do Palmeiras. Como contornar essa situação, diante da iminência de uma mudança tão importante? Segundo Paulo Bracks, com diálogo.
O Diretor Executivo do Internacional abriu o jogo sobre os bastidores do 'fico' de Aguirre em sua participação no episódio #25 do podcast Rolou o Melão, conteúdo exclusivo da ESPN Brasil apresentado pelos jornalistas Gustavo Zupak, Eugênio Leal e Mário Marra.
“É quase impossível controlar como a informação chega para os jogadores, para as pessoas que trabalham. A gente estava em São Paulo para o jogo contra o Palmeiras. Hoje em dia o celular te dá a informação em tempo real. E há uma coisa muito perigosa que é a interpretação das informações, e como isso não tem freio”, disse Bracks, relembrando o passo a passo das 'horas de tensão'.
“A gente desembarca em São Paulo com essa notícia nos nossos celulares e, à noite, leio que o Aguirre tinha entregado uma carta de demissão para a direção. São informações muito falsas que sacodem um ambiente. Os atletas obviamente ficaram sabendo, o próprio treinador ficou com telefone bastante ativo nesse dia”.
“A forma de lidar com isso é ter a proximidade das pessoas. Conversei com o próprio treinador mais de uma vez. 'Chegou alguma coisa? Alguém te ligou? Não'. Liguei para o intermediário dele. 'Chegou alguma coisa? Se chegar, me avisa. O que você está sabendo de lá?'. Você deixa a rédea mais curta, fica mais ativo, mais ligado. E tentamos blindar os jogadores dessa iminente saída que acabou não acontecendo”.
“Não houve nenhum tipo de movimento concreto. Mas é muito difícil esconder. Você tem que tratar. E às vezes a melhor maneira de fazer isso é conversando. Conseguimos administrar e na partida não teve interferência da informação”, afirmou o dirigente.
A permanência de Oscar Tabárez no comando da Celeste, contudo, pode não ser duradoura. Informações de bastidores dão conta de que as partidas de novembro pelas eliminatórias para a Copa do Mundo podem ser decisivas para a sequência do Maestro.
O Uruguai terá pela frente a Argentina em casa e depois a Bolívia na altitude de La Paz. São duelos duros que podem, inclusive, tirar a equipe da zona de classificação para o Mundial. Os uruguaios ocupam atualmente a 5ª posição, no posto de repescagem.
E se novos insucessos colocarem novamente Diego Aguirre na mira da Federação Uruguaia de Futebol? O Internacional está preparado para isso.
“Sabemos dessa possibilidade. E tratamos da forma mais transparente e direta com o próprio Aguirre, com quem tenho uma relação muito próxima. Obviamente que se vier um convite da seleção do país dele...seduz. Não posso esconder que isso pode seduzi-lo a aceitar um convite, se eventualmente vier. Não é a primeira vez. Ele já me disse que é a terceira ou quarta vez que sondam o nome dele. Parece que dessa vez é um pouco mais forte. Ele está ciente e nós estamos também”.
“Acredito que se esse convite vier a gente vai ter que sentar e conversar. Também não posso esconder que, dentro do meu planejamento, de convite ou não para o Diego, obviamente tenho um plano B, plano C, D. Eu preciso ter isso para treinador e para jogador”, explicou o executivo.
“Não posso confiar em absoluto no cumprimento dos contratos e ser surpreendido. Todo contrato tem cláusula de saída. Não posso fechar os olhos à possibilidade que é real e factual. As notícias correm de forma muito concreta de que o nome dele é firme para assumir a seleção caso haja a descontinuidade do atual treinador. O que é um motivo de orgulho para ele, para nós e para o clube”.
