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Por que compra de R$ 2 bilhões de clube da Premier League é tão controversa e polêmica

A compra do Newcastle United liderada pela Arábia Saudita foi concluída com o Fundo de Investimento Público (PIF) comprando o clube da Premier League em uma negociação de cerca de 300 milhões de libras (mais de R$ 2,2 bilhões).

O Newcastle não é campeão inglês desde 1927 e não ganha nenhum título nacional desde 1955, e os fãs acreditam que essa aquisição vai tirá-los da mediocridade. Em 7 jogos pelo Campeonato Inglês nesta temporada, o clube ainda não venceu e está na 19ª posição da tabela, à frente apenas do Norwich City.

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A aquisição encerra um impasse de 18 meses depois de um acordo inicial firmado em abril de 2020. Porém, o PIF, maior fundo de investimento estatal do mundo, não passou no teste de proprietários e diretores da Premier League na época, criando um empecilho que foi resolvido após intensas negociações nas últimas semanas.

Oficialmente, a Premier League indicou em particular que agora está satisfeita que o consórcio forneceu provas de que o estado saudita não teria controle sobre o Newcastle. Em contato com a ESPN, a Premier League se recusou a explicar como isso aconteceu.

"A Premier League, o Newcastle United Football Clube e a St. James Holdings Limited resolveram hoje a discussão sobre a aquisição do clube pelo consórcio formado por PIF, PCP Capital Partners e RB Sports & Media", disse a Premier League em comunicado oficial.

"Após a conclusão do teste dos proprietários e diretores da Premier League, o clube foi vendido ao consórcio com efeito imediato".

"As disputas legais diziam respeito a quais entidades seriam proprietárias ou teriam a capacidade de controlar o clube após a aquisição. Todas as partes concordaram que o acordo é necessário para acabar com a longa incerteza para os torcedores sobre a propriedade do clube".

"A Premier League recebeu agora garantias juridicamente vinculativas de que o Reino da Arábia Saudita não controlará o Newcastle United Football Club. Todas as partes estão satisfeitas por terem concluído este processo que dá certeza e clareza ao Newcastle United Football Club e aos seus adeptos".

No entanto, o acordo deve sofrer forte oposição pública em muitos setores por conta do histórico da Arábia Saudita com os direitos humanos e o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018.

Khashoggi era crítico do governo saudita e foi morto num ato, conforme declarado pelo governo dos Estados Unidos, ordenado diretamente pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, governante da Arábia Saudita e presidente do PIF.

A Anistia Internacional fez um apelo à Premier League para que a liga foque em questões de direitos humanos e 'sportswashing' (expressão que indica um governo ditatorial usando o esporte para 'esconder' violações aos direitos humanos).

"Em vez de permitir que os envolvidos em graves violações de direitos humanos entrem no futebol inglês simplesmente por terem dinheiro, insistimos que a Premier League mude o teste de seus proprietários e diretores para tratar de questões de direitos humanos", disse Sacha Deshmukh, diretor-executivo da Anistia Internacional.

"O termo 'direitos humano' nem sequer aparece nos testes dos proprietários e diretores apesar de o futebol inglês supostamente aderir aos padrões Fifa".

"Enviamos à Premier League uma sugestão de novo teste de conformidade com os direitos humanos e reiteramos nosso apelo para que revisem seus padrões sobre isso".

Como parte do acordo com o Newcastle, o PIF terá uma participação de 80%, com a empresa de capital privado Reuben Brothers pagando por uma participação de 10% e a empresária britânica Amanda Staveley ficando com 10% do negócio.

"É um investimento de longo prazo. Estamos entusiasmados com as perspectivas para o futuro do Newcastle. Pretendemos introduzir uma filosofia unificada em todo o clube, estabelecer um propósito claro e ajudar a fornecer a liderança que vai permitir que o Newcastle United alcance grandes conquistas a longo prazo", disse Staveley sobre o negócio.

"Nossa ambição está alinhada com a torcida – criar um time de sucesso constante, que sempre dispute grandes títulos e orgulhe o mundo todo".

Fontes disseram à ESPN que o catalisador para a mudança repentina na negociação foi o fim de uma disputa de quatro anos sobre os direitos de transmissão da Premier Leauge no Oriente Médio pela emissora beIN Sports, que pertence ao Catar e que é proibida na Arábia Saudita, com o governo bloqueando seu sinal.

O conteúdo da beIN Sports, então, foi supostamente pirateado pela emissora estatal saudita beoutQ, o que levou a beIN Corporation a lançar uma intervenção de investimento internacional contra a Arábia Saudita em busca de mais de um bilhão de dólares (R$ 5,5 bilhões) em indenização.

No ano passado, a Organização Mundial do Comércio determinou que a Arábia Saudita ajudou a violar as leis internacionais de pirataria com relação ao beoutQ, mas, apesar de um reconhecimento para resolver a questão, os canais beIN ainda não eram exibidos integralmente na região.

O processo jurídico continuou, mas fontes disseram à ESPN que os sauditas reconheceram que sua defesa provavelmente iria perder e, agora, buscarão o entendimento com a beIN Corporation.

Agora que a questão da pirataria foi resolvida, a Premier League não está mais em disputa com o estado saudita, embora sustentem que o fator determinante foi o PIF provar que é uma entidade separada do governo do país e não a questão dos direitos de transmissão.

Informação da Reuters foi usada nesta reportagem.