O Santos está em busca de um novo treinador. No último domingo (5), o clube da Vila Belmiro anunciou a saída de Fernando Diniz após uma sequência de maus resultados no Campeonato Brasileiro e na Conmebol Sul-Americana.
Mas, ao mesmo tempo que busca um comandante, a diretoria ainda precisa seguir arcando com pagamentos de acordos firmados com outros técnicos que já deixaram o Alvinegro, e ainda têm valores pendentes a serem quitados.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Andrés Rueda, presidente do Santos, detalhou como tem sido o processo para reduzir o impacto das questões trabalhistas no dia a dia do clube. Segundo ele, acordos firmados e não honrados com outros profissionais seguem atrapalhando o fluxo de caixa do clube.
“A gente está gastando, em média, entre R$ 4 e 5 milhões por acordos já feitos e não honrados. O pior é isso. Se você pegar as parcelas pagas dos acordos, praticamente todas são nessa gestão. Não se pagou praticamente nenhum acordo trabalhista passado. Isso realmente aperta o caixa”, disse Rueda, detalhando como trabalhou para poder dar fluidez aos acertos e assim tentar pagar parte das dívidas.
“Aquilo que ainda não tinha transitado [em julgamento], que ainda estava em fase de acordo, a gente conseguiu juntar tudo em uma Vara Especial, fizemos uma negociação junto ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e equacionamos mais de R$ 30 milhões para pagar parceladamente aos credores”, explicou.
Segundo informação publicada pelo portal GE em março de 2021, o Santos ainda pagava as pendências existentes a sete ex-treinadores: Dorival Júnior, Oswaldo de Oliveira, Levir Culpi, Enderson Moreira, Jorge Sampaoli, Jesualdo Ferreira e Cuca. A reportagem enviou questionamento ao clube sobre o atual cenário de dívidas com os ex-treinadores, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
O acúmulo de dívidas trabalhistas nos últimos anos faz com que o Santos tenha dificuldade contratar, principalmente pela limitação salarial. Ainda de acordo com o presidente santista, o clube tem empenhado cerca de R$ 400 mil por mês referentes ao acerto de 20 parcelas pela rescisão de Jesualdo Ferreira, contratado ainda no início de 2020 e demitido em agosto daquele ano.
“Essa parte trabalhista está equacionada. Porém o valor que o clube paga por mês ainda é bem significativo. Uma dívida trabalhista com esse valor é lamentável."
Quem também tem valores importante a receber do clube da Vila Belmiro é Jorge Sampaoli, que venceu uma ação milionária na Justiça. "O caso do Sampaoli, ganharam na Justiça praticamente R$ 11 milhões”.
Ainda em dezembro de 2019, durante a gestão do ex-presidente José Carlos Peres, o técnico argentino moveu um processo contra o Santos pelo não pagamento de valores referentes a premiação pela vaga do Santos na Conmebol Libertadores, além de R$ 10 milhões da multa rescisória do contrato.
O treinador reclamava ainda na Justiça o pagamento de R$ 600 mil por direito de imagem, além de alegar que houve quebra de contrato entre as partes por conta do não recolhimento de FGTS durante quatro meses.
“Isso era sabido e nós estamos equacionando. O problema que o clube passou não consegue ser resolvido em um, dois ou três anos. Isso é um trabalho de recuperação, de restruturação do clube que vai levar seu tempo até estar em uma posição confortável”, disse o presidente atual.
Na 13ª colocação do Campeonato Brasileiro e nas quartas de final da Copa do Brasil, o Santos vem de derrota por 2 a 1 para o Cuiabá pela competição de pontos corridos. O próximo desafio do Peixe será o Bahia, no próximo sábado, dia 11, às 19h, na Vila Belmiro.
