<
>

Jorginho diz por que escolheu a Itália e dispara: 'Brasil nunca me deu a chance de realizar meu sonho'

Campeão da Eurocopa e da Champions League e eleito o melhor jogador da Europa, Jorginho, do Chelsea, foi sem dúvidas um dos maiores destaques da última temporada. Em artigo para o Players Tribune, o brasileiro naturalizado italiano explicou porque tomou a decisão de representar a seleção europeia e contou um pouco das dificuldades que sofreu perseguindo o sonho do futebol.

O Chelsea volta a campo no sábado (11) às 9h30 da manhã, contra o Aston Villa, pela Premier League, que você acompanha ao viva pela ESPN no Star+. Para saber mais e assinar, clique aqui.

O jogador aponta que devido às portas abertas, escolher a Itália sobre o Brasil não foi difícil. Foi lá que ele superou suas dificuldades e lá que realizou seu sonho. Para ele, defender a Azzurri faz muito mais sentido.

“Defender a Itália é muito especial pra mim. Foi fácil optar pela Itália ao invés do Brasil, que nunca me deu a chance de realizar o meu sonho. A Itália me escolheu para jogar por eles, apesar de eu ter nascido em outro país. Isso significa muito pra mim. O meu avô era italiano, o que me credenciou a defender o país. Eu me sinto italiano. Eu passei quase metade da minha vida aqui. A cada dia eu amo mais e mais esse país”, explicou Jorginho.

“E nunca vou esquecer que, quando eu mais precisei de ajuda, a Itália estava ali por mim. Então como eu poderia dar as costas quando a Itália precisou de mim?”, explicou.

Para entender o significado da Itália em sua vida, o volante inicia sua trajetória ainda no Brasil, relembrando como teve pouca infraestrutura para se desenvolver futebolisticamente. O jogador lembra, porém, como o sonho de ir para a Europa o motivava.

“Os quartos eram imundos. Comíamos a mesma coisa três vezes por dia. Os chuveiros não tinham água quente, nem mesmo no inverno. Do lado de fora, gangues tentavam nos roubar”, disse o craque, que completou “Antes de ir pra lá, eu tinha feito testes em clubes de São Paulo, mas nenhum deles me aprovou. Voltei para a minha cidade, Imbituba, onde um empresário italiano me convidou para treinar nesse clube que ele estava gerenciando. Ele disse que quem fosse bem teria uma pequena chance de ir para a Itália. Qual criança não sonha jogar na Europa?”.

O jogador iniciou sua carreira no Hellas Verona, em 2011. Porém foi em Nápoles, segundo o atleta, que ele recebeu a oportunidade que procurava.

“Em janeiro de 2014, eu me transferi para o Napoli e conheci uma cidade totalmente diferente. Todos nós sabemos como são os napolitanos, certo? Wow!! A paixão, cara!! Eles tratam os jogadores como deuses. Eu não conseguia ir ao supermercado. Eu não conseguia ir ao parque. Sem chance. Eu precisava colocar um boné na altura do olho e o capuz do moletom por cima. O meu pai brincava que eu parecia um fugitivo!”. “Foi muito difícil ir embora depois de quatro anos e meio”, finalizou o jogador.

Mas Jorginho também pontua que sua carreira na Itália não se resumiu a bons momentos. O jogador aponta a solidão e a falta de dinheiro como fatores que quase o fizeram desistir.

“Foi uma experiência bastante solitária. Passei um ano e meio assim, só vivendo para o futebol. Mas quando eu tinha 17 anos e comecei a treinar com os profissionais do Verona, briguei com o meu empresário. Não quero falar muito sobre isso, mas foi horrível. Fiquei em frangalhos” diz Jorginho, que completou. “Liguei para minha mãe, chorando. Mãe, pra mim já deu. Isso é muito pra mim. Sinto saudades de você. Estou voltando pra casa. A minha cabeça já estava de volta a Imbituba. Mas ela disse: A porta vai estar fechada. O quê? Você não vai voltar. Se você aparecer aqui na porta, eu não vou abrir”, relembra Jorginho.

“Graças a Deus, os meus pais foram fortes quando precisou” celebrou.

O vitorioso volante termina ressaltando que, apesar das dificuldades, valeu a pena perseguir seu sonho, e repete a mensagem central de seu texto:

“Não desista, mano. Aconteça o que acontecer, não desista”.