Cria do Sporting, ídolo do Manchester United, lenda do Real Madrid e grande nome da Juventus, Cristiano Ronaldo tem chance de adicionar mais um clube a seu vitorioso currículo. O craque português vive a expectativa de trocar o futebol italiano pelo Manchester City, em negociação que aquece demais os últimos dias de janela do mercado europeu.
O potencial retorno de CR7 à Premier League o colocará também em um grupo reduzido: o de jogadores que atuaram pelos dois times de Manchester. Uma lista da qual Ronaldo, caso vá mesmo para o City, certamente será o nome mais famoso, ainda que outros possuam mais curiosidades e histórias de amor e ódio pelo passado em um clube e a troca pelo rival.
Desde a lenda Denis Law, primeiro no City e depois um dos grandes nomes da história do United, até o sempre polêmico Carlos Tevez, capaz de unir as duas torcidas pelo ódio que causou ao deixar os clubes, selecionamos dez jogadores que passaram tanto por Old Trafford quanto pelo Etihad Stadium (ou Maine Road, para os mais antigos).
Quem se deu bem nos dois lados da cidade? E quem quebrou a cara? Veja abaixo o histórico e tente imaginar como Cristiano Ronaldo, caso vista mesmo a camisa do City, pode se encaixar na lista daqui alguns anos.
O português fez muito sucesso no United. Em seis temporadas, anotou 118 gols, foi campeão da Champions League em 2007/08 e eleito melhor jogador do mundo. Também deixou uma bom dinheiro, ao ser negociado por 94 milhões de euros com o Real Madrid, em 2009.

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Denis Law
Manchester City: 1960 a 1961 e 1973 a 1974
Manchester United: 1962 a 1973
É um dos raros casos que passou primeiro pelo City para depois ir ao United. O ponta escocês foi comprado por 55 mil libras do Huddersfield, na maior transferência da época, e ajudou o City a se manter na primeira divisão em 1960/61 até ser vendido ao Torino. Um ano na Itália foi suficiente para que ele voltasse para Manchester, só que para o lado vermelho.
Foram 11 anos com a camisa dos Red Devils, em que anotou 237 gols em 405 jogos, ganhou seis títulos (entre eles a Liga dos Campeões de 1967/68) e formou um poderoso tridente, até hoje eternizado em estátua no Old Trafford, com George Best e Bobby Charlton. Voltou ao City para sua última temporada em 1973/74, e foi decisivo no dérbi de Manchester que garantiu o rebaixamento do United.
Brian Kidd
Manchester United: 1967 a 1974
Manchester City: 1976 a 1979
Tem história dentro e fora do campo nos dois clubes, além de bons números com ambas as camisas. Começou na base do United e fez parte do time campeão europeu de 1968. Em sete temporadas, anotou 69 gols em 272 partidas até ser vendido ao Arsenal, em 1974.
Dois anos depois, Kidd voltou a Manchester para jogar no City, que pagou 100 mil libras pelo seu futebol. Em três anos, fez 59 gols em 130 jogos. Já aposentado, trabalhou como assistente de Alex Ferguson no United, nos anos 90, e de Roberto Mancini em 2009, no City.
Peter Schmeichel
Manchester United: 1991 a 1999
Manchester City: 2002 a 2003
Uma lenda em Old Trafford, que, pelo peso da idade, não conseguiu repetir o mesmo sucesso no City. Schmeichel foi um dos grandes nomes do United que ganhou absolutamente tudo na década de 1990. Sua despedida foi em grande estilo, com a conquista da Champions League de 1998/99, em final épico contra o Bayern de Munique.
Saiu para o Sporting, voltou à Inglaterra para atuar no Aston Villa até aceitar o desafio de defender o City na temporada 2002/03. Aos 38 anos, aposentou-se vestido de azul e com um grande feito: jamais perder um dérbi de Manchester, independentemente do lado que estivesse. Hoje, é bem mais associado ao United.
Andy Cole
Manchester United: 1995 a 2001
Manchester City: 2005 a 2006
Companheiro de Schmeichel no United, brilhou como nunca entre o fim da década de 1990 e início dos anos 2000, especialmente ao lado do parceiro Dwight Yorke. Foi campeão europeu, mundial e cinco vezes da Premier League, em uma passagem que só acabou pela perda de espaço para Ruud van Nistelrooy.
Cole foi vendido ao Blackburn, passou depois pelo Fulham e teve a chance de atuar pelo City na temporada 2005/06. O começo foi impactante, com dez gols em 23 jogos, até que uma lesão, em fevereiro de 2006, impediu que a passagem pelo clube fosse mais duradoura. Acabou trocando de clube meses depois.
Carlos Tevez
Manchester United: 2007 a 2009
Manchester City: 2009 a 2013
Nenhum dos nomes da lista causou mais do que o argentino. Após destruir em seu primeiro ano no West Ham, Tevez despertou interesse de Sir Alex Ferguson, que o levou para o United por empréstimo. Em duas temporadas, marcou 34 gols, brilhou intensamente ao lado de Rooney e Cristiano Ronaldo e caiu nas graças da torcida.
Até que, por um daqueles caprichos, Carlitos passou a reclamar de não ser titular com mais frequência e encerrou a passagem por Old Trafford. Foi então que o City pagou 29 milhões de euros e o recepcionou com uma provocativa placa "Bem-vindo a Manchester", que irritou inclusive Ferguson.
Em quatro temporadas no Etihad, Tevez teve números melhores (73 gols em 148 jogos), ajudou a ganhar o primeiro troféu da era endinheirada do City e foi campeão inglês em 2011/12. Mas uma nova indisposição, agora com Roberto Mancini, causou sua saída, o que poeticamente uniu as duas torcidas em ódio ao jogador. Camisas azuis e vermelhas com seu nome foram queimadas e até recicladas pela cidade.
E quem mais?
Além dos cinco maiores "vira casacas" de Manchester, outros cinco jogadores tiveram a experiência de atuar pelos dois clubes, mas em passagens pouco marcantes.
O primeiro é Peter Beardsley, meia-atacante com apenas uma partida oficial pelo United, na temporada 1982/83, e que esticou a carreira até o fim da década seguinte. Atuou pelo City em 1998, numa experiência que durou semanas.
Na foto abaixo, é possível ver Beardsley disputando jogada com Andrei Kanchelskis, outro que atuou pela dupla de Manchester. O russo foi atacante do United de 1991 a 1995, quando fez relativo sucesso nas mãos de Ferguson, conquistando sete títulos. Rodou por outros clubes até, em 2001, passar um semestre emprestado ao City. Por lá, anotou um gol em dez jogos.
Mark Robins é mais um exemplo. Revelado na academia do United, o atacante atuou em Old Trafford de 1988 a 1992 e viveu seu grande momento no clube ao marcar o gol da vitória contra o Oldham Athletic, na semifinal da Copa da Inglaterra de 1990. Foi o primeiro título da era Ferguson.
Anos mais tarde, passou poucos dias como jogador do Manchester City, na temporada 1998/99, e claramente não deixou saudades.
Em compensação, Terry Cooke causou mais impacto no City do que no United. Surgiu para o futebol em Old Trafford, mas disputou míseros quatro jogos entre 1994 e 1999, período em que passou mais tempo emprestado a clubes menores.
Em 98, mudou-se de vez para o City, onde não marcou época, mas jogou cinco vezes mais e conseguiu marcar ao menos dois gols, até seguir carreira em outras equipes a partir de 2002.
O último que viveu a experiência de atuar pelos rivais foi há uma década. Owen Hargreaves foi jogador do Bayern por dez anos até ser comprado pelo United, em 2007. Ficou quatro temporadas no clube, mas pouco atuou por conta dos vários problemas físicos.
Sem espaço no time de Ferguson, aceitou uma transferência grátis para o City em 2011, após ser aprovado em exames médicos. Mas as lesões novamente atrapalharam sua trajetória, encerrada apenas qustro jogos depois. Esteve no elenco campeão inglês, mas sequer recebeu medalha por ter atuado só uma vez no campeonato.
