"O Marcos Guilherme é um menino de 17 anos. Se não se perder, ele vai ser o maior talento da história do clube. Estamos, de toda forma, protegendo este menino. Ele está sendo observado por todos os olheiros europeus e avaliado como fora de série".
A frase dita em 2012 por Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico-PR à época, marcou a carreira do jovem. Depois disso, ele passou a conviver com uma enorme pressão por parte da imprensa e da torcida do clube, que o vaiava nos momentos ruins do clube.
Marcos precisou sair da Arena da Baixada para seguir no futebol e rodou por vários times até chegar ao Santos. Nesta quarta-feira, ele irá reencontrar o ex-clube em duelo válido pelas quartas de final da Copa do Brasil.
"Sempre fui muito cobrado até pelo que o Petraglia falou. Por essa frase, fui extremamente cobrado. Quando eu estava bem e jogando isso, não atrapalhou em nada, foi só confirmando. Mas nós sabemos que futebol é fase, tem fase boa e ruim. Por causa dessa frase, no momento ruim atrapalhou bastante. Se não tivesse essa frase, com certeza as coisas seriam diferentes no mau momento", contou o jogagor ao ESPN.com.br, em 2017.
Natural da cidade de Itararé, interior de São Paulo, Marcos Guilherme começou em uma escolinha de futsal aos sete anos antes de ir para o campo. Ele chegou a fazer testes de uma semana no Atlético Sorocaba e depois se destacou em uma competição de base no interior de São Paulo.
O atacante chegou a ser sondado pelo Santos, mas transferiu-se para o Trieste, um clube de empresários que fica em Curitiba. Aos 12 anos, foi morar sozinho pela primeira vez.
"A maior dificuldade foi sair de uma cidade de 50 mil habitantes para uma capital onde não conhecia ninguém. Saí de casa sem ter dinheiro ou uma chuteira boa, foi bem difícil. Era o mais jovem do alojamento. Muitas vezes os mais velhos queriam tirar proveito disso e queriam folgar para cima de mim", contou.
Mesmo assim, Marcos Guilherme não se intimidou e foi o destaque da equipe na temporada. Em 2009, foi chamado para a base do Athletico-PR. Com apenas 16 anos já estava profissionalizado e atuando na equipe B.
Em 2015, foi vice-campeão mundial sub-20 pela seleção brasileira ao lado de Gabriel Jesus e Andreas Pereira.
Após alternar períodos como titular e reserva no Furacão, Marcos Guilherme deixou a Arena da Baixada por sentir "que não tinha clima para continuar no clube".
Após viver um impasse com o Flamengo e receber uma oferta do Santos, ele foi emprestado para o Dínamo Zagreb.
"Tinha que sair e ter uma novo lugar para jogar, então, fiquei no impasse de Flamengo e outros grandes que estavam tentando. Gerou uma ansiedade de saber onde vai jogar e se preparar mentalmente", disse. "Foram dois meses de negociação com Flamengo. Fiquei no meio disso tudo e querendo que resolvesse tudo o quanto antes. De última hora, apareceu o Dínamo com uma proposta em dois dias. Estava tudo certo e preparado para ir jogar no Flamengo. Me falaram que aceitaram a proposta e no dia seguinte arrumei as malas para ir embora para o Croácia", concluiu.
Depois disso, o atacante defendeu São Paulo, Al-Wehda e Internacional antes de ir para o Santos.
