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Ex-funcionária notifica CBF e cobra indenização por assédio moral e sexual de Rogério Caboclo

Uma ex-funcionária da CBF notificou a entidade cobrando indenizações morais e trabalhistas após relatar ter sofrido assédio sexual do presidente afastado da confederação, Rogério Caboclo.

Esta é a segunda acusação do mesmo tipo contra o cartola – no início de junho, uma secretária entregou áudios e trocas de mensagens ao compliance da CBF com detalhes da denúncia.

A notificação foi entregue pelos advogados da mulher ao departamento jurídico da CBF na última quinta-feira (19) e imediatamente encaminhada pela entidade à comissão de ética. O órgão abrirá um novo processo interno para investigar mais um relato de assédio contra Caboclo.

A peça assinada pelos representantes legais da ex-funcionária contém relatos de importunação e conversas de teor sexual explícito por parte de Caboclo. A profissional trabalhava na área de cursos, workshops e licenças da CBF e foi morar fora do país após pedir demissão - no início de 2019 - pelos seguidos casos de constrangimento na confederação.

Oferta de R$ 1 milhão, cargo em diretoria e Del Nero envolvido

Longe da confederação, a mulher não tocou mais no assunto e queria se afastar do “fantasma” do assédio sofrido. Após a denúncia realizada por uma secretária de Caboclo que ainda trabalhava na CBF no início de junho, no entanto, o cenário mudou.

Ela foi citada em autos e depoimentos pela primeira funcionária a fazer uma denúncia formal e, então, procurada por advogados da confederação que ofereceram uma indenização de R$ 1 milhão para “reparar um erro antigo do presidente afastado”. O valor foi considerado abaixo do ideal pelos representantes familiares e legais da mulher.

Em um áudio obtido pelo ESPN.com.br (não reproduzido para manter o sigilo de voz e identidade da mulher), a mãe da ex-funcionária chega a relatar a Ricardo Trade, o “Baka”, que advogados da CBF ofereceram R$ 1 milhão e “uma vaga de diretoria que já está aberta para ela” na tentativa de minimizar os danos sofridos – e reconhecidos pela confederação, numa movimentação de incriminar e prejudicar Caboclo.

“O advogado dela recebeu uma proposta da CBF. Para você ver como eles estão pressionando a minha filha. Voltaram a ligar dizendo que tinha uma importante mensagem. Que já tiraram um diretor da CBF e que a vaga está aberta para ela. Para voltar e ser a primeira mulher a trabalhar na CBF na diretoria. Foi isso que eles ofereceram. E a CBF ofereceu para o advogado dela R$ 1 milhão. (...) Os advogados da CBF que ofereceram para o advogado dela”, disse a mãe em uma ligação telefônica realizada em 4 de julho com Baka, homem-forte de competições organizadas no Brasil e aliado de Caboclo.

O ESPN.com.br também confirmou a existência de conversas em que a ex-funcionária contou a interlocutores que as propostas de indenização e cargo eram verdadeiras. Tais conversas geram um debate de entendimento entre as muitas partes envolvidas.

Pessoas próximas à moça entendem se tratar de uma negociação normal por indenização. Por outro lado, o estafe jurídico de Caboclo entende que as propostas de dinheiro e cargo serviriam para confirmar o assédio e prejudicar o presidente afastado.

Procurado, Rogério Caboclo enviou, através de sua assessoria, uma nota à ESPN.

“O presidente da CBF, Rogério Caboclo, repudia as acusações levianas e falsas lançadas contra ele e nega veementemente que tenha cometido atos que configurem assédio em relação à mencionada funcionária da entidade. Ocorre que, durante o processo do afastamento ilegal de Caboclo do cargo, ele recebeu áudios de diálogos da acusadora e de sua mãe em conversa com um colaborador da CBF. Elas relatam de forma clara o recebimento de proposta para prejudicar Rogério Caboclo e retirá-lo definitivamente do comando da entidade. As propostas incluíam oferecimento de alto cargo de direção na CBF, além de R$ 1 milhão. Essas tentativas de cooptação da funcionária, como comprovam as conversas, foram conduzidas pelos diretores Gilnei Botrel e Manoel Flores, aliados do ex-presidente banido do mundo do futebol e investigado pela Polícia Federal, Marco Polo Del Nero. A defesa de Rogério Caboclo já entrou com pedido de investigação na Comissão de Ética da CBF contra os diretores citados no áudio por suspeita de corrupção de testemunha e contra o ex-presidente da CBF”.

"A CBF tomou conhecimento dos episódios narrados na data de ontem, mediante o recebimento de denúncia formal encaminhada pelos advogados da ex-funcionária e remeteu o expediente de imediato à Comissão de Ética do Futebol Brasileiro", disse a entidade, em nota à reportagem.